A era dos aplicativos
O mercado de aplicativos para smartphones e tablets está em plena expansão, mas nem todas as pessoas conhecem as principais funções. Confira a tecnologia que pode ser acessada com a ponta dos dedos
Basta alguns toques na tela de um celular para que se consiga pagar uma conta com segurança. Com outro toque no aparelho, é possível fazer uma reserva para o jantar, encontrar o percurso mais curto de uma viagem e driblar os congestionamentos.
Esses são pequenos exemplos da revolução que os aplicativos vêm promovendo na rotina de milhões de cidadãos. São inúmeros os aplicativos (chamados de apps) que passaram a ser largamente utilizados e que transformaram a comunicação. Um dos mais utilizados atualmente é o WhatsApp. Esse e os outros apps surgem, diariamente, em diferentes áreas como finanças, qualidade de vida, lazer, cultura, gastronomia entre outros.
Já conhecidos mundialmente pela receptividade, os brasileiros aderiram a esse “boom” tecnológico. Atualmente, o país é o líder na América Latina e o sexto no mercado mundial. Hoje, a penetração de smartphones na população brasileira está próxima de 29%, praticamente um em cada três brasileiros usa um móbile (aparelho portátil).
Em um ano, cerca de 10 milhões de brasileiros, número equivalente à população de Portugal, passaram a integrar esse batalhão de pessoas que estão conectadas o tempo todo, sem estar na frente a um equipamento tipo desktop. Uma pesquisa anual realizada pela Google Brasil estima que existam no país 40 milhões de consumidores multitelas. Outros estudos apontam que o país chegará a 72 milhões de dispositivos nos próximos três anos.
O empresário, Ronan Morais Rocha, sócio-fundador da fábrica de software Heurys Tecnologia, diretor financeiro do Polo Industrial de Software (PISO) para gestão 2014-2015 e presidente-executivo do instituto Sevna revela que com US$ 1,5 bilhão de faturamento anual, o Brasil é o 11º país mais lucrativo do mundo no mercado de aplicativos. “O país tem um espaço e um mercado muito grande ainda para desenvolver no que tange a aplicativos para equipamentos móveis, responsável por 1,5% a 2% do total de downloads”, observa Ronan. A variedade de aplicativos para equipamentos móveis possibilita que o usurário possa desenvolver atividades pessoais e profissionais em qualquer ponto do planeta, desde que se encontre conectado à internet. De acordo com Ronan, profissionais podem levar suas apresentações em um tablet/smartphone, solicitar um táxi mais próximo sem ter que aguardar, traçar a melhor rota de deslocamento visualizando o trânsito, pesquisar os melhores restaurantes, hotéis, passagens, conectar nas redes sociais, trocar mensagens, postar fotos e tantas outras facilidades pessoais e profissionais.
O empresário explica que os apps surgiram da necessidade de criação de aplicações específicas para dispositivos móveis, que, no Brasil já são em maior quantidade do que o número de habitantes. “O grande diferencial desses dispositivos, em comparação aos computadores pessoais, é sua portabilidade e seu poder de congregar diversas possibilidades em um único aparelho. Uma vez que são portáteis tornam-se uma alternativa poderosa de entretenimento, uma vez que podem ser utilizados em qualquer lugar, como filas de banco, salas de espera ou meios de transporte”, sinaliza Ronan.
Um levantamento divulgado pela consultoria Internet Data Corporation (IDC) revela que o volume global de downloads de aplicativos móveis deve superar os 182,7 bilhões ainda este ano. A cada lançamento são designs diferentes, telas de melhor qualidade e plataformas que revolucionam a forma de lidar com os serviços expostos na rede. A mobilidade é a palavra do momento. Desta forma, os aplicativos, integrantes da chamada economia criativa, devem ser ferramentas que auxiliam o usuário final a executar as atividades com qualidade e rapidez, em qualquer lugar e a qualquer hora, na palma da mão. Ronan ressalta que é comum as pessoas consultarem seus dispositivos até 150 vezes por dia. “Gastamos cerca de duas horas, por dia, entretidos com esses produtos”, informa o empresário.
