1986: O legado nos patins

1986: O legado nos patins

O Sertãozinho Hóquei Clube foi campeão do mundialito de clubes do esporte em 1985 e esteve na primeira edição da Revide, no ano seguinte, em 1986

Em meio ao turbilhão dos anos 1980, surgiu um campeão na região: o Sertãozinho Hóquei Clube venceu o mundialito de clubes em 1985 e se tornou uma referência no esporte, além de ter projetado a cidade para o cenário nacional. A trajetória do clube até a vitória, bem como a de seus fundadores, Haroldo Pérsio Requena e Vitor Santos, foi contada nas páginas da primeira edição da Revide, em 1986, com o especial “Ok, hóquei, nós te saudamos”.

O jogador Vitor e o técnico da época, Duda Mucci, contam que a força adquirida pelo time, além do esforço, cresceu do luto após a trágica morte de Haroldo, que faleceu em um acidente de carro aos 29 anos. O desastre aconteceu às vésperas da inauguração do Ginásio de Esportes Docão, que sediaria o mundial de seleções de hóquei, em que o Brasil não foi campeão. “Foi um grande luto, um desespero. Ele que me trouxe para cá, quando eu tinha 21 anos”, lembra Vitor. Segundo o ex-atleta, a iniciativa de montar um time de hóquei na cidade partiu tanto de Haroldo quanto do então prefeito Waldyr Alceu Trigo, que desejava dar notoriedade a Sertãozinho. 

Duda: “Ter sido o técnico da equipe, para mim, é motivo de grande satisfação”

Português de Lisboa, o artilheiro do clube na época continua apaixonado pelo esporte e é responsável pelos treinos desde as crianças da escolinha de hóquei até o time profissional, que se mantém na ativa. “Estou vendo se consigo um espaço para colocar esses troféus e fazer um museu do hóquei”, comenta o treinador, enquanto procura pela taça do mundialito na sala de troféus do Docão.

Sua história com o hóquei começou aos quatro anos, em Moçambique, onde morou com os pais. Lá, jogou pela seleção. Em 1975, a família se mudou para São Bernardo do Campo e, jogando para a Portuguesa de Desportos, Vitor conheceu Haroldo e seu irmão, que jogavam pelo Palmeiras. Em 1982, foi naturalizado brasileiro para jogar pela seleção. Quatro anos depois, durante o mundial sediado em Sertãozinho, Vitor foi observado pelos olheiros da seleção italiana e acabou contratado por um time do país europeu. “Joguei no Hóquei Clube Monza por dois anos, de 1987 a 1989. Fui campeão da Copa Itália, campeão europeu e vice-campeão italiano nas duas temporadas, mas aí minha esposa ficou grávida do segundo filho e eu só a via fazendo cruzinhas no calendário para marcar os dias que faltavam para eu voltar”, completa Vitor sobre seu retorno ao Brasil, acrescentando que não há dinheiro que pague pela felicidade da família. Nesta época, ele já tinha a primeira filha, nascida em 1986. 

O time continua na ativa, de acordo com o treinador, por conta de incentivos da Prefeitura, que começam pelo próprio espaço para os treinos, o Docão. Na escolinha de hóquei, atualmente, Vitor ensina cerca de 300 crianças e até algumas mães que vão para as aulas com os filhos. 

Vitor continua apaixonado pelo esporte e é responsável pelos treinos das crianças da escolinha de hóquei e pelo time profissional

Em 1986, a matéria “Ok, hóquei, nós te saudamos” contava um pouco da trajetória do time e de seus fundadoresPreparador físico do Sertãozinho Futebol Clube, Duda Mucci desempenhou esta mesma função no time de hóquei, antes de se tornar treinador da equipe. Do Sertãozinho, passou para a seleção brasileira. “Na época, houve cobertura da televisão, o Luciano do Valle veio para cá e pintaram o Brasil como campeão, mas a equipe não tinha técnico. Como eu era do Sertãozinho e o pessoal estava organizando o time, recebi o convite para exercer esse papel, mas eu sabia que seria difícil”, conta Duda. A equipe brasileira começou mal, empatou com Angola, perdeu as partidas seguintes e a situação ficou difícil. No último jogo, porém, o clube fez uma boa partida contra Portugal e acabou ficando em sexto lugar. 

Já o Sertãozinho, de acordo com o ex-técnico, tinha um bom time desde o princípio. No primeiro ano, foi campeão paulista. Depois, com alguns reforços, o time foi campeão sulamericano. Na sequência, vieram muitas outras conquistas. “Ter sido o técnico da equipe, para mim, é motivo de grande satisfação. Creio que tenha dado a minha contribuição ao esporte, assim como dou para o futebol até hoje. No hóquei, Sertãozinho conquistou seu auge. Por onde íamos, a cidade era conhecida pelo hóquei. Até fora do Brasil sabiam que o Sertãozinho tinha uma grande equipe”, pontua Duda, que hoje é diretor de Futebol do Sertãozinho Futebol Clube e responsável também pelas contratações do time.  

Em uma edição histórica para a Revide, a primeira, foi possível deixar registrado o legado deixado por Vitor, Duda e tantas outras pessoas que se empenharam na época e até os dias atuais se dedicam ao esporte.

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