A comunicação como negócio
Fernando Corrêa da Silva em bate-papo especial com André Coutinho Nogueira
Texto: Luiza Meirelles | Fotos: Julio Sian
Ao conhecer o diretor da Rádio CBN Ribeirão, não se impressione com a aparência e o jeito jovem de André Coutinho Nogueira. O empresário, de 25 anos, possui um CV respeitável e comanda, desde março, a CBN Ribeirão, possui um respeitável currículo. Aos 17 anos, este paulistano que foi criado em Campinas retornou à capital para fazer o curso de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco. Formado e já credenciado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), atuou no meio por cerca de dois anos antes de ingressar na equipe da Rede Globo, onde permaneceu por seis meses. Em São Paulo, também fez pós-graduação no Instituto de Ensino e Pesquisa nas áreas de negócios e economia (INSPER).
Mas não foi só essa trajetória que levou o advogado Fernando Corrêa da Silva a escolher André para a uma entrevista especial para a Revide. Fernando já conhecia o diretor da CBN quando criança, pois costumava frequentar a casa dos amigos Stella e Toni Coutinho Nogueira, pais de André — sendo ele integrante do Grupo EPTV. Não fica difícil, portanto, imaginar porque André definiu já muito cedo os caminhos profissionais a seguir.
Fernando: Você nasceu em São Paulo, depois se mudou para Campinas, voltou para São Paulo e agora vem para Ribeirão Preto. Como se deram essas mudanças?
André: Em São Paulo, onde nasci, morei até os sete anos. De lá, fui para Campinas, de onde não saí até os 17 anos. Posso dizer que estou acostumado com o clima do interior porque fui criado em um ambiente mais tranquilo, verdadeiramente interiorano, o que gosto muito mais do que a correria da capital. Voltei a São Paulo para cursar a faculdade e permaneci por conta da pós-graduação e do trabalho na Globo. Agora, com residência fixa em Ribeirão Preto. Por essa trajetória de idas e vindas, posso afirmar que, além de acostumado com o clima do interior, gosto das pessoas e do ambiente mais tranquilo que encontrei aqui.
Fernando: Apesar de jovem, você possui uma vasta e rica formação profissional. Ela contribui para sua atual função dentro do Grupo EPTV?
André: Sem dúvida ajuda bastante. No entanto, o negócio de rádio é muito específico e, por mais que você se prepare em termos de gestão, há muitos ingredientes que só é possível aprender na prática. É exatamente a isso que estou me dedicando nesse momento. Estou procurando estar bem próximo dos profissionais experientes em rádio, aprender com eles. Este mercado é muito competitivo, especialmente aqui em Ribeirão Preto. Tenho aprendido que rádio é fundamentalmente um trabalho de equipe e, por isso, todos devem estar alinhados e trabalhando juntos para o negócio funcionar como precisa.
Fernando: Quais são os projetos imediatos para a Rádio CBN?
André: Já na inauguração, falei e tenho repetido para toda a equipe que quero fazer a melhor rádio de notícias do interior do Brasil. Este é o compromisso que temos que assumir com o nosso público. A Rádio CBN é uma rede de muita credibilidade jornalística e ganhou fama por isso. Sendo assim, temos que perseguir a mesma qualidade imposta nos programas da rede. Até este momento, estamos fazendo uma programação local pela manhã, das 9h30 às 12h, sendo até às 11h30 uma programação jornalística, voltada para as “hard news”, e, a última meia hora dedicada ao esporte. Estamos com várias entradas de colunistas, incluindo você, Fernando, com a CBN Via Legal, e temos procurado essa mesma qualidade nas pessoas convidadas para integrar a lista de colaboradores. Buscamos especialistas nos assuntos relevantes para os nossos ouvintes. Quem escuta a CBN tem um perfil muito qualificado e, portanto, tende a ser exigente, a cobrar muito da rádio em relação à precisão das informações entregues. Nosso cuidado é extremo para que este ouvinte não busque outra fonte de informação. Além dos colunistas, fazemos entradas da EPTV, antecipando algumas pautas da TV, e também do jornal A Cidade, do jornal A Tribuna, de Araraquara, da EPTV de São Carlos, entre outras. Como a CBN tem uma ampla cobertura, estamos atentos, também, às notícias de outras cidades da região. Este trabalho, como um todo, está sendo muito bem feito.
