Mata de Santa Tereza: 10 anos em recuperação

Mata de Santa Tereza: 10 anos em recuperação

Patrimônio verde de Ribeirão Preto, a Estação Ecológica está lentamente sendo restaurada, após incêndio em 2014

No próximo dia 31 de agosto Ribeirão Preto completa 10 anos de recuperação da Estação Ecológica de Ribeirão Preto (EERP), mais conhecida como Mata de Santa Tereza.

Estabelecida como área de preservação pelo Estado de São Paulo há 60 anos,  por representar uma amostra das condições originais da Mata Atlântica na região, a área teve mais da metade de seus 154 hectares atingidos pelo incêndio em 2014. Antes disso, a Estação Ecológica chegou a abrigar 300 espécies inventariadas de animais e plantas.

As causas do incêndio em 2014 seguem sem explicações, à época uma das hipóteses foi estar associado a um costume espiritual de acender vela na mata. Uma das medidas protetivas da área foi a restrição do acesso somente a pessoal autorizado.

 


Recuperação
O plano de recuperação da mata de Santa Tereza foi finalizado e aprovado pela Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) e pela Fundação Florestal três anos após o incêndio. Foi dividido em três eixos: o controle de trepadeiras e cipós, que degradam as árvores adultas; a extinção de espécies exóticas à região, como o capim colonião, que abafam o crescimento das mudas e o plantio de exemplares comuns à mata — uma floresta estacional semidecidual, bioma da Mata Atlântica —, como peroba, jequitibá, paineiras e jatobás.

Este trabalho, segundo Alessandra Pinezzi, gerente da unidade, vem sendo desenvolvido desde 2017 contando com o apoio da população. “A participação da sociedade civil, das empresas e de moradores do entorno, o envolvimento da comunidade nas ações de proteção da área como um todo, tem sido muito positivo”, relata.

 

Hoje, segundo Alessandra, o processo de restauração engloba 100% da Estação Ecológica, não apenas recuperando a área degradada, mas também fazendo o enriquecimento da área preservada.
 

Para proteger a unidade ecológica de novos incêndios foi criado um grupo de trabalho que organizou ações de fiscalização e monitoramento, prevenção e combate a incêndios. “A segurança é fundamental, por isso, temos câmeras de monitoramento, patrulha 24 horas e uma rede de comunicação fora da estação, apoiada por vizinhos e parceiros, que colabora para que todo o território seja monitorado”, explica a gerente.


Educação Ambiental

Para contribuir com a conscientização da importância da preservação da área, a unidade conta com um programa de Educação Ambiental, com visitação monitorada.

“Nosso programa conta com vários eixos de trabalho, entre eles, atividades eco pedagógicas, onde os professores podem levar seus alunos em uma visita à Estação Ecológica e realizamos atividades lúdicas, passeio em trilhas e visita à torre de observação, onde conseguem enxergar toda a área. Trabalhamos, ainda, com a formação de professores, para entenderem o que é a unidade e sua relevância para o município e levarem informação para a sala de aula. Também estamos buscando apoio para começar a trabalhar a inclusão social, oferecendo cursos profissionalizantes a jovens em situação de vulnerabilidade, para que encontrem oportunidades no mercado de trabalho”, ressalta Alessandra.

 

Corredores ecológicos

De olho no futuro, a equipe de profissionais da EERP protocolou junto à Prefeitura Municipal e  Cetesb um documento sugerindo a criação de “Corredores Ecológicos”, para que aqueles que trabalham com parcelamento do solo tomem ciência e direcionem as compensações ambientais de modo a não deixar a unidade de conservação isolada em meio à expansão urbana.

“Pensamos no corredor ecológico porque a expansão urbana vem acontecendo e logo a Mata de Santa Tereza poderá ser como o Morro de São Bento, uma área verde ilhada no meio da cidade. Temos aqui animais topo de cadeia, são várias espécies que circulam na área, mas se a cidade começar a crescer no entorno, esses animais vão desaparecer. Por isso, criamos essa proposta, interligando a bacia do rio Pardo com o rio Mogi, chegando até o rio da Onça, que é uma área mais conservada. Assim, mesmo que a expansão urbana chegue, poderemos preservar e manter toda essa riqueza”, conclui Alessandra.




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