Quem somos e para aonde vamos
Eleitores devem ficar atentos às novas regras sobre inteligência artificial e não esquecer as antigas: conferir os documentos, saber onde votar e, se necessário, justificar a ausência
Onde votar, quais documentos levar e como registrar a escolha na urna. Para as eleições de 4 de outubro, a Revide preparou um guia para os 471 mil eleitores de Ribeirão Preto. Nas próximas páginas, você confere dados sobre o perfil demográfico do eleitorado e os locais de votação, conhece os candidatos da cidade a deputado federal e estadual e encontra orientações para o dia do pleito, como horários, justificativa de ausência e regras para o uso de celular na seção eleitoral. O guia também reúne informações sobre acessibilidade e as normas para conteúdos eleitorais produzidos com inteligência artificial.
ORDEM DA VOTAÇÃO
Cada cargo é identificado por uma sequência numérica: para votar em deputado federal, é necessário teclar 4 dígitos na urna eletrônica. Para deputado estadual, são 5 números. Para senadores, 3 dígitos. Já para governador e presidente da República, são 2 dígitos. A ordem de votação na urna eletrônica será:
- Deputado federal (quatro dígitos)
- Deputado estadual ou distrital (cinco dígitos)
- Primeiro senador (três dígitos)
- Segundo senador (três dígitos)
- Governador (dois dígitos)
- Presidente da República (dois dígitos)
A Justiça Eleitoral recomenda que os eleitores anotem os números dos seis candidatos em um papel antes de irem aos locais de votação. A medida ajuda a evitar erros e também contribui para reduzir filas. A colinha em papel é importante porque não será permitido entrar com o celular na cabine de votação. A restrição proíbe também o uso de câmeras fotográficas, filmadoras ou qualquer outro equipamento eletrônico, mesmo que desligados. Os aparelhos deverão ser deixados perto dos mesários. A medida tem a finalidade de proteger o sigilo do voto.
HORÁRIO DE VOTAÇÃO
A votação será realizada das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todo o país. Nos locais com fuso horário diferente, o início e o encerramento ocorrerão em horários locais distintos. A votação será encerrada às 17h, no horário de Brasília, mas quem ainda estiver na fila poderá votar.
LOCAL DE VOTAÇÃO E TÍTULO
O eleitor pode consultar o local de votação pelo Autoatendimento Eleitoral, no portal do TSE, ou pelo aplicativo e-Título. No site, acesse “Consultas” e selecione “Onde votar”. A busca pode ser feita com CPF ou número do título, data de nascimento e nome da mãe. No e-Título, o endereço da seção aparece na tela inicial, após a atualização dos dados cadastrais. Se não souber o número do título, é possível consultá-lo no Autoatendimento Eleitoral, na opção “Número do título”.
IDENTIFICAÇÃO
O eleitor poderá se identificar na seção eleitoral com documento oficial com foto, físico ou digital. Entre os documentos aceitos estão: carteira de identidade, Carteira de Identidade Nacional (CIN), identidade social, passaporte, Carteira Nacional de Habilitação (CNH), carteira de trabalho física, carteira profissional emitida por conselho de classe. Os documentos oficiais com foto podem ser utilizados mesmo que estejam vencidos, desde que permitam a identificação do eleitor.
TÍTULO E DOCUMENTO DIGITAL
Além da versão impressa, o eleitor pode acessar o título pelo aplicativo e-Título, disponível gratuitamente para celulares. O aplicativo permite consultar os dados eleitorais e o local de votação. Recomenda-se instalá-lo e fazer o primeiro acesso com antecedência. Quem apresentar documento digital no celular deverá guardar o aparelho no local indicado antes de votar. É proibido entrar na cabine com o celular, mesmo desligado, para preservar o sigilo do voto e impedir registros da escolha do eleitor. Quem se recusar a entregar o aparelho não poderá votar. A ocorrência será registrada em ata, e o presidente da mesa poderá acionar a polícia e comunicar o caso ao juiz eleitoral.
SITUAÇÕES ESPECIAIS
Em caso de dúvida sobre a identidade do eleitor, a mesa poderá fazer perguntas, conferir a assinatura e recorrer à biometria. Se a dúvida persistir, a decisão caberá à Justiça Eleitoral. Pessoas analfabetas poderão usar instrumentos de auxílio ao voto, desde que o sigilo seja preservado. Eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida poderão entrar na cabine com alguém de sua escolha para receber ajuda, inclusive na digitação dos números. Pessoas com deficiência visual terão acesso a recursos como áudio com fone descartável, orientação sobre a tecla 5, material em Braille, instrumento mecânico de apoio e ingresso com cão-guia.
