Impacto mensurável
Fórum ESG 360 abordou a transformação de intenção social em estratégia e resultado
No último dia 17 de setembro, aconteceu em Ribeirão Preto a terceira edição do Fórum ESG 360, encontro que reúne empresas, universidades e organizações da sociedade civil. O tema tratado este ano resume o maior gargalo da agenda socioambiental: "Investimento social e ESG: da boa intenção ao impacto mensurável."
Um dos realizadores do fórum, o Instituto Terroá — associação sem fins lucrativos fundada em 2015 na cidade — passou os últimos anos justamente tentando fechar essa distância dentro de empresas de todo o país.
"O Instituto Terroá atua como parceiro estratégico das empresas, apoiando a construção de estratégias de ESG conectadas à realidade dos territórios onde elas estão presentes, com especial enfoque para a dimensão social", explica Daniel Bellissimo, cofundador e diretor institucional do Terroá. O trabalho costuma começar com diagnósticos territoriais e escuta de diferentes atores, antes de avançar para o desenho de programas de investimento social privado. "Não trabalhamos o ESG apenas como uma agenda interna da empresa, mas buscamos conectar estratégia, território e impacto", diz. "Focamos no 'S' do ESG da porta para fora."
No campo da educação corporativa, o Terroá desenvolve jornadas formativas customizadas que traduzem temas complexos — ESG, investimento social, direitos humanos, gestão de projetos de impacto — em conteúdo aplicável ao dia a dia de equipes e lideranças. "É uma metodologia que combina aprendizagem pela experiência, laboratórios práticos, atividades entre módulos e acompanhamento contínuo", afirma Bellissimo. Formato e duração variam conforme a maturidade de cada empresa, podendo variar de um processo pontual, focado numa única frente, ou uma parceria de médio e longo prazo que combine diagnóstico, formação e gestão de risco na cadeia de valor.
A frente, batizada de Social IN, normalmente já têm projetos sociais rodando, só que dispersos, sem visão de portfólio nem conexão com o planejamento do negócio. Neste quesito, segundo Bellissimo, também é preciso ter estratégia, governança, indicadores, gestão de risco e conexão direta com a tomada de decisão. "O social também precisa falar a língua do negócio", resume.
Fora das métricas
Bem-estar, confiança e fortalecimento de vínculos comunitários são difíceis de quantificar e aspectos intangíveis como capital social, reputação e colaboração acabam ficando “de fora” das métricas tradicionais, moldadas por uma lógica de curto prazo. A resposta do Terroá a isso tem sido desenvolver painéis de gestão social, relatórios periódicos e frameworks de Teoria da Mudança para traduzir esse impacto em linguagem acessível a lideranças e conselhos.
A São Martinho, por exemplo, estruturou uma política de investimento social privado, com diretrizes de governança e três programas estruturantes, entre eles o Construindo o Futuro, uma jornada de formação de lideranças e organizações locais, que já soma 226 beneficiários diretos, 72.122 indiretos, 83 organizações apoiadas, 200 horas de conteúdo e 31 projetos sociais inscritos e apresentados ao final do processo.
Com a Citrosuco, o projeto Legado+ seguiu outro caminho, formando lideranças internas para incorporar ESG e investimento social territorial à própria rotina. Dezesseis líderes operacionais, atuantes nos dez territórios prioritários da companhia, passaram por encontros presenciais, online e visitas de campo, sendo hoje multiplicadores dessa cultura de impacto dentro da empresa.
Para o Instituto, a linha entre ESG estratégico e "maquiagem" se resume a ter metas claras, indicadores, recursos e transparência sobre o que ainda falta transformar. "A comunicação deve ser consequência da prática, e não substituta dela", diz Bellissimo, que enxerga um movimento de avanço, mas também um espaço importante para qualificar essa atuação, especialmente em relação à mensuração de impacto, à escuta dos territórios e à integração do ESG à estratégia e à governança das empresas.
Foto: Raíza Ferreira