Altos e baixos

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Ribeirão Preto mantém vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, enquanto cobertura de outros imunizantes recuou na última década

A vacinação é uma das principais estratégias de prevenção da dengue e de outras doenças, mas os índices de imunização infantil mostram que manter a população protegida continua sendo um desafio em Ribeirão Preto. No município, a campanha contra a dengue atende crianças e adolescentes, enquanto a aplicação de um dos imunizantes para os adultos está suspensa. Segundo atualização da Secretaria Municipal da Saúde, a Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, alcançou cobertura de 100% com a primeira dose entre o público-alvo de 10 a 14 anos. A segunda dose está em andamento e chegou a 47,1% de cobertura. A faixa etária é definida pelo Ministério da Saúde e, de acordo com a Prefeitura, não há previsão de ampliação neste momento. “A campanha segue em plena execução nas unidades de saúde do município”, informou a Secretaria.

 

Até junho, cerca de 58 mil doses da Qdenga haviam sido aplicadas em crianças e adolescentes, sem registro de eventos adversos graves relacionados à vacinação. Os casos são monitorados continuamente pela Secretaria Municipal da Saúde, conforme os protocolos de vigilância epidemiológica.

 

Já a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan está suspensa desde junho, por orientação do Ministério da Saúde, enquanto são investigados eventos adversos observados após a imunização. Em Ribeirão Preto, o imunizante havia sido destinado exclusivamente a profissionais da saúde. Até a interrupção, 1.561 doses haviam sido aplicadas no município.

 

A retomada da aplicação depende de novas orientações do governo federal e, segundo a Secretaria, “não há prazo definido pelo Ministério”. A Secretaria da Saúde afirma ainda que não foram registrados casos graves relacionados ao imunizante em Ribeirão Preto. “Os registros de eventos adversos pós-vacinação são monitorados de forma contínua e seguem os protocolos de vigilância epidemiológica estabelecidos pelo Ministério da Saúde”, informou a pasta.A Prefeitura reforça que a Qdenga, produzida pela Takeda, não foi afetada pela suspensão do imunizante do Butantan, por se tratar de produtos diferentes. Além disso, o Executivo informa que não há previsão de inclusão de outra vacina contra a doença no calendário municipal.

 

Queda na cobertura

 

Os dados históricos de vacinação infantil também mostram redução na cobertura de diferentes imunizantes ao longo da última década. Segundo dados da Subsecretaria de Vigilância em Saúde de Ribeirão Preto, atualizados em maio de 2026, os índices de cobertura vacinal registrados entre 2016 e 2025 apresentam queda em diferentes imunizantes.

 

Os percentuais acima de 100% indicam que o número de doses aplicadas superou a população estimada usada como referência no cálculo. Em 2016, por exemplo, foram registradas 9.604 doses de febre amarela para uma população estimada de 7.955 crianças, resultando em cobertura de 120,7%.

 

Entre os imunizantes que podem ser comparados desde 2016, a febre amarela apresentou a maior queda, passando de 120,7% para 83% em 2025, uma redução de 37,7 pontos percentuais. Na sequência, a meningocócica C teve queda de 17,6 pontos percentuais, a pentavalente, de 15,5 pontos, a pneumocócica 10, de 15,4 pontos, e a poliomielite, de 14,7 pontos. Em 2025, a menor cobertura foi registrada na segunda dose da vacina SCR, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, com 84,3%. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as metas de cobertura variam entre 90% e 95%, conforme a vacina e a doença.

 

A importância de manter índices elevados de vacinação é destacada pela subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi Passos. “O sarampo é uma das doenças mais contagiosas que existem. Durante as férias, com o aumento das viagens, cresce também o risco de importação de casos. Estar com as duas doses da vacina tríplice viral é fundamental para garantir a proteção individual e coletiva”, afirma.

 

Entre as estratégias adotadas pela Secretaria estão ações em escolas e busca ativa por pessoas com esquemas vacinais incompletos. Para o secretário municipal da Saúde, Mauricio Godinho, uma das dificuldades para ampliar a vacinação está no acesso aos serviços durante a semana. “Sabemos que muitas famílias não conseguem ir à unidade de saúde durante a semana porque o horário de trabalho coincide com o funcionamento dos serviços. Abrir as salas de vacina no sábado é eliminar essa barreira. A vacina é segura, gratuita e continua sendo a forma mais eficaz de proteger nossas crianças, adolescentes e toda a população”, afirma.


Foto: Canva

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