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Maratona de vestibulares

Com o fim do ano letivo e a maratona de vestibulares acontecendo, os estudantes intensificam a rotina de estudos para se prepararem para as provas

*Matéria publicada na edição 1090 da revista Revide.

Desde o começo deste mês, a maratona dos principais vestibulares do Brasil deu largada. No dia 7 de novembro, aconteceu a primeira fase da prova da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp –, e nos dias 14 e 15 a da Universidade Estadual Paulista – Unesp. Mais para o final do mês, nos dias 21 e 28 de novembro, acontecem as provas do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem –, e em dezembro, nos dias 12 e 19, a primeira fase da Fundação Universitária para o Vestibular – Fuvest – e a segunda fase do vestibular da Unesp.

Já em janeiro de 2022, acontecem o restante das segundas fases, e os vestibulandos se aproximam mais ainda da linha de chegada. No entanto, para tudo isso acontecer, foi, e ainda é preciso muito esforço e dedicação, tanto por parte dos alunos, intensificando a rotina de estudos, quanto por parte das escolas, guiando os estudantes pelo melhor caminho e os preparando diariamente. 

Ritual da escrita

A redação é considerada metade da nota de algumas provas, como no caso da Fuvest. Ela define a aprovação em muitos vestibulares por possuir um peso muito alto no resultado final. Para a professora Regiane Pedigone Segantini, idealizadora do curso 100% Redação, o texto define o tipo de aluno que está ingressando na instituição.

"Pela redação, o aluno demonstra a questão de um conhecimento geral, de maturidade, da própria personalidade, se ele tem estudo, se tem ética, se é racista, intolerante, se é solidário, porque, as marcas textuais, as marcas linguísticas, elas são muito carregadas de toda essa questão moral”, explica. Assim como o aluno que tem autonomia, criatividade e posicionamento, Regiane diz que é possível perceber vários aspectos pela escrita. “Eu sempre digo que a redação é quase uma entrevista com psicólogos, ou outros tipos de testes para notar quem é aquele aluno que vai ser o engenheiro, médico, o arquiteto daquela instituição, se ele tem o perfil”, acrescenta. 

Apesar de alguns vestibulares cobrarem temas específicos, Regiane ressalta a importância dos alunos dominarem grandes temas, correlacionados a comunicação, relacionamentos interpessoais, ecologia, política, leis e artes, entre outros. “Não há uma previsão, uma coisa que é certa, uma mágica, um teorema, algo que já deu indício de qual vai ser o tema, isso não existe, isso é mito! O aluno tem que escrever, estudar, tem que ter domínio de escrita, de bons argumentos em todos os assuntos”, alerta. 

Professora do 100% Redação, Regiane Segantini dá dicas de repertórios para os vestibulares

Aula dada, aula estudada

No Colégio Einstein de Ribeirão Preto, a preparação para os vestibulares acontece desde o começo do ano para a 3ª série e extensivos. O diretor da escola, Eduardo Gula Sobrinho, conta que os alunos são constantemente testados através dos simulados e provas discursivas, e que a conclusão do conteúdo do ano letivo de 2021 ocorreu no dia 30 de outubro, dando início às revisões que se estendem até o dia 14 de janeiro de 2022.

Segundo Gula, os vestibulares que ocorreram no ano passado, início deste ano e que estão ocorrendo neste momento, apresentam alto grau de complexidade, porém, o diretor confia em seus alunos. “Nossa expectativa é alta. Nossos alunos foram muito bem preparados durante o ensino médio. Acreditamos que terão sucesso nos vestibulares”, afirma. Além disso, a escola realiza, desde o início do ensino médio, trabalhos com psicólogos, tanto para a orientação vocacional, quanto para auxiliaros alunos com a pressão dos vestibulares. 

O professor de geografia da escola, Carlos Alberto Regalo, diz que procura guiar suas aulas tentando sempre associar os conteúdos dados em sala com o cotidiano dos alunos. “A minha geografia é a geral, então, eu sempre correlaciono outros países do mundo, outras situações que estão acontecendo e tento trazer para a nossa realidade, porque uma coisa que eu experimentei e deu certo, é sempre fazer essa correlação do que vivemos com o que o outro está vivendo, isso desperta o interesse e a atenção dos alunos”, explica.

Gula sobrinho diz que os alunos são testados constantemente

De acordo com o professor, diferente da área de exatas, em que o aluno deve aplicar de maneira intensa os exercícios, na área de humanas o importante é assistir a aula, fazer anotações, ler a teoria e, em seguida, escrever. “A neurociência coloca para nós que aquele aluno que só lê, a quantidade de informações e a síntese do que ele leu é pequena. Quando ele lê e escreve, isso aumenta significativamente, chegando a 90%”, aponta. Regalo ainda ressalta que, na hora de estudar para as provas, o que vale para um, nem sempre vale para o outro. No geral, o lema aplicado pelo Colégio é “aula dada, aula estudada”.

