A arte de colecionar

A arte de colecionar

Com o avanço da internet a filatelia ganha espaço no mercado dos colecionadores de selos



“Um hobby que se tornou uma paixão”. É assim que o jornalista Marcio Javaroni define seu sentimento pela filatelia.  A coleção, que começou em um consultório de dentista, integra a história da família do colecionador, que aos poucos foi descobrindo fatos e selos que pertenceram ao seu bisavô.

Segundo Marcio, uma conquista leva a outro desejo e assim consecutivamente. “Colecionar selos é fazer uma viagem por diferentes caminhos, e hoje em dia isso pode ser compartilhado através da internet”, explica.

Em entrevista para o portal da Revide, o colecionador revela que, ao contrário do que muitos pensam, a internet veio para reinventar a filatelia e conquistar novos apreciadores dessa arte.

- Como você começou a colecionar selos?
Marcio: Os dois primeiros selos eu ganhei com nove anos de idade, foi em uma visita ao dentista. Lembro que ela estava com uma carta em cima da mesa contendo dois selos, e como eu era uma criança ativa ela prometeu que se eu ficasse quieto durante a consulta me daria os selos. Perfeito, ganhei os selos e fiquei encantado. Alguns dias depois minha mãe me levou à uma agência dos Correios e me deu vários selos, aquilo me despertou interesse.

- Quando você descobriu que outras pessoas da sua família também eram colecionadores?
Marcio: Logo depois que ganhei os meus primeiros selos soube que meu bisavô havia sido colecionador e que comercializava selos aqui em Ribeirão, depois de aposentado. Também tive outros parentes que foram colecionadores, acredito que a paixão já estava no meu DNA.

- Quantos selos você tem?
Marcio: Eu não tenho noção da quantidade de selos que tenho hoje. Na realidade, o colecionador raramente vai saber falar o número exato, porque uma coleção deve ter mais ou menos uns 20 ou 30 mil selos e desses 20 mil conseguimos aproveitar dois ou três.

- A filatelia é um hobby ou uma paixão?
Marcio: Difícil separar um do outro acho que a filatelia começa como hobby e depois vira uma paixão.

- Como é realizado o processo de troca, compra e venda dos selos?
Marcio: Geralmente o colecionador não vê tanto o valor financeiro do selo, ele quer aquela peça para ele. É na base do interesse e do olhar, eu tenho algo que interessa a outro colecionador a partir desse ponto vou analisar a peça e ver se compensa trocar ou vender. Além disso, hoje temos a internet, o que é muito legal, pois você consegue trocar selos com pessoas do mundo inteiro.

- Você citou a internet, na sua opinião ela está a favor ou contra a filatelia?
Marcio: Muito a favor. É simples vamos imaginar que hoje eu coleciono selos da Itália, com a internet eu compro selos diretamente do correio da Itália e recebo na minha casa. Se isso fosse antigamente, além de ser um processo lento, seria preciso que alguém fosse até a Itália ou que o colecionador tivesse um correspondente lá que pudesse enviar o selos para o Brasil. A internet nos possibilita o acesso a sites de leilão, trocas e venda. É imensurável o valor da internet para a filatelia.

- Além do processo de compra e venda, a internet auxilia na divulgação da filatelia?
Marcio: Eu mesmo tenho um site, o  portal filatelia.com, exclusivamente de notícias filatélicas. É impressionante o acesso, são três mil pessoas por mês interessadas no assunto, isso é gratificante.

- Como você vê a filatelia hoje?
Marcio: A filatelia teve que se modernizar, podemos usar a própria internet como exemplo, quando você pensa sobre assunto logo vem a cabeça que com a internet não se manda mais carta, só que nos anos 80 nós já vivemos um processo parecido que eram as cartas sem selos e os contratos de grandes empresas só que naquela época não houve essa modernização. Com isso, tínhamos muitos colecionadores nos anos 70 mas isso não se renovou, e nos anos 80 e 90 a filatelia só diminuiu. Hoje em dia não, temos selos de diversos materiais como os selos aromáticos, transparentes, formatos diferenciados e antigamente era aquela coisa quadradinha com um picotinho. A filatelia se reinventou e entrou num processo de crescimento.

- Com essa modernização da filatelia você acredita que as perspectivas de novos colecionadores são boas?
Marcio: Eu acredito que sim, a prova é a presença de crianças no encontro como tivemos no último sábado, com isso eu vejo que vamos levantar novamente a filatelia.

- Na sua opinião, a presença das crianças nos encontros filatélicos ajuda a formar novos colecionadores?
Marcio: Com certeza. Eu fui formado assim, muitos outros colecionadores foram formados dessa forma. O Correio tem um projeto bacana, parece que será implantado em Ribeirão, onde são formados grupos infantis e juvenis de filatelistas. É dessa forma que se consegue animar a criança, mostrando as riquezas da filatelia.

- Como mostrar para às crianças que os selos podem ser tão atrativos como o videogame ou a internet?
Marcio: A filatelia já começa concorrendo com outros hobbys, sendo ela apenas mais um em meio a tanta novidade. Para que a criança deixe o videogame que é bonitinho de lado para se dedicar ao selo ela tem que sentir naquilo um atrativo. Então o conhecimento que ela vai adquirir ali, a viagem que ela vai fazer culturalmente, historicamente pelo mundo, tudo isso tem que servir como um atrativo para ela.

- Os colecionadores geralmente enfatizam a ciência e a cultura na filatelia, como você vê essa relação?
Marcio: Muita coisa que eu aprendi foi com os selos, os selos em geral são comemorativos a algo, então se ele recebe um selo da Finlândia com motivos locais, a pessoa que está vendo já vai saber que a Finlândia é um país de clima frio, que os animais são esses ou aqueles entre outras informações. Então a filatelia é uma viagem pela história e pela geografia, você consegue naquele pedacinho de papel saber muito.

- Você acha que falta espaço para a filatelia em Ribeirão Preto?
Marcio: Ribeirão teve até os anos 80 começo dos anos 90 uma feira de filatelia que acontecia na Praça XV todas as manhãs de domingo. Lá, inclusive, foram formados muitos filatelistas, eu mesmo já visitei a feira várias vezes quando criança. Essa feira era um local de intercâmbio, de troca não só de selos mais de ideias, de conhecimento, onde os mais novos podiam adquirir experiência com os mais velhos, além da feira tivemos um clube que acabou em 81. Enfim, hoje Ribeirão só tem a agência filatélica dos Correios, que funciona no mezanino da agência central. Falta espaço para expandir a filatelia. Se tivéssemos na própria Secretaria da Cultura uma sala com espaço para os encontros seria bem vindo.

- E para aqueles que querem começar uma coleção, qual a sua dica?
Marcio: O primeiro passo é procurar alguém que já coleciona, para conhecer, ver uma coleção de perto e saber quais os cuidados que você tem que ter com uma coleção, para ver se há disposição para se ter esses cuidados, pois uma coleção mal cuidada tem uma vida útil muito curta, afinal o selo é um papel. Usar a internet para buscar informações e começar na própria família ou na empresa onde trabalha a pedir para guardar os selos. Você faz uma coleção muito bacana guardando selos que chegam à sua casa ou no seu local de trabalho. Minha dica é comprar aos poucos, ir tomando gosto, sentir o que você gosta e colecionar.

Revide On-line
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Julio Sian

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