Em Ribeirão Preto, 99 mil estudantes voltam às aulas a partir da próxima semana
Prefeitura garante volta às aulas tranquilo, com uniformes e kits de materiais distribuídos aos estudantes

Em Ribeirão Preto, 99 mil estudantes voltam às aulas a partir da próxima semana

Ano será marcado pela proibição do uso de celulares nas escolas

A volta às aulas marca um momento de apreensão para os estudantes e de mudança de rotina para os pais. Em Ribeirão Preto, são 99 mil estudantes matriculados segundo dados de 2023 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, 77.304 estão no ensino fundamental e 22.276 no ensino médio. Essa massa de crianças e adolescentes retornará a partir da próxima semana às 268 escolas da cidade. Esse ano também será marcado pela proibição do uso de celulares nas escolas (leia mais a seguir).

 

Hélida Felgueiras, consultora pedagógica do Grupo SEB, orienta aos pais que comecem a se preparar, junto dos filhos, com cerca de uma semana de antecedência do retorno. "Dependendo da faixa etária, a demanda é diferente: organizar juntos os materiais já comprados e colocar a identificação nos objetos – importante deixar que a criança escreva o seu nome se ela já está na fase de alfabetização –, verificar se o uniforme ainda serve na criança e se está em boas condições, preparar a mochila juntos e principalmente, começar a ter uma 'rotina de tchau férias', ou seja, começando a dormir mais cedo e levantando mais cedo da cama com um bom café da manhã", explica.

 


Hélida Felgueiras, consultora pedagógica do Grupo SEB, orienta aos pais que comecem a se preparar, junto dos filhos, com cerca de uma semana de antecedência do retorno

 

Para Patrícia Manzoli, pedagoga e orientadora parental, retomar a rotina escolar deve ser algo positivo para as crianças e adolescentes e para que isso aconteça o sono deve estar em dia para que não gere irritação, cansaço e desconcentração. “Sabemos que durante as férias os horários ficam mais flexíveis, mas o corpo precisa se readaptar e isso não pode ser de uma vez só”, ressalta.

 

A pedagoga ainda aconselha levar os filhos para comprar os materiais escolares como forma de envolvê-los no processo de retorno. “Ficar feliz e empolgado com os novos materiais escolares é uma forma de engajá-los com esse retorno, além de ser uma ótima oportunidade para fazer uma educação financeira. Não desista de leva-los às compras dos materiais, isso pode ser um processo que exigirá mais paciência e demandar mais tempo, mas é fundamental para o processo educativo dos filhos”, pontua.

 

Para Patrícia Manzoli, pedagoga e orientadora parental, retomar a rotina escolar deve ser algo positivo para as crianças

 

RETORNO MUNICIPAL

 

A Prefeitura de Ribeirão Preto anunciou na última semana medidas para garantir o início do ano letivo de 2025 nas 142 escolas municipais que atendem cerca de 50 mil alunos. Entre as ações estão a contratação de professores, a distribuição de uniformes escolares e a entrega de kits de material escolar. "Não faltará professor, uniformes ou materiais escolares. Estamos comprometidos em garantir a qualidade do ensino para nossos alunos", afirmou o prefeito Ricardo Silva (PSD). No total, 495 professores serão contratados ao longo das próximas semanas para atender plenamente a rede municipal.

 

Além do reforço docente, a Prefeitura assegurou que todos os alunos receberão seus uniformes escolares no primeiro dia de aula, em 5 de fevereiro. Cada estudante contará com um kit contendo duas camisetas e bermudas. De acordo com o secretário da Educação, Valdir Martins, o município conta com uma reserva técnica dos uniformes para garantir a distribuição.

 

"Os itens já estão nas escolas e serão entregues a todos os alunos. Inicialmente, as peças serão entregues de forma parcial, mas nenhum estudante ficará sem", afirmou Martins. Quanto a licitação para a compra de mais peças, inicialmente suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado, foi reaberta, e o pregão para aquisição de 250 mil camisetas e 100 mil bermudas está agendado para 3 de fevereiro. Os kits de material escolar, contendo itens como cadernos, lápis e estojos, também estarão disponíveis para todos os estudantes, garante o Executivo.

 

SEM CELULAR

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou no dia 13 de janeiro o Projeto de Lei 104/2015, que restringe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis, sobretudo telefones celulares, nas salas de aula de escolas públicas e privadas do ensino básico em todo o país. O projeto de lei foi aprovado no fim do ano passado pelo Congresso Nacional. De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, a lei restringe o uso em sala de aula e nos intervalos, para fins pessoais, mas há exceções, como o uso para finalidade pedagógica, sob supervisão dos professores, ou em casos de pessoas que necessitem de apoio do aparelho para acessibilidade tecnológica ou por alguma necessidade de saúde. Países como França, Espanha, Grécia, Dinamarca, Itália e Holanda já adotam legislações que restringem uso de celular em escolas. Apoiado pelo governo federal e por especialistas, o projeto alcançou um amplo consenso no Legislativo, unindo governistas e oposicionistas.

