A busca pelo equilíbrio
Em meio à correria, a busca pela serenidade, pela tranquilidade e pelo bem-estar se torna ainda mais necessária
Em uma sociedade cada vez mais dominada por inúmeros compromissos, pela intensa velocidade do relógio, pelo estresse e pelo culto ao corpo físico, a busca pelo equilíbrio entre mente, corpo e espírito tem sido a redenção para milhares de pessoas. Inseridos nesse universo contemporâneo, Laís Moreira, Giorgi Bastos e Carmen Shangai resolveram mudar sua realidade e hoje se dedicam à atividades que ajudam a desenvolver a tolerância, a confiança e a serenidade.
Enquanto muitas pessoas têm vontade de experimentar uma atividade voltada ao conhecimento interno, outras não suportam a ideia de permanecerem praticamente imóveis e reflexivas, como se aquele momento fosse uma perda de tempo. Para quem quer encarar o desafio, há várias possibilidades para trabalhar a mente e o espírito. Assim, cada indivíduo pode escolher aquela que mais condiz com o seu estilo.
A yoga, o tai chi chuan e a meditação são alguns exemplos. Nas três, trabalha-se a mente, mas de maneiras diferentes. “É importante que a pessoa encontre a atividade mais prazerosa. Alguém muito agitado, precisa de uma atividade ‘in’ para acalmar e desestressar. Mas nem sempre esse indivíduo está preparado para permanecer horas praticamente imóveis. Por isso, o ideal é buscar terapias com movimento. E vice-versa”, explica Giorgi.
Há muitas formas de meditar e também diversos motivos para praticar essa atividade. Entre os benefícios estão uma saúde melhor, mais tranquilidade, menos ansiedade e dores crônicas, mais resistência e força interior. A ex-bancária, Laís Moreira, conviveu durante anos com uma rotina atribulada e cheia de pressão. Depois de muito tempo nesse universo, a profissional resolveu procurar a yoga para começar uma nova etapa. “Queria uma mudança na minha vida, com mais equilíbrio. Foi nesse momento que conheci essa atividade e conquistei a almejada tranquilidade”, lembra a praticante. A satisfação foi tão grande que Lais transformou a Yoga em profissão e, há 16 anos, abriu o Espaço Alegre Viver, que abriga o Centro de Yoga Adi Shakti e ensina a linha Kundalini.
Depois de 30 anos de experiência, Laís pode afirmar que a yoga ajuda a obter tranquilidade, clareza da mente e, consequentemente, uma saúde física melhor. “Aprendemos a ter calma, a organizar os pensamentos e a respirar melhor. Quem não respira bem não transporta a energia por todo o corpo”, garante a especialista. Além disso, a atividade mudou a forma como ela encara a vida, a maneira de pensar. Trata-se de uma terapia auxiliar, que também ajuda a melhorar a concentração e a memória. A yoga, segundo Laís, pode ser praticada por qualquer pessoa. A recomendação é que a atividade seja realizada diariamente. “Ela passa a ser um estilo de vida, já que grande parte dos praticantes adota novos hábitos depois de se apaixonarem pela modalidade”, complementa a especialista.
O principal ponto comum entre as terapias alternativas é a mudança na minha vida, com mais equilíbrio. Foi nesse momento que conheci essa atividade e conquistei a almejada tranquilidade”, lembra a praticante. A satisfação foi tão grande que Lais transformou a Yoga em profissão e, há 16 anos, abriu o Espaço Alegre Viver, que abriga o Centro de Yoga Adi Shakti e ensina a linha Kundalini.
Depois de 30 anos de experiência, Laís pode afirmar que a yoga ajuda a obter tranquilidade, clareza da mente e, consequentemente, uma saúde física melhor. “Aprendemos a ter calma, a organizar os pensamentos e a respirar melhor. Quem não respira bem não transporta a energia por todo o corpo”, garante a especialista. Além disso, a atividade mudou a forma como ela encara a vida, a maneira de pensar. Trata-se de uma terapia auxiliar, que também ajuda a melhorar a concentração e a memória. A yoga, segundo Laís, pode ser praticada por qualquer pessoa. A recomendação é que a atividade seja realizada diariamente. “Ela passa a ser um estilo de vida, já que grande parte dos praticantes adota novos hábitos depois de se apaixonarem pela modalidade”, complementa a especialista.
O principal ponto comum entre as terapias alternativas é a convicção de que um ser humano saudável precisa ter equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Se um deles está em desarmonia, surgem doenças em todas as esferas. “Descobri, depois de muita meditação, estudo e dedicação, que a mente manda em nosso corpo. Quando deixamos, por exemplo, a emoção comandar as ações, haverá consequências físicas. Para se ter uma ideia, a raiva reflete em problemas no fígado e na vesícula”, conta Carmen Saez Dy Uai, mais conhecida como Shangai.