“Mas, nosso trabalho é orientá-los para que percebam que de ano a ano devem aumentar as horas de estudos. No 1º ano, de duas a duas horas e meia todos os dias, no 2ºano, de três a quatro horas, e no 3º, durante o primeiro semestre, pelo menos quatro horas. Lembrando que isso depende da carreira que o aluno quer, se for uma mais concorrida, como Medicina, no segundo semestre essas quatro horas precisam aumentar”, aconselha. 

Lapidação 

Na Fundação Armando Alvares Penteado – FAAP – de Ribeirão, a preparação para o vestibular é feita de maneira em que, durante as manhãs, ocorrem as aulas das diversas disciplinas presentes nas provas, sendo a maior parte da grade. Já no período da tarde, ocorrem os plantões de dúvidas com os mesmos professores da manhã, aulas de redação em turmas reduzidas, aulas de Sociologia, Língua Inglesa, Atualidades, Obras de leitura obrigatória e monitorias aos que apresentam maior dificuldade em determinadas disciplinas.

Segundo Franco, a preparação para o vestibular acontece de forma natural desde a 1ª série do Ensino Médio

“O curso todo é pensado para que nosso aluno possa se organizar, manter as tarefas em dia, revisar os assuntos estudados e chegar ao ápice de seu desempenho na época em que as provas acontecem”, afirma o coordenador pedagógico e professor de física, Franco Giagio. Desde a 1ª série do Ensino Médio, o professor diz que a preparação para o vestibular acontece de forma natural, leve e implícita. Já na 3ª série e no pré-vestibular, isso se intensifica, e o planejamento da Fundação se dá de forma que todas as atividades sejam homogeneamente distribuídas ao longo de todo o ano. 

De acordo com Franco, algumas mudanças ocorridas nos vestibulares colaboram para reduzir a pressão sobre o estudante em um momento tão duro e atípico. “A prova da segunda fase da Unesp passou a ser composta por questões de múltipla escolha, a Fuvest suprimiu parte do conteúdo e a Unicamp aumentou em uma hora o tempo para a realização da prova neste ano. Porém, o programa continua extenso, as provas são cada vez mais contextualizadas, a concorrência é altíssima em alguns cursos e, somado ao fato de os estudantes terem navegado pelo desconhecido nesta pandemia, penso que viveram – e viverão ainda neste ano – os exames mais desafiadores”, frisa.  

Lucca De Carvalho Issa, 17 anos, aluno do Colégio  Einstein e 100% Redação 

Estudante da 3ª série do Colégio Einstein e do curso do 100% Redação, Lucca De Carvalho Issa se prepara para ingressar na faculdade de Administração. “Tenho uma rotina na qual estou nas aulas de manhã e a tarde inteira fico estudando, em torno de umas sete horas por dia, sendo que faço duas redações semanais”, conta. Lucca almeja conquistar as provas da USP, UFMG e Unifesp, e diz estar se sentindo preparado, porém, com um pouco de medo.

Lívia Maria de Paula Castro, 17 anos, Colégio Faap.

Já Lívia Maria de Paula Castro, estudante do 3º ano da FAAP, está prestando Medicina pelos vestibulares da Santa Casa, Unicamp, Unesp, Enem, Famema, Fuvest, Famerp e Unifesp. “Nesse período de início da realização dos processos seletivos, estudo de segunda a sexta, em média sete horas por dia após as aulas regulares, e uso o sábado para fazer redações e descansar antes dos vestibulares, que, geralmente, são no domingo.

Em especial nesse momento tão próximo das provas, procuro a cada dia controlar a ansiedade e a tensão, fazendo coisas que eu gosto, como ler e praticar esportes. Estou muito focada, espero conseguir ingressar nesse ano em uma universidade pública e, no futuro, me tornar uma médica capaz de ajudar inúmeras pessoas em momentos tão difíceis, como o da pandemia”, declara. 

Conselhos de um professor 

Professor do Einstein, regalo dá dicas de como estudar a área de humanas para os vestibulares

Regalo faz algumas orientações aos estudantes nesses momentos finais:
• Tente descansar um pouco em casa;
• Se alimente bem;
• Pratique exercícios físicos, como uma caminhada ou uma ida a academia;
• Saia com alguns amigos;
• E lembre-se que tudo deve estar dentro de certo equilíbrio.

Fotos: Revide

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