70 anos de união
Entre as maiores associações de engenheiros, arquitetos e agrônomos do Brasil, a entidade ribeirãopretana se estrutura física e virtualmente para dar respostas que a conectividade e a inovação exigem
A Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto tocou, com a pianista Olga Tarlá como solista, no evento que contou com a participação do então prefeito da cidade, José de Magalhães. A cerimônia foi transmitida ao vivo pela PRA-7, primeira rádio do interior do Brasil. Assim ficou marcada a instalação solene, em 1948, da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP), que se prepara para comemorar 70 anos em 2018 com transmissões ao vivo pelas redes sociais, aproximando profissionais e estudantes, aprimorando a prestação de serviços, a oferta de convênios aos associados e a conexão com a sociedade. “A realidade social e econômica da época exigia a união de profissionais para combater o sombreamento de funções [quando as atribuições de uma área se sobrepõem à outra] e a atuação de leigos em posições que exigiam conhecimento técnico. Hoje, essas demandas persistem, mas os desafios são outros”, observa o engenheiro Carlos Alencastre, presidente da AEAARP.
Thiago Marchetti, chefe da unidade regional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Ribeirão Preto (CREA-SP), destaca que a Associação de Ribeirão Preto é referência para o conselho e para outras entidades paulistas. A autonomia, a agenda de eventos e a estrutura física conquistadas pela AEAARP nas últimas décadas são vistas pelas lideranças do Estado como pilares que a mantém forte e ativa. Além disso, mensalmente, é editada a revista Painel, referência em conteúdo técnico voltado para engenheiros, arquitetos e agrônomos.
Para o arquiteto e urbanista José Antônio Lanchoti, conselheiro do Conselho de Arquitetos e Urbanistas do Estado de São Paulo (CAU-SP), à AEAARP convergem os debates, os eventos e os interesses dos profissionais da cidade e da região. “É um ponto de encontro de ideias, uma parceria muito positiva com os profissionais”, avalia Lanchoti.
Desafio septuagenário
O desafio para os próximos anos, na visão de Alencastre, é criar oportunidades, proporcionando um ambiente amigável para fazer contatos e negócios, ao mesmo tempo em que é referência para estudantes e recém-formados. “Hoje, a vocação da Associação é o networking”, aponta o presidente.
Há cerca de dois anos, a AEAARP mantém parceria com o SEBRAE na realização de eventos e palestras. O ano de 2018 será tomado por atividades sociais, culturais, técnicas e comerciais, entre elas, rodadas de negócios exclusivas para a Associação. A programação também prevê a realização de oficinas e de palestras, todas com o intuito de proporcionar ferramentas para a realização de negócios. “As profissões representadas na AEAARP têm característica empreendedora e de inovação. A Associação está pronta para responder a essa necessidade e, mais do que isso, para proporcionar o ambiente para que essas vocações sejam desenvolvidas e valorizadas”, explica o engenheiro Rodrigo Araújo, diretor da entidade.
Os associados podem, por exemplo, usar gratuitamente os computadores na sala de informática ou reservar uma sala da entidade para atender clientes. “Nós oferecemos as primeiras ferramentas, físicas e de conhecimento, para que o engenheiro, o arquiteto e o agrônomo possam construir suas carreiras com sustentabilidade”, observa Araújo.
Isso começa nos primeiros passos, quando os jovens estudantes procuram oportunidades de estágios. Uma das ferramentas, explica o engenheiro agrônomo Callil João Filho, é o conhecimento de softwares específicos dessas profissões. Por isso, são oferecidos cursos para iniciantes em AutoCAD, ArchiCAD e Revit. “O plano é incrementar essa agenda, ampliando as oportunidades”, explica o engenheiro agrônomo.
Em 2017, foram realizadas cinco semanas técnicas — Tecnologia da Construção, Meio Ambiente, Engenharia, Arquitetura e Agronômica — e palestras que atraíram, no total, mais de duas mil pessoas à entidade, entre profissionais e estudantes. Para Samira Giantomassi Geraigire Mielli, estudante de arquitetura e urbanismo, foi a oportunidade de encontrar colegas e profissionais da área. “A atmosfera é de aprendizado e troca de conhecimento. As palestras com profissionais renomados me incentivaram e somaram à minha formação”, declara Samira. A arquiteta e professora universitária Ruth Paolino observa que as semanas técnicas são a oportunidade de estudantes buscarem inspiração em experiências de profissionais que estão no mercado.
História x realidade
Para comemorar os 70 anos, a AEAARP quer se conectar cada vez mais à realidade do mercado e às necessidades dos associados e da comunidade. Assim que foi fundada, em 1948, a Associação designou o engenheiro Galileu Frateshi para ajudar a Câmara Municipal a desenvolver o primeiro código de obras do município. Era o primeiro passo de uma longa história de parceria com o poder público, defendendo sempre a técnica em detrimento de interesses pessoais ou políticos.
Hoje, a Associação integra o conselho da Região Metropolitana de Ribeirão Preto, o Conselho Municipal de Urbanismo (COMUR), o de Meio Ambiente (COMDEMA), entre outros, colaborando com a elaboração de políticas públicas e se posicionando em relação às questões que afetam a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico e social de Ribeirão Preto.
