Gerando valor
Banco ABC Brasil aposta em relacionamento, propósito, novas tecnologias e diversificação dos serviços para manter crescimento do agronegócio brasileiro
Executivos do Banco ABC Brasil, produtores, representantes da agroindústria e empresários se reuniram em Ribeirão Preto para algo maior que um encontro institucional. O evento anual promovido pelo banco já é uma tradição e marcou uma inflexão na forma como o setor financeiro enxerga o agronegócio, muito mais do que um conjunto de operações de crédito, um ecossistema de relações que precisam ser cultivadas com tempo, escuta e presença.
O encontro foi realizado no FBF Collezione, espaço que une estética contemporânea e funcionalidade. Com pé-direito alto, volumes de vidro e concreto aparente, o lugar abriga uma coleção de automóveis raros. A escolha do local reforçou o conceito central do evento de aproximar pessoas, promover trocas e construir relações duradouras, ideias que traduzem a própria identidade da instituição financeira.
A ocasião também foi simbólica por outro motivo. Foi uma das primeiras aparições públicas de Daniel Credidio como vice-presidente comercial do Segmento Middle e da Vertical Agro, estrutura criada para conectar dados, inteligência e relacionamento em um dos segmentos mais dinâmicos da economia brasileira. “É uma honra estar em Ribeirão Preto, cidade que me acolheu ainda muito jovem, onde formei minha família e construí boa parte da minha trajetória profissional. É também um polo estratégico do agronegócio e referência nacional em produtividade e inovação”, disse, diante de um público que conhece de perto a oscilação dos preços, as incertezas das safras e as mudanças tecnológicas que vêm redesenhando o campo. Para ele, a força da instituição não está apenas no crédito que oferece, mas na capacidade de compreender o ciclo de cada cliente.
O VALOR DO RELACIONAMENTO
Nos últimos anos, o Banco ABC Brasil tem passado por um processo de transformação estrutural. Fundado há mais de 35 anos com foco em crédito corporativo, tornou-se uma instituição de capital aberto e, mais recentemente, vem reposicionando sua estratégia de diversificação do portfólio aliada ao conceito de Return on Relationship (RoR).
Na visão do executivo, o RoR traduz a cultura corporativa do banco. “Significa colocar o relacionamento no centro do negócio. O valor de uma relação sólida vai muito além de uma operação de crédito”, explica. O modelo parte do princípio de que, quando um banco entende o momento e a realidade do cliente, os resultados se multiplicam para ambos os lados. No agro, onde os ciclos são longos e o risco climático é permanente, a confiança se converte em ativo econômico.
O banco tem 23% de seus ativos dedicados ao setor e investe de forma crescente na criação de soluções personalizadas. Em 2024, investiu em uma estrutura que reúne profissionais especializados em diferentes regiões e elos da cadeia produtiva. A meta é compreender o agronegócio como uma rede de interdependências que abrange do pequeno produtor ao grande grupo sucroalcooleiro, do etanol de milho à pecuária, das cooperativas à exportação.
Essa visão é reforçada por Rodrigo Cordeiro, vice-presidente de Produtos e Segmentos do banco. “Sempre acompanhamos as empresas durante todo o seu caminho. O que fizemos foi adicionar produtos e inteligência para atender o cliente de maneira mais completa”, afirma Cordeiro. Hoje, possuímos um portfólio completo de produtos que atende a necessidade dos clientes em todo o seu ciclo de vida, desde produtos do cotidiano como crédito, cash management, câmbio, derivativos e seguros até soluções mais estruturadas, incluindo Mercado de Capitais, Energia e Consultoria de M&A.
As ações evidenciam que o conceito de RoR não é apenas retórico. Ele se materializa em presença regional, agilidade e previsibilidade. “Essa proximidade gera resultado para os dois lados, seja para o cliente, em soluções mais adequadas e apoio nos diferentes ciclos do negócio; seja para o banco, em relações duradouras e crescimento sustentável”, resume Credidio.
ESPELHO DO AGRO
Ribeirão Preto é um dos pontos de origem dessa transformação. A região se tornou, ao longo de décadas, um dos centros de decisão do agronegócio brasileiro, referência em tecnologia, produtividade e inovação. É também onde o Banco ABC Brasil mantém uma de suas estruturas mais antigas e simbólicas. Para Credidio, a região encarna o que o banco pretende ser. “Ribeirão representa proximidade, relacionamento de longo prazo e presença onde o agro acontece”, diz.
Anselmo Ribeiro, superintendente de Agronegócios, conhece bem essa história. Foi ali que o banco começou sua atuação no setor, atendendo cooperativas e grupos ligados ao setor sucroenergético. “O agronegócio, assim como Ribeirão Preto, sempre teve importância estratégica. Começamos aqui, atendendo à agroindústria, e continuamos próximos até hoje”, recorda.
Para Ribeiro, o diferencial é ser uma instituição de atacado voltada a empresas e produtores que buscam soluções específicas para crescer. “A gente não trabalha com o varejo, não vende cartão nem cheque. O foco é financiar a atividade do cliente, ajudá-lo a vender melhor e fidelizar sua cadeia”, explica.
Esse posicionamento levou o banco a se tornar um dos principais repassadores de linhas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), focado no desenvolvimento de longo prazo; FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), focado na inovação e ciência; e FUNCAFÉ (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira), fundo setorial para a cadeia produtiva do café, além de desenvolver instrumentos de proteção de preços e câmbio, fundamentais para quem vive de commodities. “A gente também é um banco de capital de giro, tanto com recursos próprios quanto via mercado de capitais. Nosso papel é dar liquidez e previsibilidade para quem produz”, explica.