 

Em São Paulo, uma medida semelhante já estava em vigor desde dezembro de 2024. O projeto sancionado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a utilização dos dispositivos será permitida para fins pedagógicos, no acesso a conteúdos digitais ou a ferramentas educacionais, e quando houver necessidade de auxílio tecnológico para alunos com deficiência. Os eletrônicos serão suspensos no intervalo entre as aulas, recreios e atividades extracurriculares. Para a comunicação dos estudantes durante esse período, a orientação é de que as escolas estabeleçam canais acessíveis entre pais e/ou responsáveis e a instituição de ensino.

 

Para Patrícia Manzoli, a medida surge diante de um cenário de total descontrole dos adultos sobre a regulação do uso do celular pelos filhos. "Infelizmente chegamos em um momento em que muitas crianças perderam a oportunidade de desenvolver os aspectos de interação, comunicação, atenção e concentração por causa do uso indevido do celular. Vejo a proibição do uso de celulares nas escolas como uma medida altamente necessária para o processo de desintoxicação dessas crianças, inclusive nos intervalos onde será possível estabelecer conversas, andar pela escola, brincar”, pontua a especialista.

 

Patrícia argumenta que a verdadeira inclusão digital não é feita pelo uso de mídias sociais, conversas por whatsapp ou jogos eletrônicos. “Apropriar-se das linguagens das tecnologias digitais e tornar-se fluente em sua utilização tem muito mais a ver com aprender a elaborar um bom e-mail, criar e editar documentos, conhecendo os recursos principais como formatar, de modo a facilitar a leitura, trabalhar com tabelas, planilhas e listas com marcadores e numeração. Usar recursos gráficos para enriquecer o documento”, exemplifica.

 

A consultora pedagógica do Grupo SEB destaca que  uso excessivo dos celulares foi um processo potencializado pela pandemia e que não possibilitou um planejamento mais cuidadoso pelos educadores. “Estava mais do que na hora de repensarmos esse uso. Acredito que no início teremos resistência dos alunos mais velhos, mas os ganhos serão imensuráveis: o retorno à convivência ‘olho no olho’, os jogos de tabuleiro, as brincadeiras de recreio, as rodas de conversa… tudo isso voltará a existir nos pátios de nossas escolas”, ressalta Hélida.

 

 DE OLHO NA LANCHEIRA

 

A nutricionista Lícia Sanchez Vendruscolo Xavier de Souza aconselha os pais que evitem colocar na lancheira dos filhos alimentos ultraprocessados, como bolinhos industrializados, salgadinhos, bolachas.

 

"Infelizmente o consumo de alimentos ultraprocessados é uma realidade independentemente de classe social. Mesmo sabendo que o excesso desses alimentos pode levar a doenças não transmissíveis como diabetes, pressão alta, dislipidemias, os cuidadores ainda disponibilizam esses alimentos para seus filhos. O ideal não é proibir, e sim dar alternativas, diminuir o consumo. Hoje em dia existem alimentos que são industriados e possuem menos ou nenhum conservante e corante. Aprender a ler os rótulos, ajuda na hora de escolher o produto. Se os pais estão bem informados dos malefícios facilita eles manterem a decisão de uma alimentação melhor para o filho. Depois de uma certa idade, a informação deve ser para os filhos também, portanto aulas de nutrição nas escolas são muito importantes", recomenda.

 

Nutricionista Licia Vendrusculo dá dicas de como montar uma lancheira saudável

 

"Para que a lancheira não pese para os pais ou cuidadores da criança a dica é organização. Fazer um cardápio com as opções de lanches ajuda muito", acrescenta Licia. Confira abaixo as dicas da nutricionista para uma lancheira saudável:

 

- Frutas;

- Iogurte naturais com fruta (batido ou não) ou com granola;

- Pão ou tapioca com patê de frango ou atum ou queijo e tomate;

- Crepioca (panqueca feita de ovo e tapioca);

- Vitaminas de frutas com ou sem leite;

- Açaí com granola;

- Muffin salgado;

- Bolo simples;

- Panqueca de banana ou maça;

- Milho cozido;

- Pipoca;

- Ovinho de codorna, tomate cereja, pepino, cenourinha com limão e sal;

- Castanhas, amendoim.


Foto: Prefeitura de Ribeirão Preto

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