Desde que o celular trouxe à tona a praticidade da web, o mundo transita por uma constante evolução tecnológica. As crianças que nasceram no século XXI, por exemplo, já são alfabetizadas com o auxílio dos conteúdos digitais. Hoje, é incontável o número de pessoas que não se imaginam em um mundo desconectado e, muitos deles, têm dificuldades até em administrar a sua rotina sem uma “mãozinha” das ferramentas do momento.
É o caso do desenvolvedor de software Rafael Antonio da Silva, que aproveitou a experiência profissional para usar os aplicativos de forma vantajosa em sua rotina. “Alguns apps já se tornaram necessários para o dia a dia das pessoas e empresas. Muitos não ficam sem a rede social, sem postar fotos ou bater um novo recorde em games. Já no caso profissional, há uma economia de tempo, facilidade de comunicação e de envio de informações para empresas que aumentam a satisfação dos clientes “, explica.
Rafael avalia que o conceito de aplicativos é algo relativamente novo, comercialmente, referente a smartphones e a tablets. Todos os programas que são utilizados em microcomputadores e laptops também são aplicativos, pois são usados para um fim “aplicando facilidades e entretenimento”, no dia a dia, seja profissional ou pessoal.
Mesmo as pessoas mais idosas, sem experiência com as aplicações, utilizam esta nova tecnologia que surgiu, com mais intensidade, a partir de 2010. As pesquisas apontam que o brasileiro passa, em média, 84 minutos por dia usando o smartphone. Isso representa quase 15% a mais dos que os demais usuários que ficam aproximadamente 74 minutos com o aparelho nas mãos. Os dados foram revelados por um levantamento feito pelas empresas Conecta, Ibope e Win e apenas reafirma que os aplicativos se tornaram febre no Brasil. A tendência desse mercado que não para de crescer é produzir cada vez mais conteúdos para satisfazer as vontades dos aficionados pela tecnologia. Rafael revela que, em um mês, baixou de dez a doze aplicativos e diz que os mais atraentes são os games, as compras e as curiosidades, mas faz uma ressalva: sempre há uma segunda opção. “Embora prefira trabalhar com tecnologia e usar os aplicativos sempre que necessário, concentro-me na ideia que em alguns casos existem outras opções. Por exemplo, caso não haja um aplicativo bancário, iremos ao banco, se não existe aplicativos imobiliários, sempre haverá a imobiliária, mas é indiscutível que esses apps trazem mais conforto e facilidades”, comenta o especialista.
Vale ressaltar que os apps têm aplicações específicas. Além disso, é rápido e cômodo instalar aplicativos para cada função na tela inicial do celular e acessar em apenas um toque ao invés de navegar entre os sites. Lembrando que nesse segmento a variedade de apps disponíveis é a principal maneira para fidelizar os usuários. Quanto mais o aplicativo for consistente em suas informações e interagir com o usuário, com clareza e com alta performance, mais será utilizado. Atualmente, o usuário consegue comprar aplicativos, compara os desempenhos e escolhe, rapidamente, qual é o melhor, fazendo com que as empresas de desenvolvimento priorizem cada vez mais a qualidade e o aprimoramento dos produtos. Em 2013, o consumidor americano gastou uma média de 2h38 por dia em smartphones e tablets, sendo que 86% desse tempo (2h19) foi gasto em apps e 14% (22 minutos) navegando na web móvel. O motivo é que a experiência dentro de um aplicativo é bem mais agradável, além de possuir recursos como notificações, que acabam engajando ainda mais o usuário final. “Hoje, as pessoas incorporam os dispositivos móveis e os aplicativos em sua rotina. Não existe mais a hora certa, nem lugar certo. Os smartphones e tablets caíram no gosto das pessoas, que não largam seus aparelhos de jeito nenhum. Seja no banheiro, no quarto, na cama, na hora do almoço, antes de dormir, em situações até inimagináveis”, esclarece Ronan.

Com a tecnologia fazendo cada vez mais parte da vida das pessoas, a dica é aplicar o que ela tem de melhor no cotidiano. No caso dos aplicativos, que vão além das redes sociais, é possível não apenas usá-lo, mas também fazer dele um negócio rentável. Um exemplo de aplicativo que deu certo é o iFood, plataforma líder de delivery on-line de comida no Brasil, que permite a solicitação de pedidos de comida via internet e aplicativos móveis disponíveis nos sistemas operacionais iOS, Android e Windows Phone. Nas plataformas de smartphones, os consumidores conseguem selecionar os restaurantes que entregam no local desejado, consultar os cardápios e preços, e em seguida comprar sem a necessidade de ligações telefônicas. Atualmente, a empresa conta com mais de 5 mil restaurantes ativos e registra cerca de 400 mil pedidos mensais e valor transacionado anual de R$ 290 milhões aos restaurantes. O objetivo da rede é expandir o serviço para outras cidades e estados do País, atingindo mais de 10 mil estabelecimentos e redes de alimentação até o final deste ano.