Especialista em Medicina Tradicional Chinesa, Shangai tem formação em Bioenergética Reichiana, além de ser mestra em Teoria da Abrangência e de estudar Feng Shui há 23 anos na Escola de Budismo Real do Grande Mestre Lian Sheng. Já participou de diversos workshops com o 14º Dalai Lama e outros grandes nomes desse segmento. A paixão pela meditação e por atividades dessa natureza começaram depois de uma reflexão em que concluiu que tudo na vida deveria ter uma explicação. Assim, Shangai buscou uma força maior, chamada espiritualidade.
A estudiosa destaca que a ciência já descobriu a existência de um campo cerebral não ativado normalmente, sem treinamento. É exatamente nessa região que são desenvolvidas as doenças degenerativas. “Com essas atividades alternativas, conseguimos, inclusive, prevenir muitas doenças físicas”, explica a profissional.
A mente é dividida em três níveis. O primeiro, conhecido como grosseiro, é aquele no qual são recebidos os estímulos dos cinco sentidos, conhecido como nível beta. Mais profundamente, vem a reflexão, em que as pessoas fazem os questionamentos. Por último está a Clara Luz, nível só alcançado por pessoas que dedicam-se por muitos anos à reflexão e ao treinamento da mente. “Qualquer pessoa está apta à meditar, sem necessariamente parar o pensamento, o que seria impossível já que se trata de uma ação involuntária. O segredo é treinar a mente. Assim, é possível meditar mesmo estando no trânsito ou em frente ao computador. Basta concentrar-se e focar na respiração, por exemplo”, conta Carmen.
Adepto do Tai Chi Chuan, Giorgi Bastos gostava de artes marciais desde pequeno. Em 1999, teve o primeiro contato com as lutas, tendo experimentado várias modalidades. Em 2002, formou-se em Kung Fu. “Nessa época, praticava a atividade por prazer, como um hobby. Já em 2005, época em que fazia faculdade e trabalhava ao mesmo tempo, resolvi investir no tai chi chuan e passei a estudar sobre a prática”, lembra. Depois de muitos livros e de vivenciar a filosofia ensinada, Giorgi encontrou seu ponto de luz e seu equilíbrio. Hoje, ministra aulas de kung fu e tai chi, ajudando as pessoas que se dispõem a ter a harmonia como meta.
Através de movimentos lentos, o estudioso desperta nos alunos uma viagem ao próprio interior. “A atividade desperta o dragão interno, trabalhando o amor próprio, a autoconfiança e a tolerância”, complementa Giorgi. O professor defende que, através do relaxamento, é possível encontrar a raiz de seus problemas, ancorando no agora e pensando em como agir. Para que haja uma troca de energia, a prática acontece em meio à natureza.
De acordo com estudos de uma Universidade de Montreal, no Canadá, a meditação, com foco na respiração, reduz as sensações dolorosas em 18%. Além disso, os estudiosos descobriram que isso ocorre devido a uma redução no ritmo respiratório. “Quem medita suporta melhor as dificuldades e as indisposições, mesmo quando não está imerso em momentos de tranquilidade. Isto acontece porque o efeito positivo da meditação se prolonga ao dia a dia”, complementa Shangai.
Yoga
É um conceito que se refere às tradicionais disciplinas físicas e mentais originárias da Índia. A palavra está associada a práticas meditativas tanto do budismo quanto do hinduísmo. Os principais ramos do yoga incluem a raja-yoga, carma-yoga, jnana-yoga, bacti-yoga e hata-yoga. A palavra sânscrita yoga tem diversos significados e deriva da raiz yuj, que significa “controlar” ou “unir”. Fora da Índia, o termo costuma ser associado com a Hatha Yoga e suas asanas (posturas), ou como uma forma de exercício.
Meditação
A palavra meditação vem do latim, meditare, que significa voltar-se para o centro — ou seja, desligar-se do mundo exterior e prestar atenção em si mesmo. A meditação encontra-se entre a concentração e a contemplação. Dados históricos comprovam que a atividade é tão antiga quanto a humanidade e se desenvolveu em diversas culturas, com nomes diferentes. Apesar da associação entre as questões tradicionalmente relacionadas à espiritualidade e essa prática, a meditação pode também ser praticada como um instrumento para o desenvolvimento pessoal em um contexto não religioso.
Tai Chi Chuan
Tai chi chuan é uma arte marcial interna chinesa. O estilo é reconhecido, também, como uma forma de meditação em movimento. Os princípios filosóficos do tai chi chuan remetem ao taoísmo e à alquimia chinesa. A relação entre in e iang, os cinco elementos, o ba gua (Oito Trigramas), o Livro das Mutações (I Ching) e o Tao Te Ching, de Lao Zi, são algumas das principais referências para a compreensão de seus fundamentos. Os criadores do tai chi chuan basearam sua arte na observação da natureza — não apenas na observação dos animais, mas no estudo dos princípios da interação entre os diversos elementos naturais.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Ibraim Leão e Carolina Alves