Quinze anos de confiança, inovação e desenvolvimento
Com uma das mais modernas fábricas de defensivos do mundo e um portfólio robusto, a Ourofino Agrociência celebra uma trajetória de crescimento sustentável e fortalecimento estratégico no agronegócio
Quinze anos de atividades é uma data muito especial e digna de celebração para qualquer empresa brasileira, hoje em dia. Mas chegar a este momento com credibilidade desde o início, tendo crescido acima de dois dígitos anualmente, com sustentabilidade, portfólio completo para as principais culturas e conquistando parceiros internacionais que garantem a vanguarda da inovação em seu segmento – dominado, aliás, por empresas multinacionais – é para raras. Este é o caso da Ourofino Agrociência, indústria de formulação de defensivos agrícolas, que comemora o aniversário de seu primeiro faturamento em 19 de agosto próximo.
Faturamento crescente, que chegou após sua montagem do zero, em um projeto conduzido pelos sócios-proprietários Norival Bonamichi e Jardel Massari, que já tinham longa experiência com a Ourofino Saúde Animal. A nova empresa exigiu uma visão estratégica de futuro e das tendências do setor, além de altos investimentos durante sua estruturação. Com toda a expertise, levou-se aproximadamente quatro anos para viabilizar o início da operação — período bastante desafiador, pois o setor de defensivos agrícolas é altamente regulado no Brasil e depende da aprovação de registro dos produtos que serão comercializados por órgãos como MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).
A fábrica – uma das mais modernas do mundo no segmento de defensivos – foi construída em Uberaba (MG) e os primeiros registros precisavam ficar prontos ao mesmo tempo. No momento em que a fábrica ficou pronta, porém, havia a aprovação de apenas um produto, que foi produzido e resultou no primeiro faturamento, realizado em 19 de agosto de 2010. Com o passar dos meses e anos, os demais produtos foram sendo aprovados, e a fábrica passou a operar de forma mais intensa. “Imagine uma indústria pronta, um time de vendas formado, todas as despesas mensais sendo quitadas, mas sem poder entrar um centavo de receita por conta dos prazos junto aos órgãos reguladores”, lembra Marcelo Damus Abdo, hoje CEO – à época diretor financeiro, contratado em maio de 2010 com a missão de contribuir com a criação de toda estrutura administrativa e financeira da nova empresa. “O risco da operação não dar certo estava ali. Não fosse uma empresa com estrutura econômico-financeira robusta, possivelmente não teria seguido em frente”, comenta o executivo.
Três anos antes de Marcelo chegar, foi Thais Balbao Clemente Bueno de Oliveira, hoje diretora de Assuntos Regulatórios, quem começou a elaborar o portfólio de produtos e conduzir os estudos necessários para submissão dos registros, depois de contratada por Norival Bonamichi em pessoa, em 2007.
Ela conta que o início foi desafiador e ao mesmo tempo de aprendizado e oportunidades, principalmente porque, aos 24 anos e praticamente recém-formada em Engenharia Agronômica pela Unesp de Jaboticabal, teve que enfrentar, além das questões regulatórias, a montagem dos times de Pesquisa e Desenvolvimento e Regulatório, além da missão de ocupar espaço representando uma empresa nova, em um mercado dominado por multinacionais.
“O primeiro ano de atividades teve contornos e desafios, mas o principalera conquistar a confiança e a credibilidade da empresa”, recorda Alessandro Henrique Flamini, que contratado por Marcelo como gerente de crédito, em 2010, viria a substituí-lo na diretoria financeira anos depois. “A empresa estava começando em um mercado que tem suas nuances e seus fatores de risco”, explica o atual vice-presidente, referindo-se ao fato de a indústria precisar “financiar” os produtores vendendo a crédito para receber após a safra, o que requer empréstimos sazonais junto às instituições financeiras. “O crédito funciona de forma muito diferente no segmento de defensivos, então o primeiro ano foi de muito trabalho para ganho de confiança e conquista de credibilidade”, continua Flamini.
Embora todas as dificuldades citadas sejam comuns a novas empresas, chamou a atenção, em nível mundial, a agilidade e alta taxa de sucesso comque a Ourofino as superou, conseguindo ainda crescer. Na visão de colaboradores, algumas características específicas de sua operação fizeram toda a diferença.