Fernando: A experiência adquirida durante sua permanência na Rede Globo contribui na condução dos negócios da CBN?
André: Com certeza me favorece bastante. Na Globo, permaneci por cerca de seis meses, apenas voltado para os temas ligados à televisão. Posso dizer que o negócio de rádio é bem diferente da TV, ainda mais quando se trata da Rede Globo, que tem uma força no país inteiro. O meio rádio é bem diferente. Como se trata de um mercado muito mais competitivo, a dificuldade é maior. Eu diria que quem começa em rádio, consegue migrar para a televisão tranquilamente. Apesar das diferenças, essa passagem pela Rede Globo já está me ajudando a entender como um veículo de radiodifusão funciona, seja rádio ou TV. Muito do que aprendi lá tenho utilizado no dia a dia, até mesmo do ponto de vista jornalístico. Conhecer a dinâmica das equipes, por exemplo, foi muito importante.
Fernando: Você acha que pode ser considerada vencedora a experiência trazida do exterior para o Brasil de produzir conteúdo exclusivo de notícias em rádio?
André: Se eu não acreditasse, teria algo errado. Acho que as redes mundiais, como a BBC, da Inglaterra, dão certo por estabelecerem um contato íntimo com o ouvinte, que sabe que aquela fonte é confiável. A informação, geralmente, chega à rádio antes do que em qualquer outro meio. Entre todos os canais de comunicação, a rádio pode ser considerada a mais instantânea, pois é muito fácil entrar no ar no momento em que um fato está acontecendo. O modelo “all news” combina com a rádio e tem tudo para sobreviver por muitos e muitos anos. No entanto, seus custos são maiores, pois os investimentos em recursos humanos e equipamentos são altos. Mas se justificam. É só observar o crescimento que a própria CBN tem tido nos últimos anos. Acredito muito nesse modelo e acho que ele dará muito certo aqui no Brasil.
Fernando: Desde a década de 1950, quando surgiu a TV no Brasil, fala-se que o rádio não resistirá aos outros meios de comunicação. Agora, com a força da internet e das redes sociais, você enxerga algum risco para que essa profecia se concretize?
André: Diferentemente do que muitas pessoas pensam, vejo a internet como uma aliada da rádio. Muita gente tem passado a escutar rádio por meio de aplicativos e sites. Na CBN Ribeirão, nossa experiência está sendo muito positiva. Lá, os ouvintes já podem acessar o áudio da rádio em tempo real e esse acesso está em pleno crescimento. Nas redes sociais, e na CBN principalmente, os ouvintes interagem com os âncoras e com os jornalistas. Portanto, a internet soma, aumenta a possibilidade das nossas notícias serem ouvidas. Já não é mais necessário recorrer ao aparelho de rádio antigo em casa ou estar no carro para estar ligado à radio. Basta ter um smartphone, um tablet ou um computador. A morte da rádio é um mito antigo que nunca aconteceu e não vai se concretizar. O tempo foi passando e, graças à muita teimosia, as rádios estão aí até hoje, fortes e vibrantes. Analisando o investimento publicitário nesse meio, é possível afirmar que ele praticamente se manteve, enquanto muitos outros veículos diminuíram. Acredito que a rádio não vai morrer. Vislumbro um futuro longo para ela. As atividades na rádio são muito dinâmicas e permitem uma instantaneidade que nenhum outro meio consegue atingir.
Fernando: O trânsito cada dia mais caótico é um aliado das emissoras de rádio?
André: Sem dúvida, muita gente tem escutado mais rádio no carro por este motivo. Mas posso afirmar que a audiência de casa ainda é significativa e o volume de ouvintes por meio de aplicativos e sites só aumenta. Nos grandes centros urbanos, o trânsito realmente está cada vez mais caótico, o que coloca as pessoas em contato com o nosso meio. O primeiro contato de muitos ouvintes com a CBN, aliás, é no trânsito. Ali parado no trânsito, o motorista procura um canal de comunicação onde possa se manter informado. Nesse momento, a rádio é quase um amigo conversando com você e passando todas as informações, inclusive sobre o trânsito, que você precisa saber. Mas não é só isso que mantém a audiência da CBN ou de qualquer outra rádio de notícias. A relação estabelecida entre rádio e ouvinte é tão forte que a pessoa se acostuma com aquilo e passa a se interessar pela programação completa. Aqui em Ribeirão Preto, ainda não tem tanto trânsito como em São Paulo e Campinas. Mas ontem, voltando de um médico na zona sul para a rádio, no Ipiranga, fiquei abismado com o trânsito, que me tomou em torno de 40 minutos. Fico me perguntando se no futuro não estaremos discutindo isso aqui. Será que o trânsito não vai se tornar uma questão importante para a cidade, será que vamos precisar de helicópteros para cobrir esse caos, como em São Paulo e Campinas?
