A arte em vitrais
A FAAP inaugura um grande painel em homenagem aos artistas que fizeram escola em Ribeirão Preto e região
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Além de ser um polo educacional de Ribeirão Preto, a FAAP pretende enaltecer e motivar o cenário cultural municipal e regional. No dia 19 de junho, às 10h, a Fundação lançou o projeto “Artistas do Mundo”, que rende homenagem à proeminente escultor e pintores da terra: Bassano Vaccarini, Pedro Manuel-Gismondi, Leonello Berti, Francisco Amêndola e Odilla Mestriner.
Na ocasião, inaugurou em seu saguão principal um painel artístico tematizado com o elemento água — uma alusão ao Aquífero Guarani —, composto por 66 quadros, que traz a releitura da vitralista Yolanda Geuer Castel de uma obra de cada artista. A família de Yolanda atua nessa área desde 1860.
Coordenadora do projeto, a jornalista e educadora Adriana Silva ressalta que a ideia partiu do diretor-presidente da FAAP, Antonio Bias Bueno Guillon, que sugeriu a homenagem aos artistas plásticos que fizeram escola em Ribeirão Preto. “Não queríamos apenas exibir as obras, mas relacionar o vitral à obra desses artistas. Portanto, decidimos editar um livro e produzir um vídeo, homônimos, com uma linguagem didática. Os materiais serão distribuídos em escolas”, explica.
Adriana esclarece, ainda, que esta é a primeira fase do projeto. Futuramente, novas releituras de obras de artistas locais e regionais serão adaptadas ao vitral. A coordenadora acrescenta que o projeto foi posto em prática com o intuito de homenagear os artistas plásticos, mas abre a possibilidade de a FAAP se tornar um polo turístico do Município, graças ao vitral. “Por se tratar de uma instituição educacional, a Fundação já atrai uma grande quantidade de pessoas a Ribeirão Preto, mas é esperado que uma obra dessa magnitude atraia a atenção do público”, explica.
O projeto tem parceria do Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais (IPCCIC) e contou com a colaboração da historiadora Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa e da historiadora da arte Maria de Fátima da Silva Costa Garcia de Mattos. O vídeo foi produzido pelo diretor de imagem Antônio Bernardo Torres.
Conforme Lilian Rosa, a ênfase do projeto está na divulgação da importância desses ícones das artes de Ribeirão Preto. “Tanto do ponto de vista da produção dos artistas, quanto de sua dedicação ao ensino e à formação de outros artistas. Eles contribuíram para tornar o Município um polo cultural nos anos 60 e 70”, esclarece a historiadora. Segundo ela, embora os cinco artistas biografados no projeto tenham uma produção significativa, são pouco conhecidos no Município. “Com o projeto queríamos jogar luz à sua história, colocá-los no lugar de destaque que merecem. Também estou certa de que a realização incentivará novas gerações a trilharem os caminhos da arte”, comenta.
Antônio Torres afirma que o único elo entre o vídeo e o livro são as fontes de informação — os conteúdos são independentes. “O projeto trata de pessoas fantásticas, que nunca receberam a devida atenção. Fico muito feliz em saber que nosso trabalho enaltecerá esses grandes artistas e sua obra”, enfatiza.
Conforme Maria de Fatima Mattos, historiadora da arte, várias razões revestem o projeto de importância para a região: privilegia artistas que, ao imigrarem para o Brasil e se encontrarem em Ribeirão Preto, como foi o caso dos italianos Pedro Manuel, Leonello Berti e Bassano Vacarini, participaram de um momento de transformação da sociedade brasileira, nos anos de 1950 e 60, contribuindo com uma pintura expressiva no cenário nacional. “Eles se preocuparam com a formação artística local e representam um momento histórico determinante no país, principalmente nas artes plásticas e na cidade. Sua preocupação com a formação artística justifica a origem da Escola de Artes do Bosque (1951), do Ateliê 1104 (1960) e, posteriormente, a criação do Centro de Artes Plásticas, por Bassano Vacarini e Domenico Lazarini, que se transformou na Faculdade de Artes Plásticas da Universidade de
Ribeirão Preto. O projeto resgata um período de intensa vida cultural e artística da cidade e da região: foi na escola de Belas Artes de Araraquara que Domenico Lazarini tornou-se professor de Odila Mestriner (1956) e de Francisco Amêndola (1950), que se tornaria, posteriormente, professor e diretor da escola”, relata a especialista.
Para o diretor geral da FAAP Ribeirão Preto, Dácio Campos, o vitral é um grande presente para o município. “Além de valorizar os artistas, será uma referência cultural em relação ao conhecimento e às artes plásticas”, finaliza.
Texto: Carla Mimessi
Fotos: Carolina Alves e arquivo pessoal