Quanto custa, afinal, ter um pet?
Mais do que carinho, a decisão de ter um animal envolve planejamento financeiro, prevenção e compromisso de longo prazo
Eles ocupam o sofá, a cama e, principalmente, o coração, mas junto com o afeto, cães e gatos também exigem responsabilidade — inclusive financeira. Vacinas, vermifugação, controle de pulgas e carrapatos, consultas periódicas e alimentação de qualidade fazem parte do pacote básico para garantir saúde e bem-estar aos seus animais de estimação.
Segundo a veterinária Bianca Jacob Shimizu, os cuidados preventivos são indispensáveis em todas as fases da vida do animal. “Cães e gatos devem ser avaliados periodicamente na infância, fase adulta e velhice. Existem protocolos específicos para cada etapa e isso ajuda a prevenir muitas doenças”, explica.
Entre as principais medidas estão as vacinas consideradas essenciais pelo consenso veterinário internacional da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA), como a polivalente (canina ou felina) e a antirrábica. Embora existam recomendações técnicas consolidadas, o calendário pode variar conforme orientação profissional e realidade local. Os valores também oscilam de acordo com marca e procedência, girando, em média, entre R$ 80 e R$ 150 por dose.
A vermifugação deve ser individualizada, considerando o estilo de vida do animal — se passeia com frequência, convive com outros pets ou frequenta creches. Um vermífugo de qualidade custa, em média, R$ 20 o comprimido para cada 10 quilos de peso, e o protocolo pode variar de duas a quatro vezes ao ano, ou mais, conforme orientação veterinária.
Já a proteção contra pulgas e carrapatos precisa ser contínua. Coleiras, comprimidos ou produtos tópicos apresentam variações importantes de preço, conforme marca, clínica e porte do animal. Para um cão de aproximadamente 10 quilos, por exemplo, a coleira pode custar cerca de R$ 100 e proteger por até quatro meses; comprimidos variam entre R$ 100 e R$ 180; e produtos de aplicação mensal ficam entre R$ 50 e R$ 90.
Considerando apenas vacinação, vermifugação e controle de parasitas, o investimento anual pode girar em torno de R$ 1.500 para um animal de porte pequeno, desde que saudável e sem intercorrências. Ainda assim, a própria veterinária faz questão de frisar que o custo não é fixo. “Varia conforme o porte, o peso, o tipo de alimentação escolhida, a frequência de banhos, a opção do tutor por serviços de pet shop e o próprio estilo de vida do animal. Cada caso é único”, ressalta Bianca.
Ela reforça que investir em prevenção é sempre mais seguro e mais econômico do que tratar uma doença já instalada. “Tratar doenças que poderiam ser evitadas com avaliações periódicas é mais oneroso, trabalhoso e pode comprometer a vida do animal.”
QUANDO O AFETO ENTRA NA CONTA
Para a calígrafa Ana Cláudia Fernandes, tutora de Joy, uma shih tzu com 8 anos de idade, ter um pet sempre foi uma escolha pelo afeto. “Gostar de animais, preencher o silêncio da casa com a energia de um serzinho tão encantador e o desejo de ter uma criação para cuidar. É transformadora a sensação de ser responsável por eles”, conta.
Quando adotou Joy, ela já sabia que haveria gastos para mantê-la saudável. Hoje, além das despesas com vacinação e prevenção, entram na conta banho, medicamentos, ração, petiscos e até creche, que a cadela frequenta uma vez por semana para brincar e interagir com outros animais. Há ainda gastos eventuais, como brinquedos, roupas, acessórios e consultas médicas.
Somando apenas os cuidados básicos de saúde, Ana Cláudia estima investir cerca de R$ 4.500 por ano. “Consultas e exames periódicos, carrapaticidas, vermífugos e vacinas ajudam a prevenir o desenvolvimento de doenças graves”, afirma. Para ela, o investimento não pesa no orçamento familiar e é amplamente recompensado. “Vê-la feliz, saudável e brincando faz tudo valer a pena.”
PLANEJAMENTO DESDE O INÍCIO
A estudante de Medicina Veterinária Larissa Spinelli Fachin também considera o planejamento parte essencial da decisão de ter um pet. Tutora dos gatos Alfredo e Rodolfo, ambos sem raça definida e com cerca de seis e sete meses, respectivamente, ela adotou os dois ao se mudar para um apartamento. “Assim que me mudei, sem nenhum animal, me deu um aperto no peito. Tive que adotá-los para chegar em casa e ter um pouco de amor puro”, diz.
Acostumada desde sempre à convivência com pets, Larissa já tinha noção dos custos envolvidos. Atualmente, estima gastar cerca de R$ 500 por mês com os dois gatos — valor que inclui ração super premium, areia de qualidade e petiscos. Além disso, há despesas anuais com exames de rotina, vacinação e vermifugação. Como ainda são filhotes, a castração também está no planejamento.

A estudante de Medicina Veterinária Larissa Spinelli Fachin planeja com antecedência os gastos mensais com os gatos Alfredo e Rodolfo
A experiência pessoal reforçou a convicção sobre a importância da prevenção. “Já passei por uma situação com uma cachorrinha que não era castrada e precisou de cirurgia de emergência por causa de uma piometra. Se ela tivesse sido castrada antes, eu não teria passado por isso”, conta.
Para Larissa, os gastos foram planejados e não impactam o orçamento. “Animais de estimação são como filhos hoje em dia. Temos que pensar em tudo.” E, no fim das contas, o retorno é simples: “O amor vale a pena. Eles amam a gente pelo que a gente é.”
Fotos: Revide