JUSTIFICATIVA DE AUSÊNCIA
Quem tem voto obrigatório e deixar de votar deverá justificar a falta em cada turno. A ausência no primeiro não impede a participação no segundo.
Quem estiver fora de seu domicílio eleitoral poderá apresentar a justificativa no próprio dia da eleição pelo aplicativo e-Título. Após a votação, o pedido poderá ser encaminhado pelos canais da Justiça Eleitoral. Para usar o app no dia da votação, é necessário instalá-lo e realizar o cadastro antes de sair de casa. A solicitação deve ser feita com a geolocalização do celular ativada, no menu “Mais opções”, em “Justificativa de ausência”. Se o eleitor não justificar no dia, poderá encaminhar o pedido pelo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral, no portal do TSE, ou presencialmente em um cartório eleitoral, respeitando os prazos: 3 de dezembro de 2026, para quem faltou ao primeiro turno, e 8 de janeiro de 2027, para o segundo turno, caso ocorra. A justificativa precisa ser apresentada separadamente para cada turno em que o eleitor não comparecer.
USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, em 2 de março de 2026, novas regras para o uso de inteligência artificial nas eleições, por meio da Resolução nº 23.755, que altera as normas de propaganda eleitoral. As medidas incluem a identificação obrigatória de conteúdos sintéticos, restrições à publicação de materiais manipulados perto da votação e limites à atuação de ferramentas de IA na recomendação de candidaturas.
Para o professor e doutor em Direito Luiz Eugênio Scarpino Júnior, um dos principais desafios será fiscalizar o uso de deepfakes (manipulações feitas por inteligência artificial para imitar pessoas reais) e garantir o cumprimento das normas. “O grande desafio nessas eleições vem sendo lidar com as deepfakes”, afirma. Ele aponta “uma incompreensão e uma resistência de candidatos e candidaturas” em cumprir os requisitos de transparência e as limitações para o uso de imagens, vídeos e vozes sintéticas.
Scarpino também questiona a capacidade de resposta da Justiça Eleitoral diante desse tipo de material. “A Justiça Eleitoral claramente não tem ferramentas para tomar atitudes imediatas, para coibir o uso de deepfakes ou imagens geradas com o uso da inteligência artificial”, diz. Segundo ele, embora o uso seja vedado ou restrito, a limitação da circulação dependerá também do trabalho dos próprios candidatos e partidos. O professor ressalta que a regra ainda não foi testada e que sua aplicação prática é uma incógnita. Em casos de disseminação em massa de conteúdos sintéticos para desacreditar o processo democrático ou afetar gravemente a igualdade de condições entre candidaturas, porém, ele afirma que podem ocorrer consequências como perda do registro, cassação do diploma e inelegibilidade.
Uma das medidas aprovadas pelo TSE determina que toda propaganda eleitoral que utilize conteúdo sintético multimídia informe, de maneira explícita, destacada e acessível, que o material foi fabricado ou manipulado e qual tecnologia foi empregada. A exigência vale para textos, áudios, vídeos e imagens. Outra regra proíbe a publicação e a republicação, mesmo gratuitas, e o impulsionamento pago de novos conteúdos sintéticos que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas nas 72 horas anteriores ao pleito e nas 24 horas seguintes ao encerramento da votação, mesmo que os materiais estejam identificados. A resolução prevê a remoção imediata de conteúdos irregulares, sem prejuízo de outras sanções.
A resolução também proíbe que sistemas de inteligência artificial recomendem, ranqueiem ou favoreçam candidaturas, partidos e campanhas, inclusive por meio de respostas automatizadas. Scarpino aponta a popularização dos modelos de linguagem como outro desafio, diante do uso dessas ferramentas para sugerir candidatos e associá-los às preferências dos eleitores. “Eles vêm sendo cada vez mais adotados para recomendar candidatos, para fazer vinculações”, afirma. Segundo o professor, essa prática é vedada pela Justiça Eleitoral, mas ainda ocorre com frequência, enquanto empresas de tecnologia enfrentam dificuldades para cumprir a regra. Ele menciona ainda uma plataforma que pretende fazer um “match” entre a vontade do eleitor e possíveis candidatos, iniciativa que considera problemática diante das normas eleitorais.
