Entre razão e afeto

Entre razão e afeto

Ambientes da CASACOR Ribeirão Preto 2026 mostram como arquitetura, memória e natureza se encontram em diferentes formas de morar

A CASACOR Ribeirão Preto 2026 reúne arquitetura, design, paisagismo e arte em projetos que exploram diferentes formas de morar. Em sua 8ª edição, a mostra ocupa uma residência projetada na década de 1970 por Marcos Tomanik, na avenida Sumaré, e apresenta mais de 30 ambientes inspirados no tema “Mente e Coração”.


O conceito aproxima razão e emoção e aparece em espaços marcados pela memória, pela convivência e pela relação com a natureza. Entre os projetos selecionados, materiais, formas, iluminação e objetos ajudam a contar histórias e mostram como a arquitetura pode acompanhar diferentes momentos da vida. 


“Esta edição da CASACOR Ribeirão Preto reafirma a força criativa da nossa região e sua capacidade de reunir arquitetura, design, arte, paisagismo e inovação em experiências que dialogam com diferentes formas de viver”, afirma Mauricio Siqueira, CEO da mostra local.

 

Mauricio Siqueira, CEO da CASACOR Ribeirão Preto


No Living Evviva, Fabiano, Tania e Isabela Hayasaki traduzem esse encontro de forma sensorial. A integração entre mobiliário e marcenaria é valorizada pela iluminação, que evidencia elementos naturais, texturas e acabamentos. As obras interativas de Bia Hayasaki permitem que o visitante crie composições e encontre novas interpretações a cada contato. Com linguagem contemporânea, o living foi desenvolvido para favorecer a permanência e a convivência.

 

MEMÓRIAS QUE PERMANECEM


Na Cozinha da Nonna, a arquiteta Victoria Balbo transforma lembranças da infância na casa da avó em ponto de partida para o projeto. O piso de mármore e os lambris originais foram preservados, mantendo as marcas do tempo. A marcenaria verde, combinada à madeira, à palha e aos tecidos naturais, recupera características das antigas cozinhas familiares. Livros de receitas, quadros de crochê e outros itens do acervo pessoal completam o espaço e reforçam a relação entre casa e memória.


A mesma relação com as lembranças aparece em O Primeiro Refúgio, de Adriana Fontana. Sem recorrer a referências infantis óbvias, o quarto foi planejado para acompanhar o crescimento da criança. O xadrez conduz a composição e aparece ao lado de tons de verde, madeira em tons quentes e couro. Elementos vintage convivem com soluções contemporâneas, enquanto o banheiro integrado mantém a proposta cromática de maneira lúdica e funcional.


Em L’Atelier de Geneviève, Camila Ubida e Ana Luísa Carolo, do Studio Ubida Carolo, criam o espaço reservado de uma estilista. Referências dos ateliês europeus se encontram com o design escandinavo. O bordô orienta a paleta, enquanto os papéis de parede maximalistas e a marcenaria reforçam a identidade criativa do projeto. Tecidos, carretéis, livros, croquis e uma máquina de costura vintage ajudam a construir a rotina da personagem e aproximam o morar do processo de criação.

 

PAUSA E RECONEXÃO


O Espaço Confluência, de Kadu Reis, parte do contraste entre a serra e o mar. Em vez de reproduzir as duas paisagens, o projeto traduz suas características por meio de relações entre cheio e vazio, peso e leveza, firmeza e fluidez. A arquitetura rústica contemporânea, as peças de design brasileiro e a iluminação indireta formam um espaço reservado, voltado à pausa e à introspecção.


Na Suíte Ikigai, Rose Kumayama utiliza o conceito japonês associado à “razão de viver” para criar um quarto dedicado ao cuidado. A inspiração no tsuru, ave relacionada à saúde e à longevidade, aproxima referências japonesas de elementos brasileiros. Madeira, tons neutros, luz natural e a vegetação do terraço criam uma atmosfera tranquila. O mobiliário de linhas orgânicas e o artesanato brasileiro completam o projeto, que convida a respirar, diminuir o ritmo e retomar o contato com o essencial.


O tempo orienta o projeto Entretempos, de Vitor Pellini, da Pellini Arquitetura. Pensado para um morador interessado em arte e design, o espaço reúne obras, livros e objetos ligados a experiências e descobertas. Os tons contidos permitem que as peças e texturas ganhem evidência, enquanto a madeira acrescenta densidade e conforto. O chapisco mantém a matéria aparente, e a iluminação indireta modifica a percepção dos volumes e das superfícies ao longo do dia.

 

CASAS VIVAS


A convivência está no centro de Sua Casa Bem Vivida Electrolux, de Fabrício Frezza e Gabriel Figueiredo, da Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores. Azul, palha, bege e verde se combinam à madeira clara, à cerâmica, às fibras e aos tecidos naturais. A tecnologia é incorporada à rotina sem retirar o protagonismo dos encontros, das conversas e do uso cotidiano da casa. O resultado é um projeto leve e informal, preparado para acompanhar diferentes momentos dos moradores.


Na Casa-Ateliê da Ceramista, da HR Arquitetura, morar e trabalhar fazem parte da mesma rotina. A roda da ceramista ocupa o centro do layout e organiza a narrativa do projeto. Um elemento de concreto exerce diferentes funções, como bancada, mesa, escultura e lugar de pausa, enquanto uma divisória delimita os espaços sem isolá-los. Cores terrosas, texturas e superfícies marcadas pelo tempo destacam o caráter artesanal da proposta.


O percurso chega à área externa no Deck Oásis, de Luciane Folheto e João Vitor Gulini. Água, vegetação, iluminação e cores naturais formam uma área voltada à convivência. O projeto prioriza o resultado do conjunto, sem concentrar a atenção em um único material ou objeto. Os espaços de permanência aproximam o visitante da paisagem e criam um cenário para encontros e momentos compartilhados.

 

A CASACOR Ribeirão Preto 2026 segue até 12 de outubro, na avenida Sumaré, 590, no Jardim Sumaré. A mostra funciona de terça-feira a sábado, das 15h às 22h, e aos domingos e feriados, das 15h às 20h. Os ingressos custam R$ 98, com meia-entrada a R$ 49, e podem ser adquiridos pela bilheteria digital do evento.

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