10 anos de festival
Para Lenine, os grandes festivais são muitos importantes para os músicos da região e do país
Ao completar 10 anos, o Festival de Inverno João Rock de Ribeirão Preto mostrou-se um evento maduro, completo e muito bem organizado. Os shows começaram sem atraso e as atrações deram o melhor de si durante todo o festival. A simpatia dos mineiros do Skank e Jota Quest, a pegada forte do CPM22 e Charlie Brown Jr, a leveza de Natiruts e toda a experiência de Colin Hay do Men at Work ditaram o ritmo da noite no palco principal.
A magia e a beleza da música alternativa ficaram por conta do palco universitário, que reuniu nomes memoráveis do cenário nacional e internacional: como a banda neozelandesa Katchafire. Pablo Dominguez, Zé Ramalho, Lobão e Lenine formaram o time de músicos brasileiros que esquentaram a noite fria e seca do sábado. Lobão e Lenine deram suas opiniões sobre o uso da internet como meio de venda, consumo e divulgação para a cultura.
Com o tempo curto por conta do atraso durante a viagem, Lobão falou, pouco antes de subir ao palco, sobre downloads na internet e a desvalorização do trabalho em alguns casos. “As pessoas têm de entender que gastamos tempo e investimos muito em cada um de nossos trabalhos, se houver muito desses downloads grátis, sem que o artista tenha liberado ou aprovado, eles acabam por desvalorizar esse trabalho e desanimar o artista. Não digo que chegará ao fim os livros e os discos, mas chegarão ao fim os trabalhos de qualidade. E o motivo será a falta de estímulo que essa pirataria causa”, disse.
Para Lenine, que já viu muitas mídias surgirem e desaparecerem, a internet colocou tudo “na mesa para negociação”. “Hoje, com a internet, todos têm uma oportunidade, ficou mais democrático e a nossa cultura agradece”, ressaltou o pernambucano. Lenine também acredita na força dos grandes festivais e na união de vários estilos. “Uma rádio que opta por só tocar rock pode levar um tiro no pé", opinou.
Com o João Rock, Ribeirão Preto já está no itinerário das grandes bandas brasileiras, e como cantou o vocalista do Jota Quest, Rogério Flausino, em uma de suas canções: “Vamo que vamo, que o som não pode parar”!
Revide On-line (Colaborador Bruno Silva)
*Publicada em 06/06/2011