Esboço eleitoral
Com aposentadorias anunciadas, nomes em ascensão e rearranjos partidários, cenário ainda é de especulação, mas aponta para disputa pulverizada por vagas na Alesp e na Câmara Federal em Ribeirão Preto
Mesmo faltando meses para o início oficial da campanha, o cenário eleitoral de 2026 já começa a se movimentar em Ribeirão Preto. Entre anúncios cautelosos, recuos estratégicos e trocas de partido, o que se desenha é uma disputa aberta e pulverizada por vagas na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e na Câmara dos Deputados, impulsionada sobretudo por aposentadorias políticas e pela busca por maior representatividade regional.
Na disputa estadual, o quadro tende a se renovar. A saída anunciada do deputado Rafael Silva (PSD), após quatro mandatos consecutivos, abre espaço para novas lideranças e reorganiza forças dentro do PSD e de partidos aliados. Ao mesmo tempo, o deputado Léo Oliveira (MDB) deve buscar a reeleição, apoiado em uma base regional consolidada. Outros nomes com atuação local e eleitoral recente surgem como possibilidades, entre vereadores, ex-secretários e figuras que disputaram cargos majoritários em 2024, compondo um leque amplo, mas ainda indefinido.
A tendência é que a ausência ou o recuo de candidatos de fora da cidade — como Eduardo Suplicy (PT), André do Prado (PL) e Sebastião Santos (REP), que nas últimas eleições concentraram votações relevantes em Ribeirão Preto — provoque uma redistribuição do eleitorado, fortalecendo o chamado “voto local”. Esse movimento pode beneficiar candidaturas com atuação territorial mais consistente e maior identificação com pautas regionais, em detrimento de nomes com base eleitoral concentrada na capital ou em outros polos do estado.
No campo progressista, o PT trabalha para reorganizar sua base após a possível saída de nomes históricos do cenário estadual, como Eduardo Suplicy, apostando em lideranças locais e em renovação geracional, a exemplo de Duda Hidalgo e Perla Müller. À direita, o quadro também é de fragmentação, com partidos como PL, Novo e União Brasil disputando o mesmo eleitorado conservador, reunindo nomes como Isaac Antunes, André Rodini e André Trindade. Já no centro, legendas como MDB e PSD tentam se firmar como alternativas de estabilidade e pragmatismo político, com a possível reeleição de Léo Oliveira e a construção de novos nomes ligados a grupos políticos tradicionais da cidade.
Na esfera federal, a disputa também começa a se delinear. O deputado Baleia Rossi (MDB) deve tentar a reeleição, amparado pelo comando nacional do MDB e pela estrutura partidária. Já o ex-prefeito Duarte Nogueira, recém-filiado ao PSD, surge como pré-candidato à Câmara, reforçando o argumento da baixa representatividade da região em Brasília. Outros nomes que ganharam projeção em eleições municipais recentes também avaliam disputar vagas no Legislativo federal.
Analistas apontam que o momento ainda é de posicionamento estratégico. A legislação permite pré-candidaturas, o que estimula anúncios antecipados, mas decisões definitivas devem ficar para os próximos meses, à medida que alianças se consolidem e o quadro nacional fique mais claro.
CALENDÁRIO ELEITORAL
As Eleições Gerais de 2026 definirão os cargos de presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Para partidos, candidatos e eleitores, o calendário eleitoral estabelece prazos decisivos ao longo do ano.
6 de maio – Fechamento do cadastro eleitoral: último dia para tirar o título, regularizar pendências, coletar biometria ou transferir domicílio eleitoral.
20 de julho a 5 de agosto – Convenções partidárias: período para definição de candidaturas e coligações.
15 de agosto – Prazo final para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
16 de agosto – Início oficial da campanha eleitoral.
28 de agosto a 1º de outubro – Veiculação do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
4 de outubro – 1º turno das eleições gerais.
25 de outubro – 2º turno, caso necessário.
19 de dezembro – Prazo final para a diplomação das eleitas e dos eleitos.