Projeto Cora Coralina transforma vidas por meio da escrita em Ribeirão Preto
Abertura da aula inaugural do cursinho, em 2018 | Foto: Felipe Dias Mente

Projeto Cora Coralina transforma vidas por meio da escrita em Ribeirão Preto

Iniciativa oferece aulas gratuitas de redação para estudantes da rede pública e promove inclusão social e acesso ao ensino superior

A escrita tem o poder de transformar vidas, romper barreiras sociais e abrir portas para novas oportunidades. Em Ribeirão Preto, esse potencial se concretiza no projeto Cora Coralina, cursinho de redação criado há quase uma década com o objetivo de democratizar o acesso de jovens da rede pública ao ensino superior.
 

Formação cidadã e pensamento crítico
 

Um dos idealizadores do projeto, Felipe Dias Mente, médico formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e atualmente residente em Cirurgia Geral no Hospital das Clínicas (HC-FMRP), explica que a proposta vai além da preparação para vestibulares.
 

“A democratização do acesso à universidade sempre foi nosso norte, mas queríamos, sobretudo, formar cidadãos pensantes e autônomos, capazes de se expressar através da escrita e leitura”, afirma.
 

O nome do projeto é uma homenagem à poetisa Cora Coralina (Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas), que publicou seu primeiro livro aos 75 anos e superou adversidades para se tornar referência na literatura brasileira.
 

“Apesar de não ter concluído o ensino primário, ela nunca se deixou limitar pelas circunstâncias. Nunca é tarde para aprender a ler e escrever ou encontrar na leitura um caminho para amenizar as amarguras do cotidiano”, destaca Felipe.
 

Desafios e impacto social
 

Ao longo dos quase dez anos de atuação, cerca de 600 estudantes já participaram do projeto. Entre as histórias marcantes, Felipe recorda o encontro com um ex-aluno no hospital onde trabalha.
 

“Ele disse: ‘Professor, você não deve se lembrar de mim, mas me deu aula no Cora. Eu entrei na faculdade e este ano me formo em Fisioterapia’. Aquilo provou que contribuímos, de fato, para a democratização do ensino superior”, relata.
 

As dificuldades enfrentadas pelos estudantes também revelaram a dimensão dos desafios sociais. “Muitos alunos faltavam porque não tinham dinheiro para o transporte. Foi quando entendemos que o abismo era maior do que imaginávamos e começamos a criar estratégias para mitigar isso”, conta.

 

Educação que transforma
 

Atualmente, o cursinho é coordenado pela professora Mariana Kiomy Osako, do Departamento de Biologia Celular, Molecular e Bioagentes Patogênicos da FMRP.
 

“Temos alunos diferenciados, cidadãos sensíveis e profundos, com uma vontade irresistível de mudar o mundo. Eles me inspiram todos os dias a ser uma professora melhor”, diz.
 

A docente destaca que a participação no projeto aproxima os estudantes do ambiente acadêmico e estimula o pensamento crítico. Pela primeira vez, o curso é oferecido como atividade de extensão (AEX) da FMRP, o que legitima e valoriza ainda mais a iniciativa.
 

Aprendizado e acolhimento
 

As aulas são focadas na redação do Enem e de outros vestibulares, abordando desde a estrutura textual até o uso de repertórios adequados. Segundo Igor Cardoso Licá, ex-aluno e atual gestor do projeto, muitos estudantes chegam com defasagem escolar e enfrentam insegurança.
 

“Nosso papel é acolher, explicar com calma e mostrar que todos podem aprender. Criamos um ambiente onde eles podem expressar opiniões, angústias e sentimentos sobre o vestibular”, explica.

 

A seleção de participantes ocorre semestralmente, com análise socioeconômica e entrevistas individuais.

 

Aulão gratuito em novembro
 

No dia 8 de novembro, às 9h, o projeto promove um aulão de redação gratuito voltado para estudantes da rede pública, mesmo aqueles que não participam do cursinho. O evento acontece no Teatro do Campus da USP Ribeirão Preto e inclui revisão dos principais temas cobrados no Enem e outros vestibulares.
 

As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas por formulário on-line, mediante taxa simbólica de R$ 13.

 

Mais informações sobre o projeto estão disponíveis no perfil oficial do Instagram.

 

*Com informações do Jornal USP Ribeirão Preto

 

 

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