DIFERENCIAIS
A agilidade na tomada de decisões é o primeiro diferencial apontado entre os fatores a contribuírem para os ótimos resultados da Ourofino Agrociência até aqui. “Nossa barreira entre financeiro, comercial e marketing é meio andar e não de um país para o outro. E não tem cinco departamentos no meio. A gente tem muita praticidade e versatilidade para discutir soluções. É tudo muito rápido, tanto para avaliar como para tomar decisões e corrigir as que precisamos”, comenta Flamini. Esse dinamismo é o que permite desenvolver soluções alinhadas às reais necessidades do produtor, com especialidades que entregam performance em diferentes culturas e realidades de campo.
“Para mim, é a grande fórmula de sucesso da Ourofino”, reforça Leonardo Campos Araújo, atualmente diretor de PDI (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação). “Nós colocamos o agrônomo, técnico de campo, e o químico para conversarem na mesma mesa para entender qual a melhor forma de trazermos uma solução para nosso cliente. Nenhuma empresa faz isso. Geralmente o químico fica no laboratório e o agrônomo em outra parte do mundo. E este é um pilar que faz toda a diferença”, acrescenta.
O portfólio da Ourofino Agrociência é outro reflexo claro da estratégia de negócio da companhia. Ao longo dos anos, a empresa expandiu sua atuação para além das commodities, apostando em produtos reimaginados e especialidades, com formulações adaptadas às necessidades do produtor brasileiro.
“Nosso foco é oferecer soluções completas, que combinem inovação, eficácia e segurança — é isso que nos diferencia no campo”, afirma Flamini. Atualmente, a empresa conta com soluções voltadas para todas as grandes culturas brasileiras e segue investindo fortemente em pesquisa e desenvolvimento para ampliar ainda mais essa oferta.
Outro diferencial é a herança de credibilidade construída pela Ourofino Saúde Animal, consolidada na Ourofino Agrociência. “Eles [os bancos] acreditaram na nossa aposta porque tinham um histórico por trás. Pesa muito para eles a índole de fazer o que se promete, de não criar surpresas e ter sempre muita transparência. Isso são valores para nós. E se tiver alguma intempérie no meio do caminho, a gente procura os stakeholders e conversa. Isso vai criando uma relação de muita confiaça”, afirma Flamini.
Marcelo Abdo, que graças a seus 25 anos de trabalho no setor bancário sabia como os executivos “do outro lado do balcão” valorizam transparência, passou a comparecer – na trajetória como diretor financeiro, ainda hoje como CEO – a cada seis meses às instituições bancárias para informar sobre as operações. Quando era o caso, falava das soluções em curso para superar dificuldades que surgiam. Assim ocorreu, por exemplo, durante a pandemia de coronavírus e nos anos 2023 e 2024, particularmente difíceis para a operação por uma série de questões relativas a clima, câmbio, preço de commodities, rentabilidade, estoques, entre outras. “Sempre que tem um ano difícil, junto com ele vem algumas oportunidades e a Ourofino está sempre atenta a isso. Nesses, conseguimos uma maior receita porque lançamos produtos diferenciados”, declara.
Também fez diferença no crescimento rápido da Ourofino Agrociência o pendor para a inovação incentivado por seus fundadores, tendo Norival Bonamichi acompanhando de perto as operações ligadas à pesquisa, e Jardel com foco em governança. “Inovação está no DNA do Norival. Aliás, nos seis anos em que estou na Ourofino, tudo o que pedi de recursos, tive. Claro que mostrando projeto, mas como os de inovação, no início, não têm viabilidde econômica, é assumir riscos mesmo. Nós embarcamos em pesquisa, inovação e disrupção”, orgulha-se Araújo.
PRODUTOS REIMAGINADOS
Na esteira de tais acontecimentos, a Ourofino criou, em 2017, o propósito “reimaginar a agricultura brasileira”. Consistiu em criar, para produtos desenvolvidos no hemisfério norte – que tem tipos de clima e solo diferentes dos do Brasil –, formulações que consideram características de nossas regiões tropicais. “Lá não chove como aqui, não faz sol como aqui, tem neve que mata as pragas e só dá para fazer uma safra. No Brasil temos regiões em que se faz três safras ao ano. Então, adicionamos “protetor solar” na formulação, por exemplo, para que a planta não queime com o sol; e fixador para que, se aplicado ao chover, não seja lavado”, exemplifica Marcelo.