Segundo o CEO do iFood, Felipe Fioravante, os apps caíram no gosto das pessoas devido a facilidade. Afinal, com poucos clientes o usuário pode ter acesso a todos os restaurantes da região e conseguem fazer o pedido on-line, sem ter linha ocupada. “A partir do iFood, observamos o crescimento tanto de usuários quanto de empresários que buscam essa ferramenta. Essa é uma mudança tecnológica que veio para ficar”, acredita Fioravante.
O empresário Felipe Alves de Lima, um dos sócios proprietários do Bendito Burger, conta que a empresa começou a utilizar a plataforma iFood em julho de 2014, meses após a inauguração da casa, onde começaram também a operar o sistema delivery via telefone. Segundo Felipe, com os dois serviços sendo usados paralelamente foi possível analisar os benefícios e características de cada método. O empresário constatou que, além do número de entregas aumentar em 20%, notou, também, que os pedidos via iFood possuem um ticket-médio maior que os pedidos realizados via telefone. “Acreditamos que este fato é explicado devido ao tempo e a facilidade a mais que o cliente possui para a escolha no site”, alega.
O empresário acredita que estar inserido em uma plataforma de delivery on-line é importante pela facilidade proporcionada aos clientes, que deixam de depender de imãs de geladeiras e papéis para encontrar o que pedir. Podem ainda dispensar o telefone e esquecer as filas de espera intermináveis até receber a comida. “Em um país onde o número de usuários da internet já passou o número da metade da população, destacando-se o uso de celulares para conexão à rede, torna-se crucial oferecer um serviço dentro deste universo on-line. Dessa maneira, o aplicativo torna-se extremamente interessante para nós e para nossos clientes, uma vez que a praticidade que este proporciona para ambas as partes é indiscutível”, alega Felipe.
Quanto à credibilidade dos clientes, Felipe é taxativo ao dizer que a partir desse método o cliente consegue efetuar o pedido com o mínimo esforço, mas faz um alerta. “A facilidade, já enaltecida, possibilita uma maior frequência de pedidos de um mesmo cliente, aumentando a credibilidade do estabelecimento. Por outro lado, a mesma facilidade que possibilita pode agir de maneira contrária, uma vez que esta permite ao cliente conhecer diversos cardápios e experimentar novos lugares de uma maneira muito mais simples e rápida que a tradicional”, observa o empresário.
O mercado de aplicativos até 2017, conforme pesquisas, deverá crescer 300%. Cerca de 60% de usuários de smartphones fazem compras pelo celular pelo menos uma vez por mês, ou seja, mais de 20 milhões de algum tipo de transação ou compra é feita por mês no Brasil. “É difícil estar fora de um canal de vendas tão potente como este. Acredito que a melhor dica é fazer está pergunta: o seu negócio deveria ter um aplicativo móvel?”, questiona Ronan. Felipe vislumbra o universo de aplicativos como algo muito amplo e variado, que tem proporcionado desde diversão até a oferta de funcionários para empresas dos mais variados ramos. “Creio que esta variedade e a usabilidade garante o crescimento do número de pessoas que se tornam usuários, já que com a utilização dos aplicativos é possível, em alguns casos, poupar tempo e até, muitas vezes, gastos com deslocamento como no caso dos aplicativos bancários e o próprio iFood, por exemplo”, analisa o empresário.
O mercado de desenvolvimento de aplicativos móveis se expande, consistentemente, e, no ano de 2013, atingiu uma receita global de 27 bilhões de dólares, com crescimento de 100% ao ano. Pesquisas recentes da Gartner preveem que o mercado represente US$ 77 bilhões em 2017. Ronan avalia que os empresários devem se atentar a evolução tecnológica, pois há um público muito grande consumindo apps móveis. “Se o público alvo está nessa condição, então é provável que o seu negócio deva ter um aplicativo”, finaliza.