A concepção da La Bohème
É a primeira vez que Caetano Vilela mostra seu talento em uma ópera no município
Apesar de já ter participado de montagens teatrais em Ribeirão Preto, é a primeira vez que Caetano Vilela mostra seu talento em uma ópera no município. Na La Bohème, Caetano atuará como diretor cênico e iluminador. Como diretor de ópera, já realizou 16 espetáculos e como iluminador, chegou a conquistar o Prêmio Carlos Gomes de Música por seu trabalho em “Ça Ira”.
Convidado a fazer parte da ópera em agosto do ano passado, Caetano começou a estudar a montagem para, em outubro, com a concepção formal já delineada, buscar referências em outras produções. “O desafio é fugir do que já foi feito sem inventar, mantendo a estrutura da ópera”, ressalta. Como Ribeirão Preto já tem uma tradição em espetáculos de ópera, decidiu ousar na criação visual e na cenografia. “Escolhi uma versão mais contemporânea e simbólica, sem descontextualizar a ação da ópera”, explica. O público assistirá ao que está no libreto, mas através de um filtro moderno da cenografia, da interpretação e da ação.
Caetano desenvolveu um trabalho de dramaturgia da luz que consiste em decupar a ópera em movimento e espaço. Quando é definido o espaço do ato, entra em cena o cenógrafo. “Marco tudo na partitura ou no texto, o movimento de luz junto com a música, e guio o cantor através da luz. No primeiro ensaio, o cantor já sabe como vai ser iluminado, mas ele nem precisa saber porque já sei como conduzir a ação”, afirma o iluminador.
Na La Bohème, Caetano optou por tons monocromáticos, dando destaque aos figurinos, “uma versão clean que dá liberdade de interpretação aos cantores”. No primeiro ato, o elemento principal é a chaminé, cuja luz no piso branco do cenário indica as alterações nas condições do ambiente e do ânimo dos personagens. A passarela do cenário é utilizada no segundo ato para a exposição dos personagens. O terceiro ato se passa em um parque, com fundo branco. “É um ato síntese do espetáculo e trabalhamos com elementos simbólicos que anunciam a tragédia que está por vir”, destaca. No quarto ato, o cenário é o mesmo do primeiro, com uma mudança de ângulo.
Como metade da obra se passa em um quarto sem energia elétrica, tudo é à base de uma chaminé. “Optamos por um piso branco porque o mínimo de luz que incide nele reflete. Não uso o branco porque é bonito, simbólico ou limpo, uso o branco porque ele é também fonte de luz”, o iluminador conclui.
La Bohème
Quando: dias 16, 18 e 20 de março
Onde: Theatro Pedro II
Informações: Matiz Eventos
Tel.: (16) 3911.6339