LÓGICA DO LONGO PRAZO
Os encontros acontecem em diferentes polos do país e têm se tornado plataformas de relacionamento direto com clientes e parceiros. A proposta é unir conteúdo, experiência e proximidade. Em Ribeirão Preto, os convidados puderam conferir uma apresentação do professor universitário, consultor e engenheiro agrônomo Marcos Fava Neves sobre as perspectivas do agronegócio brasileiro, entre desafios de margens comprimidas e oportunidades ligadas à inovação e à sustentabilidade.
Para Fava Neves, o cenário é de moderação, mas não de retração. “Os dados indicam uma desaceleração gradual da economia brasileira nos próximos anos, com o PIB geral avançando cerca de 2,3%, em 2025, e 1,7%, em 2026. No entanto, o agronegócio tende a manter desempenho superior, ainda que em ritmo mais contido. Estimamos crescimento de aproximadamente 7% neste ano e 2% em 2026, o que mostra a resiliência do setor mesmo diante de juros elevados e margens mais estreitas”, afirmou.
Uma Beer Experience, jantar harmonizado com cervejas, conduzida pela sommelière Bia Amorim, encerrou o encontro unindo o lado técnico e o humano do relacionamento.
Para Anselmo Ribeiro, essas iniciativas têm um propósito claro. “O banco sempre deu muito valor ao relacionamento. Hoje a gente une isso a uma experiência diferente, que tira o cliente da rotina de um evento comum e traz conteúdo relevante”, afirmou.
A estratégia se insere em um momento de reorganização do agro. Depois de um ciclo de preços altos, o setor enfrenta margens mais estreitas, custos de produção elevados e ajustes na demanda global. Mesmo assim, o executivo mantém otimismo cauteloso. “O agro é cíclico. Estamos há mais de 35 anos no setor e sabemos que há momentos de alta e de baixa. O importante é apoiar o cliente nos dois períodos”, diz Ribeiro.
A abordagem é sustentada por uma leitura apurada do risco. “Tem cliente bom em momento ruim e cliente ruim em momento bom. Saber distinguir e construir relações de longo prazo é o que faz diferença”, resume.
APRENDENDO A ESCUTAR
Daniel Credidio costuma repetir que o relacionamento é um ativo intangível que gera resultado real. Sua trajetória, construída em mais de 15 anos na instituição, reflete esse princípio. Ele iniciou no Segmento Middle, passou pelo Corporate e, nos últimos anos, ajudou a expandir a presença regional do banco. Sua chegada à vice-presidência comercial marca a consolidação de um ciclo de aprendizado. “Meu papel é garantir que o banco continue crescendo com proximidade, inteligência e sustentabilidade, valorizando as pessoas, os times, os clientes e os parceiros que fazem tudo isso acontecer”, afirma.
O estilo de liderança de Credidio contrasta com a imagem tradicional do executivo financeiro distante do cliente. Ele reconhece a importância das planilhas e relatórios como instrumentos fundamentais de gestão, mas não abre mão das conversas presenciais e das visitas a campo. “Acredito no poder do relacionamento genuíno e da escuta ativa, porque é isso que gera resultado, tanto dentro do banco quanto nas relações com o mercado”, declara.
Essa filosofia orienta a integração entre as frentes de Middle e Agro, que hoje compartilham a mesma lógica de estar próximos, oferecer soluções completas e construir valor com consistência.
Rodrigo Cordeiro destaca que a ampliação do portfólio e da estrutura tecnológica tem o mesmo objetivo. “O banco evoluiu de uma instituição de crédito para uma plataforma completa e fizemos isso a partir da escuta e entendimento das necessidades dos nossos clientes. Queremos estar presentes em todas as etapas do seu negócio”, diz.
O agronegócio vive um processo acelerado de transformação. Dados, tecnologia e inteligência artificial já moldam a tomada de decisão no campo. Isso significa repensar o papel do crédito. “Acreditamos muito na integração da cadeia, no uso de dados e no relacionamento próximo como pilares para gerar valor”, afirma Credidio.
Para isso, a aposta é focar em equipes regionais especializadas conectadas às realidades locais. A meta é crescer de forma sustentável, apoiando tanto o produtor quanto as agroindústrias. “Seguiremos investindo em pessoas, tecnologia e presença regional. Nosso compromisso é estar ao lado do produtor e das empresas do agro em todos os momentos”, reforça.
Esse olhar de longo prazo parece ser a resina da resiliência em meio à volatilidade da economia brasileira. O ABC Brasil é controlado por um grupo árabe com sede no Bahrein, mas toda a governança e as decisões estratégicas são tomadas no Brasil. “A governança é local. Temos autonomia para decidir e adaptar as estratégias às necessidades do mercado brasileiro”, explica Ribeiro.
A sustentação financeira, aliada à independência operacional, dá ao banco flexibilidade para agir com rapidez e consistência. Em um país onde as taxas de juros variam entre extremos e a volatilidade cambial é regra, essa estrutura tem sido um diferencial competitivo.
Equilibrar a racionalidade dos indicadores com a sensibilidade das relações sempre foi um desafio. O próprio conceito de Return on Relationship nasce dessa convergência entre o cálculo e a confiança. “O nosso papel é ser financiador e parceiro estratégico nesta jornada”, arremata Credidio.