Foi assim que, das commodities, a Ourofino Agrociência passou a produzir produtos inovadores a partir de moléculas que perderam patente. “Só a Ourofino as comercializa hoje”, orgulha-se Marcelo, que avisa haver mais inovações chegando por aí.
Essa é, na prática, a expressão mais clara do posicionamento da companhia em especialidades: adaptar soluções, inovar a partir das reais necessidades do campo brasileiro e entregar mais resultado por meio de tecnologias ajustadas ao clima, solo e manejo das principais culturas do país. Reimaginar a agricultura, para a Ourofino, é transformar conhecimento técnico em performance validada, com soluções que fazem sentido para quem está no dia a dia da produção.
OLHAR GLOBAL
O zelo pela qualidade é um traço com que Marcelo Abdo também fez questão de “contagiar” as equipes da Ourofino Agrociência desde o início. “O que eu falava para o time que eu trouxe, quando montamos a operação, era: ‘estamos no começo de uma indústria. Vamos errar em muita coisa, até por aprendizado, mas não podemos errar nuncana qualidade, porque prejudicaríamos a reputação construída pela Ourofino Saúde Animal. Hoje, estamos há 15 anos no mercado e nunca tivemos reclamação de qualidade de produto”, declara.
Essa visão motivou, por exemplo, o investimento em um escritório da empresa na China, onde passou a buscar fornecedores de alta qualidade para os princípios ativos de seus produtos, a partir de 2012. “Sempre íamos para lá em visitas de um mês. Fechávamos os acordos, voltávamos para o Brasil e ficávamos esperando os fornecedores mandarem a mercadoria para a gente. Muitas vezes aconteceu dela não chegar de acordo com o que compramos”, conta Marcelo. E como devolvê-la para readequação implicava a perda doprazo-safra (época favorável ao plantio e colheita de determinada cultura agrícola), em torno do qual gira a atividade, ele viu a necessidade de “ter alguém lá”. Foi montado, então, um escritório, com um time de químicos e engenheiros, para garantir o controle de qualidade da matéria-prima encomendada, prospecção de fornecedores e acompanhamento dos embarques das moléculas para o Brasil, além de dar todo o suporte necessário para registrar os produtos aqui no país. “Hoje temos dez profissionais trabalhando lá, o que nos dá a segurança necessária para conduzir nossos negócios aqui com qualidade e confiança”, afirma o CEO.
Essa estrutura integrada, com presença estratégica nos principais polos de fornecimento, também permite à Ourofino Agrociência maior autonomia e visão de longo prazo para o desenvolvimento de soluções exclusivas. “O acesso direto à origem dos ativos nos posiciona como uma empresa de especialidades, com portfólio que vai além do convencional. Isso nos garante mais controle e diferencial no que entregamos ao campo”, explica Marcelo.
Tal zelo, combinado a resultados expressivos atingidos em pouco tempo, com um portfólio de produtos diferenciados em construção, chamou a atenção de investidores estrangeiros interessados em fazer parte da Ourofino Agrociência. “Defendi que precisávamos entender como podíamos trazê-los para junto da gente, de forma a ganharmos velocidade nos próximos passos que nos interessavam. Assim chegamos à parceria com a Mitsui – grande conglomerado japonês que investe em mais de 500 empresas no mundo, de todos os segmentos – e a ISK, desenvolvedora de moléculas”, descreve Marcelo.
Para chegarem a um formato de parceria vantajoso para ambas as partes, foram necessários dois anos e quatro meses de negociações, durante os quais representantes japoneses entraram na companhia para conhecer a operação, e fizeram simplesmente 5 mil questionamentos, todos respondidos a contento. Quando o contrato foi assinado, em março de 2019, elogiaram: “já investimos em muitas empresas no mundo e é difícil vermos uma com a governança que a Ourofino tem”.
Essa governança, aliada à consistência dos resultados, tem sustentado um modelo de negócios sólido, com visão estratégica, capacidade de investimento e tomada de decisão ágil. A parceria com a Mitsui não apenas ampliou aspossibilidades de inovação, mas também consolidou a Ourofino como um hub para novas soluções, desenvolvendo produtos testados em sete grandes culturas estratégicas – soja, milho, algodão, cana, café, citros e trigo, que representam mais de 95% do mercado brasileiro –, em suas cinco estações experimentais próprias e em mais de 30 parceiras espalhadas pelo Brasil.
Com essa configuração, a Ourofino Agrociência dá um passo além na sua trajetória: soma ao portfólio de produtos reimaginados, especialidades com soluções patenteadas. Um avanço que reforça o posicionamento da companhia em inovação no agronegócio brasileiro.