Esta participação valoriza as profissões de engenheiros, arquitetos e agrônomos, uma vez que infraestrutura, trânsito, transporte, arborização urbana, meio ambiente, entre outras, são questões relacionadas às profissões reunidas pela associação. “Precisamos de mais técnica e tecnologia e menos informalidade nas decisões a respeito de temas centrais, como a organização do espaço urbano”, explica Alencastre.
Em 2018, a entidade investirá em atividades educativas, em escolas e em espaços públicos, que esclareçam a população sobre a importância da responsabilidade técnica em obras e em reformas. “Estamos preparando uma publicação lúdica que vai esclarecer, de forma divertida, que o barato sai caro e que fazer uma obra de forma correta proporciona segurança para a família e para a comunidade”, explica o engenheiro agrônomo Paulo Peixoto, diretor de comunicação da Associação.
A arquiteta Ercília Pamplona coordena o projeto AEAARP Cultural, que promove atividades todos os meses. Em 2018, a previsão é ampliar a programação e realizar, por exemplo, uma sessão de cinema a céu aberto no estacionamento da sede da entidade. “Abrir as portas para a comunidade, oferecendo atividades culturais diferenciadas, é a nossa forma de chegar mais perto, também, das necessidades das pessoas, trocar experiências e expectativas. A gente precisa aprender todos os dias”, afirma a arquiteta.
O presidente Alencastre analisa que, assim como as relações de trabalho e sociais mudaram nas últimas décadas, também o papel das associações de classe se modificou. Em 1948, quando surgiu a AEAARP, era ainda o rádio que unia a sociedade. A televisão chegou ao Brasil apenas na década seguinte, nos anos de 1950. “Hoje, somos mais ágeis e urgentes, tanto nas necessidades quanto nas respostas”, observa Alencastre. Organizações sociais como a AEAARP devem responder às questões classistas, de valorização e formação continuada, além de agregar ao portfólio questões como integração, network e oportunidades. “O mundo exige respostas rápidas e estamos preparados para oferecê-las”, finaliza.
Do porão ao salão
Sem sede ou qualquer estrutura física que abrigasse os profissionais que fundaram a AEAARP, as primeiras reuniões do grupo aconteciam em porões de prédios em construção. Alguns encontros foram realizados no Palacete Innechi, cujo proprietário, Francisco Innechi, foi também um dos fundadores da Associação.
Hoje, a sede é um centro administrativo e de eventos que abriga o escritório local do CREA, um instituto de cursos de pós-graduação e espaços para eventos sociais e corporativos, onde são realizados os eventos técnicos e as festas promovidas pela associação. Somando todas as áreas, a AEAARP tem capacidade para atender a um público de 800 pessoas de uma só vez. As salas de reunião, o salão nobre e o salão social são conectados por meio de sistema de imagem e som. Isso significa que o evento que está acontecendo em um desses locais, pode ser transmitido para todos os outros, ampliando a participação do público.
O espaço para festas pode receber mais de 500 pessoas no salão principal, no deck e no espaço gourmet. Uma área com isolamento acústico também pode ser integrada ao ambiente principal. O serviço de bufê para esses espaços parte da cozinha industrial com 100 metros quadrados. O espaço, além da funcionalidade e da praticidade proporcionadas pelas instalações, é cercado por um paisagismo que confere ambientação diferenciada às ocasiões especiais. Há acesso exclusivo para esse espaço, a partir da rua Almirante Gago Coutinho, 333, e estacionamento privativo. Todos os espaços podem ser alugados. Para associados da AEAARP, as condições são diferenciadas.
Jornada AEAARP
Em 2018, a AEAARP, por meio do convênio com o clube Friendship Force, vai realizar duas jornadas: a primeira para Belo Horizonte e Inhotim, em Minas Gerais, com saída prevista para abril. A segunda, para a região de Atlanta, nos Estados Unidos, com saída prevista para setembro. O Friendship Force, ou Força da Amizade, tem 371 clubes em todo o mundo, sendo o de Ribeirão Preto um dos mais antigos do país. O propósito dos integrantes é promover a experiência das pessoas durante uma viagem, vivenciando hábitos, estilos de vida e o cotidianos característicos de diferentes lugares do mundo. O engenheiro mecânico Giulio Roberto Azevedo Prado integra o grupo de Ribeirão Preto, que já o levou a conhecer vários cantos do Brasil e do mundo. “O foco principal é a convivência. O convênio da AEAARP com o grupo vai proporcionar, também, conhecimento, uma vez que preparamos roteiros conectados às áreas atendidas pela Associação”, explica o engenheiro. Veja detalhes no portal www.aeaarp.org.br.
AEAARP conectada
Nos últimos meses, a Associação ampliou sua presença on-line, principalmente, por meio das redes sociais. As palestras das semanas técnicas, por exemplo, foram transmitidas ao vivo pelo Facebook. Neste dezembro, entra no ar o novo portal da Associação, que integrará ferramentas de gestão, serviços e informações. Acesse: www.aeaarp.org.br.