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Portal Revide conferiu de perto a rotina de quem vive em assentamentos

A agroecologia no Assentamento Mario Lago, na região de Ribeirão Preto

Fazenda sustentável é uma das bandeiras que o MST carrega

O Assentamento da Fazenda da Barra, no Mario lago, está no extremo Leste de Ribeirão Preto, na região do Ribeirão Verde. Lá vivem cerca de 260 famílias, que ocupam a fazenda desde 2002 e conseguiram as terras por meio da reforma agrária em 2007. É um dos maiores assentamentos do Brasil. Anexo à fazenda, fica o Acampamento Paulo Botelho, com cerca de 100 famílias aguardando a liberação de novas terras. Além do Paulo Botelho e Mario Lago, existem mais cinco acampamentos e quatro assentamentos na região de Ribeirão Preto.

O acampamento Paulo Botelho é um sítio que funciona como área de recuo para os militantes. O acampamento foi conquistado em abril de 2015, quando o MST ocupou a fazenda Galo Bravo, mas teve que sair por causa da reintegração de posse. "É um lugar para as famílias ficarem enquanto as terras não saem", diz Tassi Barreto, representante do MST em Ribeirão Preto. Há pessoas que vivem no acampamento e outras que moram na cidade. Essas que moram na cidade são chamadas de "Andorinhas".

O Paulo Botelho é dividido em núcleos e setores. A cada 10 a 15 famílias acampadas se cria um novo núcleo, que são divisões territoriais para facilitar a organização da comunidade. "São famílias que moram próximas e se reúnem para debater seus assuntos internas", comenta Tassi. Tarefas como limpeza geral do local, organização de eventos, segurança e cuidados com a plantação são divididas entre todos os acampados a partir dos setores. Alguns dos setores são finanças, segurança, saúde, infraestrutura e produção.

Dauany Marques é uma acampada que faz parte do setor da produção. "Existe umaDauany Marques é uma acampada área de agroflorestamento que foi cedida a nós", ela diz. As pessoas que fazem parte desse setor cuidam do plantio da área. "A princípio, tudo que está sendo vendido está voltando para o setor porque existem muitos gastos, mas a intenção é produzir em larga escala e dividir entre os acampados", conclui.

Fazenda sustentável também é uma das bandeiras do MST. A monocultura - plantio de um único produto agrícola-, segundo Dauany, degrada e é prejudicial para a terra. "Agrofloresta é um misto de floresta com horta. Cresce tudo junto e uma planta colabora com a outra", diz Dauany. "É a forma mais sustentável de agricultura hoje", comenta.

Nelson Correia vive no assentamento Mario LagoNelson Correia é um agrônomo que vive no Assentamento Mario Lago e o seu foco é implementação da agrofloresta no local. "Esse tipo de agricultura procura fortalecer os processos orgânicos da terra. Ao fazer isso, a fertilidade da terra aumenta", conclui. Nelson veio do Rio de Janeiro e faz parte da Cooperafloresta, uma organização que tem como objetivo fomentar e incentivar o agroflorestamento em assentamentos do MST.

Reforma agrária

Tassi Barreto explica que estão destinadas para a reforma agrária, de acordo com a lei, terras que não cumprem função social, seja produtividade, legislação ambiental ou trabalhista. "Nesse caso, já teríamos inúmeras fazenda destinadas à reforma agrária, mas a gente sabe como funcionam as leis no Brasil. O MST é um grupo social que começou a ocupar as terras para pressionar os governos para destinar as áreas à reforma agrária", conclui.

Por meio dos assentamentos, informa Tassi, o MST pega as terras que têm um único dono sem respeitar a legislação e divide entre muitas famílias. "Para que seja uma área de produção de alimentos saudáveis e sobrevivência das famílias", conclui.

Fotos: Hellen Ribeiro

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