Altas temperaturas exigem cuidados redobrados com cães e gatos
Clima quente e tempo seco afetam diretamente o bem-estar dos pets, que precisam de atenção especial para evitar desidratação e hipertermia
Viver no Brasil é conviver quase diariamente com temperaturas elevadas. Mesmo em regiões com clima mais ameno e estações bem definidas, o calor intenso é uma característica marcante do país tropical. Em Ribeirão Preto, além do calor já conhecido, longos períodos de estiagem agravam a situação, afetando não apenas a população, mas também os animais domésticos.
De acordo com a médica-veterinária Mildre Loraine Pinto, cães e gatos podem apresentar sinais de incômodo durante períodos mais quentes, como letargia, salivação excessiva, perda de apetite e respiração ofegante. “Essas características podem indicar calor excessivo e desidratação, podendo levar o animal à morte”, alerta.
A regulação térmica dos pets funciona de forma diferente da dos humanos. “Cães e gatos têm poucas glândulas sudoríparas e, por isso, não suam como nós. No caso dos cães, a regulação da temperatura ocorre principalmente por meio da respiração: ao ofegarem, eles evaporam a umidade da língua e das vias respiratórias, resfriando o corpo”, explica Mildre.
A veterinária lembra ainda que a pelagem dos cães atua como isolante térmico, ajudando a refletir a luz solar em climas quentes e oferecendo proteção no frio. No entanto, algumas raças — como Husky Siberiano, São Bernardo, Persa e Maine Coon —, por terem pelagem densa, tendem a sentir mais calor.
A médica veterinária Mildre Loraine Pinto aconselha que se evite banhos muito frequentes nos pets, pois podem retirar a oleosidade natural da pele | Foto: arquivo pessoal
Mudanças no comportamento
Os efeitos do clima também podem ser percebidos no comportamento dos animais. A corretora de imóveis Lucia Grano Leça percebeu diferenças nos hábitos de seus cinco cães ao deixar a área urbana e voltar a viver em uma chácara. “Na cidade, eles ficavam inquietos por causa do espaço pequeno. Aqui, quando estão com calor, cavam e deitam na terra ou embaixo das árvores. À noite, dormem sobre as folhas”, conta.
Entre os pets de Lucia, a cadela Lana sofre com o tempo seco e precisa de colírios por causa da irritação nos olhos. Já Tufão, outro dos cães, procura se refrescar cavando buracos na terra nos dias mais quentes.
A estudante de medicina veterinária Laís Cristini Teixeira Gonçalves também nota mudanças sutis no comportamento dos seus gatos em períodos de altas temperaturas. “Eles costumam deitar com o corpo mais esticado, procuram lugares frescos, bebem mais água e, às vezes, respiram mais rapidamente”, relata.
Lucia e sua cachorra Lana, que sofre com o tempo seco | Fotos: arquivo pessoal
Como aliviar o calor dos pets
Para amenizar os efeitos do calor e da seca, algumas medidas simples podem fazer a diferença no bem-estar dos animais. “Se possível, ligue o ar-condicionado para manter o ambiente em temperatura confortável. É importante também utilizar umidificadores para proteger as vias respiratórias dos pets. Banhos com água morna podem ajudar a refrescá-los, mas não devem ser frequentes, pois retiram a oleosidade natural da pele. O ideal é realizá-los apenas quando necessário ou com intervalos de, no mínimo, uma semana”, recomenda Mildre.
Tosar animais de pelagem longa e garantir o acesso constante a água limpa e fresca também são cuidados essenciais. Gatos, por exemplo, tendem a ingerir pouca água, e a hidratação adequada é fundamental.
Em ambientes mais arborizados, como a chácara de Lucia, os cães encontram alternativas naturais para se refrescar. “Molho bastante o espaço onde eles ficam e, nos dias mais quentes, dois deles preferem dormir no piso gelado em vez das caminhas. Sempre deixo o ar-condicionado entre 24 °C e 25 °C, sem direcionar o vento diretamente para eles. Mesmo assim, às vezes coloco roupinhas no mais velho, que não tem muita pelagem”, explica.
Laís adota estratégias semelhantes para seus gatos. “Procuro formas diferentes de aumentar a ingestão de água, como colocar gelo ou atum no pote e oferecer mais sachês. Também jogo água no quintal para que o piso fique mais fresco”, conta.
Romeu, que possui um problema renal crônico, é um dos gatos de Laís | Fotos: arquivo pessoal
Raças mais vulneráveis
Embora todos os pets possam sofrer com o calor e o tempo seco, algumas raças exigem atenção especial. Gatos Persas e cães como Bulldogs e Pugs, por exemplo, são mais suscetíveis a problemas térmicos. “Esses animais têm vias aéreas estreitas, o que dificulta a respiração e a perda de calor. O superaquecimento pode levar à hipertermia”, alerta Mildre.
Pets com doenças crônicas também merecem cuidados redobrados. O gato Romeu, de Laís, tem doença renal crônica e desidrata com facilidade. “Sempre busco aumentar a ingestão hídrica dele. É essencial ter atenção especial com animais que apresentam patologias, pois o calor e a seca podem agravar seus quadros clínicos”, finaliza.
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