Presidente reeleita
Sandra Brandani foi aclamada com apoio de mais de 130 diretores

Presidente reeleita

Sandra Brandani é reconduzida à presidência da Acirp

A empresária Sandra Brandani Picinato foi aclamada para um novo mandato à frente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), cargo que ocupará até 2029. Primeira mulher a presidir a entidade em 122 anos de história, ela inicia o segundo triênio após uma gestão marcada por mudanças internas, ampliação de serviços e maior aproximação com o empresariado local. A aclamação, com apoio de mais de 130 diretores, reforça a continuidade de uma agenda voltada à inovação, ao fortalecimento do associativismo e à renovação de lideranças. Na entrevista, Sandra avalia o primeiro mandato, aponta desafios e apresenta prioridades para os próximos anos, como modernização, renovação de lideranças e requalificação do Centro.

 

Ao assumir como a primeira mulher presidente em 120 anos de história da entidade, que expectativa a senhora tinha — e o que, na prática, se confirmou ou frustrou ao longo da gestão?

 

Na verdade, frustrações existem na vida toda. E a gente precisa saber lidar com elas, transformá-las em algo produtivo. No caso da Acirp, o fato de eu ser mulher, por mais simples que pareça nos nossos dias, trouxe muita mudança e eu acho que não esperava tanta. Porque esta é uma instituição centenária, onde a diretoria é predominante masculina e tem uma idade média de 75 anos. Além disso, eles tinham toda uma maneira de gestão, muito focada no presidencialismo, nas decisões de uma só pessoa e nessa figura de poder em torno do presidente da associação. E eu, Sandra, na verdade, como empresária, estou acostumada a uma gestão bem humanizada, com hierarquia, mas que conta com a participação de todos e traz as pessoas para perto. Minha função sempre foi liderar. E acho que consegui, neste primeiro mandato, cumprir essa minha visão. Eu busquei acolher e integrar minha diretoria executiva, meu conselho e todos os colaboradores da Associação Comercial nesse processo de decisão. 

 

A senhora frequentemente menciona o desafio de modernizar a entidade e dialogar com novas gerações. A Acirp hoje está mais preparada para o futuro do que há três anos?

 

Com certeza. A inovação é parte do DNA da Acirp, sem isso, ela não estaria aqui, ativa e representativa até hoje, são 122 anos, rumo a 123 anos, de muita resiliência. A nossa plataforma atual permite que o associado resolva praticamente tudo de forma digital, algo que se consolidou no pós-pandemia, quando o empresário percebeu o ganho de tempo na gestão. Investimos em um novo site e fortalecemos os canais digitais. Hoje é possível se inscrever em cursos, solicitar documentos, tirar dúvidas e até se associar sem precisar se deslocar. Também centralizamos as distritais em um único espaço, mantendo o atendimento regionalizado, mas com mais integração entre equipes e acesso direto aos serviços da sede, como jurídico e institucional. Outro avanço é a chegada do Escritório Regional da Jucesp à sede, o que deve facilitar ainda mais a rotina dos empresários. Criamos também o Conselho do Jovem Empresário (Conjovem), que atua na conexão de novas lideranças e aproxima esse público do associativismo.

 

Sua gestão também foi marcada pela defesa do protagonismo feminino. Na prática, houve avanços estruturais dentro da Acirp ou esse ainda é um processo em construção?

 

Na próxima gestão, teremos duas mulheres na diretoria executiva, uma no conselho fiscal e várias no deliberativo, que podem futuramente assumir cargos de liderança. Também teremos duas superintendentes nas distritais. A Acirp exige trajetória, e eu não quero ser a última mulher a presidir a entidade. Temos muitas empresárias qualificadas na região e queremos que elas ocupem esses espaços. Criamos ainda um Núcleo Multissetorial de Mulheres Empresárias pelo Programa Empreender, para mostrar que o associativismo pode impulsionar o crescimento de negócios em diferentes áreas.

 

A revitalização do Centro sempre foi uma bandeira da sua gestão. O que, de fato, mudou nesse período e o que ainda depende de avanço do poder público?

 

Fizemos um estudo detalhado com o IPCIC, que apontou as principais necessidades da região. A partir disso, ampliamos a arborização e criamos o ACI Fachadas, serviço gratuito que orienta empresários a melhorar seus estabelecimentos com mudanças simples. O projeto deu resultado e foi expandido para outras regiões. No poder público, ainda há entraves por conta de uma legislação engessada e da atuação de diferentes instâncias. Por isso, articulamos uma segunda etapa, agora prática, em parceria com a Assilcon, com um projeto piloto na Rua Barão do Amazonas. A ideia é iniciar uma transformação concreta, com melhorias que possam ser replicadas em outras áreas do Centro.