Em paralelo às regras, uma cartilha de boas práticas sobre inteligência artificial e eleições, elaborada pelo TSE e pela Advocacia-Geral da União (AGU), reúne orientações para reduzir a circulação de desinformação. O material recomenda conferir a fonte, a data e o contexto de uma informação antes de compartilhá-la, além de recorrer a canais oficiais e fontes confiáveis. Também orienta a não repassar conteúdos duvidosos ou não verificados e a denunciar materiais ilícitos às plataformas e às autoridades competentes. A cartilha destaca ainda a importância de conhecer táticas de manipulação digital e de não automatizar decisões importantes sem supervisão humana.
PERFIL DEMOGRÁFICO
Ribeirão Preto tem 471.128 eleitores aptos a votar. Desse total, 401.279 estão sujeitos ao voto obrigatório e 69.849 têm voto facultativo. No Brasil, a obrigatoriedade não se aplica a pessoas analfabetas, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos.
A cidade é dividida em quatro zonas eleitorais. A maior é a 305, com 129.811 eleitores, que abrange regiões das zonas Leste e Sul, incluindo Jardim Castelo Branco, Parque dos Servidores, Irajá, Ribeirânia, Jardim Paulista e Bonfim Paulista. A zona 265 reúne 123.555 eleitores, enquanto a 266 tem 110.269. A menor é a 108, com 107.493 eleitores, distribuídos principalmente pela região Central, Vila Virgínia e áreas do extremo Sul, como Parque Ribeirão e Jardim Marchesi.
Entre os eleitores com mais de 18 anos, o eleitorado é formado por 230.354 mulheres, que representam 53,5% do total, e 199.442 homens, equivalentes a 46,3%. Outras 288 pessoas não informaram o gênero.
O Centro Universitário Barão de Mauá é atualmente o maior local de votação da cidade, com 7.908 eleitores, superando o Colégio Marista, que por muitos anos ocupou essa posição e agora aparece em segundo lugar, com 7.823 votantes.
O Marista, porém, concentra o maior número de eleitores com 70 anos ou mais: são 2.002 pessoas, cerca de 25% de seu eleitorado. Em 2014, eram 1.578 nessa faixa etária. O segundo local com maior população 70+ é a Escola Estadual Dom Alberto José Gonçalves, com 1.756 eleitores, que representam 24% do total. No Barão de Mauá, essa faixa corresponde a cerca de 10% dos votantes.
Os dados indicam diferenças no perfil etário dos locais de votação. A concentração de eleitores mais velhos em alguns colégios e a distribuição desigual entre os pontos de votação podem refletir mudanças demográficas e na ocupação urbana, com crescimento de áreas ao Sul e redução de moradores no Centro.
Entre os mais jovens, 1.967 adolescentes de 16 e 17 anos já têm título de eleitor em Ribeirão Preto. Ao todo, a cidade registra 18.350 eleitores com até 20 anos, cerca de 4% do eleitorado.
CANDIDATOS A DEPUTADO FEDERAL
*Candidatos com domicílio eleitoral em Ribeirão Preto
- Baleia Rossi (MDB) 1515
- Duarte Nogueira (PSD) 5545
- Hagara do Pão de Queijo (AVANTE) 7000
- Joyce Paulino (UNIÃO BRASIL) 4414
- Leopoldo Daré (NOVO) 3065
- Marco Aurélio (NOVO) 3033
- Matheus Coelho (PSB) 4095
- Matheus Morais (UP) 8001
CANDIDATOS A DEPUTADO ESTADUAL
*Candidatos com domicílio eleitoral em Ribeirão Preto
- Alessandro Hirata (PSDB) 45155
- André Rodini (NOVO) 30888
- André Trindade (UNIÃO BRASIL) 44016
- Celina Ramalho (NOVO) 30501
- Clicinha Victori (AVANTE) 70800
- Coronel Nicotari (PODEMOS) 20009
- Dázio Vasconcelos (PSD) 55355
- Delegado Diógenes (PODEMOS) 20003
- Duda Hidalgo (PT) 13180
- Girlei Marconi (UNIÃO BRASIL) 44422
- Glaucia Berenice (REPUBLICANOS) 10012
- Igor Sanches (NOVO) 30326
- Isaac Antunes (PL) 22122
- Karen Gregoris (MISSÃO) 14016
- Léo Oliveira (MDB) 15123
- Luiz dos Condomínios (NOVO) 30088
- Marcos Papa (PSB) 40016
- Perla Müller (PT) 13026
- Rafael Silva Jr. (PSD) 55055
Foto: Joédson Alves - Agência Brasil