A cor da conscientização
Vista-se de azul e comemore o Dia Mundial do Autismo
O autismo é um transtorno do desenvolvimento que atinge a comunicação, a interação social, a imaginação e o comportamento. No Brasil existem aproximadamente dois milhões de pessoas com o transtorno, sendo mais comum em meninos. Para destacar a importância de conhecer o autismo a ONU (Organização das Nações Unidades) decretou todo dia 02 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
A advogada Samira Andraos Marquezin Fonseca teve seu filho diagnosticado dentro do espectro autista aos três anos, desde então vem lutando à frente da Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência da 12ª Subseção da OAB-RP para conscientizar a população sobre os direitos e as necessidades das pessoas com deficiência.
“Cresci convivendo com pessoas portadoras de alguma deficiência e desde pequena tenho um grande desejo de trazer para o mundo informações sobre as deficiências, para que o preconceito diminua e o medo seja aplacado. Quero transformar as pessoas, agregar conquistas, fazer do mundo um espaço mais acolhedor para meu filho e todos os que dessas conquistas possam se beneficiar”, afirma.
O autismo é mais comum do que se pensa, segundo dados do Center of Deseases Control and Prevention (CDC), órgão do governo dos Estados Unidos, existe uma criança com autismo para cada 110 e estima-se que o número possa chegar a 2 milhões.
Para Samira Fonseca os números podem ser maiores. “O ponto principal desse dia é conscientizar acerca do transtorno do espectra autista, pois segundo estudos recentes uma a cada 50 pessoas enquadra-se no espectro, ou seja, pelos menos 70 milhões de pessoas no mundo são afetadas. Com a conscientização, esperamos que o mundo veja com outros olhos as pessoas que possuem dificuldade de interação social, diminuindo assim a ignorância e o preconceito”, explica.
Em diversas cidades do Brasil a data será lembrada com a iluminação em azul — cor do autismo — de vários prédios e monumentos importantes, qualquer pessoa pode contribuir com essa manifestação colocando uma luz azul no seu imóvel.
Samira explica que sete em cada dez pessoas afetadas pelo transtorno do espectro autista são do sexo masculino, por esse motivo a cor azul e a denominação carinhosa das pessoas autistas de “azuis”. “A luz azul traz um modo de expressão para milhões de pessoas serem vistas, já que o transtorno afeta, principalmente a comunicação social”, ressalta.
No ano passado, o Brasil iluminou com luz azul o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, a Ponte Espraiada em São Paulo, os prédios do Senado Federal e o Ministério da Saúde em Brasília, o Teatro Amazonas em Manaus, a Torre da Usina do Gasômetro em Porto Alegre, em Ribeirão Preto o Theatro Pedro II e outros imóveis.
Além das luzes distribuidas em imóveis da cidade, haverá divulgação sobre o autismo nas principais avenidas de Ribeirão Preto, exibição de filme sobre o tema, passeatas e um show com a DJ Bruuh.
A advogada acrescenta que este ano a população ribeirãopretana poderá ver muitos pontos iluminados. “Minha luz já está preparada, minha camiseta azul também”, diz entusiasmada.
No Brasil a campanha alerta as autoridades sobre a criação de políticas de saúde pública para o tratamento e diagnóstico do autismo. “Acredito que as medidas assistenciais devem assegurar, em conjunto com políticas públicas, inclusão, mediação, atendimento educacional especial e planejamento pedagógico, a farta superação dessas pessoas, para que possam assumir as rédeas de suas vidas e o pleno gozo de seus direitos humanos básicos e constitucionalmente previstos”, argumenta a advogada.
Direto das pessoas com deficiência
- Estacionamento preferencial
- Fila preferencial em bancos e repartições públicas
- Isenção de impostos de renda
- Isenção de impostos na compra de carro zero
- Cota de mercado de trabalho e universidades
- Programa de moradia para pessoas com deficiência
- Atendimento multiprofissional na área de saúde
- Direito a educação regular
- Pronatec
- Programa do Governo Federal Viver sem Limites (www.brasil.gov.br/viversemlimites)
Leis que regulamentam direitos de pessoas com deficiência:
- Estatuto da Criança e do Adolescente
- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
- Lei de Cotas
- Convenção Internacional das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência de 2006, ratificado pelo Decreto Presidencial 6949 de agosto de 2009 e tem força de emenda constitucional (art. 5º parágrafo 3º).
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Texto: Pâmela Silva
Fotos: Divulgação