 

As obras na região central, especialmente na Avenida Nove de Julho, geraram forte impacto aos lojistas. A atuação da Acirp foi suficiente ou poderia ter sido mais incisiva?

 

Nós acompanhamos de perto todas as obras em corredores comerciais dos últimos anos e sempre cobramos do poder público ações e soluções para minimizar os impactos sobre o comércio e serviços. Ainda assim, especialmente no caso da Nove, a demora na entrega do processo de execução foi muito grande. Ano passado, a gente já fez uma ativação para o Dia das Mães para atrair os consumidores. Também temos apoiado movimentos como o do projeto Pé na Rua, que ocupa com feira e cultura a Nove de Julho, e retomamos a iluminação do Natal Luz na via. Então, tem vários eventos, somados à chegada do Sesc onde era a antiga Recra, que tem dado uma energia muito maior e positividade para Nove. É uma via que ainda tem prédios desocupados, o que também reflete o momento que nós vivemos no Brasil, mas acredito que, passando todo esse processo e o ano eleitoral, nós vamos ter bons frutos para 2027.

 

Seu mandato atravessou duas gestões municipais. Como a senhora avalia a atuação da Acirp no diálogo com o poder público — tanto no Executivo quanto no Legislativo — ao longo desse período?

 

Embora a ACIRP seja uma entidade apartidária, exerce relevante atuação institucional junto ao poder público. Ter uma boa relação com a administração municipal permite termos resultados reais. Nosso objetivo é resolver e estimular o crescimento da cidade, que beneficia o empresariado e também quem trabalha e vive na cidade. Nós passamos por duas gestões e, num balanço, posso dizer que a primeira, do Duarte Nogueira, foi bastante receptiva, porque a gente levava o problema para o executivo e legislativo, mas também encaminhava uma solução junto, o que nos fazia ser atendidos abertamente. E nesse governo atual, do Ricardo Silva, também temos tido uma boa relação. Fechamos parcerias, levando diversas questões, junto com uma proposta de resolução, aos responsáveis. Muita gente não sabe, mas a Acirp conta com uma estrutura interna de mais de 90 pessoas contratadas para ajudar o empresariado com serviços, formações e em diversas áreas, incluindo o campo de orientação jurídica e um trabalho institucional muito ativo. Acompanhamos as leis desde o nascimento delas na Câmara e isso faz com que detectemos problemas antes delas serem sancionadas - como ocorreu com a Lei das Adegas, que iria punir cerca de 1,4 mil estabelecimentos com restrição de horário para venda de bebidas e não iria resolver a situação pretendida. 

 

Após três anos à frente da Acirp, como recebeu a aclamação para o segundo mandato?

 

Eu me programei para dois mandatos. Considero que fizemos um primeiro triênio positivo, mas ainda há trabalho a ser feito. A diretoria entendeu que deveríamos dar continuidade, me dando a honra de seguir à frente da Acirp em uma nova fase. Reforço que não é uma conquista individual. Tudo passa pela diretoria executiva, pelos conselhos e por cerca de 120 pessoas que constroem o mandato e representam aproximadamente 5 mil empresários associados. A Acirp se sustenta na disciplina e na seriedade, o que garante credibilidade junto às autoridades, à imprensa, à população e aos empresários. É um trabalho voluntário, feito por pessoas comprometidas em devolver à sociedade aquilo que aprenderam em suas trajetórias.

 

Qual é o legado concreto que a sua gestão quer deixar para o empresariado de Ribeirão Preto?

 

No meu caso, penso que ser a primeira mulher na história da entidade, também a primeira mulher a presidir a entidade e a primeira liderança do comércio em 40 anos influenciam diretamente o que construo na Acirp.. Quero deixar uma associação mais inclusiva, com maior presença de jovens e capaz de fazer o empresário se sentir, de fato, em casa. A ideia é consolidar a sede como a Casa do Empresário. Entre as ações, destaco a ampliação do Natal Luz, que chega à 24ª edição, e a criação do Arraiá da Acirp, já na 3ª edição, que entrou no calendário da cidade e movimenta o comércio no Centro. Também reformulamos o Instituto de Economia Maurílio Biagi, ampliamos a equipe, criamos uma biblioteca com acervo do professor Vicente Golfeto e modernizamos espaços da entidade. Estamos investindo em áreas de convivência, como café e coworking, para que o empresário possa usar a Acirp no dia a dia. O objetivo é oferecer um espaço ativo, moderno e aberto, que acompanhe as demandas do empresariado local. 

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