GRANDE LUGAR PARA TRABALHAR
O que a diretora Thais Clemente destaca entre as qualidades da Ourofino Agrociência tem muito a ver com a facilidade com que todos os colaboradores acabam engajados por sua cultura de agilidade, transparência e inovação e tudo a ver com sua classificação, desde 2022, entre as melhores indústrias para se trabalhar, no ranking GPTW (Great Place to Work).
De acordo com ela, há mais de 19 anos na Ourofino Agrociência – mais tempo que a empresa de atividade, a companhia promove um ambiente onde estimula os colaboradores a buscarem cada vez mais conhecimento e formação. Ela mesma conta ter chegado apenas recém-graduada dos Estados Unidos e formada pela UNESP e que, ao longo de sua jornada na empresa, teve oportunidade de fazer mestrado em Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal pela Unesp de Botucatu, especialização em Gestão Estratégica de Inovação e Executivo MBA pela Fundação Dom Cabral e cursos fora do país como na Wharton University. “Sempre pude contar com o apoio da empresa e principalmente do Norival para buscar conhecimento e trazer ideias para dentro da empresa e dos times. Com a confiança dos fundadores e do CEO, Marcelo Abdo, tive a liberdade para construir os times e formar pessoas, transmitindo às equipes esta mesma vontade de estar sempre aprendendo e buscando mais. No começo, foi muito desafiador encontrar profissionais experientes que queriam vir para o interior. Na época tínhamos pessoas no time de várias regiões do Brasil, como do Paraná, São Paulo e Ceará”, conta Thais, que atualmente se prepara para uma nova jornada de aprendizado, na Universidade Stanford, na California/EUA.
Todos esses fatores fizeram com que a diretora sentisse a confiança necessária para exercer sua ousadia natural e se desenvolvesse rapidamente. “Em poucas empresas temos a oportunidade de criar processos, equipes, modelos de atuação, enfim, a Ourofino promove um ambiente onde seus colaboradores, podem criar e compartilhar suas ideias nos dando liberdade para fazer diferente”, conclui.
PARCERIA
A sinergia entre a Ourofino Agrociência e a japonesa Mitsui está mais estreita ao longo dos anos. Ao final de 2024, chegou à empresa o executivo Toshihiko Kawai, 33 anos. Natural de Hiroshima, no Japão, Kawai é representante da Mitsui & Co e atual diretor de planejamento na Ourofino Agro.
Formado em Administração de Empresas pela Universidade Hitotsubashi, ele entrou na multinacional japonesa em 2014, onde atuou por seis anos no departamento financeiro, trabalhando principalmente como trader de câmbio. Em 2019, foi enviado ao Brasil como trainee de idiomas, passando um ano em Porto Alegre e outro no Rio de Janeiro. “A Mitsui tem, desde sua fundação, o costume de enviar seus profissionais a diversos países para que aprendam os idiomas, culturas e práticas comerciais locais. Acreditamos que, tendo raízes em cada país onde atuamos, conseguimos capturar o máximo possível das oportunidades e adaptar nossas operações à realidade de cada mercado”, explica Kawai.
De volta a Tóquio em 2021, ele passou a atuar no setor de defensivos agrícolas, o que levou a seu envolvimento na parceria com a Ourofino Agrociência e a sua transferência para a empresa. “Minha principal missão é fortalecer a parceria estratégica entre a Mitsui e Ourofino Agrociência, promovendo o alinhamento de interesses entre as duas empresas, impulsionando projetos conjuntos e gerando sinergias. Um dos principais pontos de expectativa da Ourofino Agrociência é o acesso a novas moléculas patenteado da Ásia, e tenho trabalhado para viabilizar isso aproveitando a rede global da Mitsui para identificar oportunidades e tecnologias inovadoras ao redor do mundo”, conta o executivo, que, além de apoiar os projetos em andamento, também se dedica à construção de uma visão de longo prazo e à busca por novas oportunidades de colaboração.
Ele avalia a parceria que o trouxe de volta ao Brasil como “extremamente positiva”. “Construímos uma relação baseada em confiança mútua, transparência e objetivos compartilhados. Essa base sólida tem nos permitido avançar em projetos importantes, como a introdução de novos ingredientes ativos e a ampliação do portfólio de produtos”, conclui.
Lucas Nunes