Fernando: Você tem observado nos últimos anos o crescimento populacional de Ribeirão Preto e região? O mercado local é ascendente na área da comunicação?
André: Temos visto que Ribeirão Preto e região crescem demais, a níveis impressionantes. Quem conhece a cidade há mais tempo percebe ainda mais a diferença populacional e econômica. A cidade se tornou um grande centro no interior de São Paulo. De maneira geral, o interior de São Paulo é muito rico e a tendência é que esse crescimento não pare. É só observar a quantidade de obras em andamento e a quantidade de outros investimentos que chegam por aqui. O mercado publicitário local continua em expansão e em todos os meios. Os veículos de comunicação precisam estar muito bem estabelecidos para acompanhar esse crescimento e se desenvolver ainda mais.
Fernando: O grupo EPTV está atravessando um período fértil em termos de áreas de abrangência e novos negócios. Adquiriu, recentemente, uma terça parte da afiliada da Rede Globo na Bahia e irá instalar em breve nova emissora de TV de Poços de Caldas. A vinda da CBN para Ribeirão Preto faz parte desse projeto de expansão?
André: Esta é uma aposta nova do grupo, que nunca tinha trabalhado com rádio de notícias. A CBN é a primeira integrante dessa lista e faz parte do projeto de expansão da EPTV. Minha família é apaixonada por esse negócio. Acordamos e dormimos pensando nisso, discutimos o assunto constantemente, seja na empresa ou em casa. É evidente que queremos crescer e ser cada vez mais relevantes, contribuindo com o desenvolvimento da população e da região. Queremos prestar um serviço de qualidade e ajudar a construir uma sociedade melhor. No caso da Bahia, este desafio é diferente. Liderados pelo meu pai e pelo meu tio, esse processo está sendo acompanhado mensalmente. O Estado tem uma cultura própria, que exige que eles se adaptem aos poucos, procurando se inserir no novo contexto. Já em Poços de Caldas, conquistamos a concessão e lançaremos uma emissora nos próximos anos. Este será um braço muito importante porque o sul de Minas também está crescendo bastante. O mercado local é muito forte e, com mais uma emissora, teremos condições de oferecer preços e condições melhores.
Fernando: A Rádio CBN veio para ficar, com jornalismo sério e independente?
André: Estamos muito apaixonados por esse negócio, que está dando muito certo, com resultados satisfatórios tanto do ponto de vista editorial e jornalístico, quanto do ponto de vista comercial. Estamos muito felizes por estar aqui e contribuir com Ribeirão Preto, e pretendemos investir cada vez mais.
Juventude no comando
“Conheço o André desde tenra idade, dada minha amizade com seus pais, Stela e Toni. Meu filho caçula e ele são contemporâneos. Tornaram-se amigos, embora morando em cidades diferentes. Sempre houve entre nós uma forte afinidade. Não demorei a notar em André características que o marcam: inteligência, simpatia e notável bom senso. Somos, hoje, companheiros no Conselho do Jornal A Cidade, por meio do qual compartilho dessas suas virtudes. Mercê dos seus méritos e esforços, é necessário dizer, construiu uma invejável carreira acadêmica. Nesta atual quadra da história brasileira, em que os jovens estão sendo chamados cada vez mais a ocupar papéis de destaque na sociedade, vejo-o como um empreendedor de muitos predicados, a contribuir fortemente com o crescimento do grupo EPTV na nossa região, agora assumindo a direção da rádio CBN. Seguramente, Ribeirão Preto deve regojizar-se com a vinda de André!”
Fernando Corrêa da Silva, advogado