A estação dos brancos
Versátil e refrescante, o vinho branco é uma ótima sugestão para o clima ribeirãopretano
De várias colorações possíveis — dourado, âmbar e amarelo limão são as mais comuns — os vinhos brancos têm sua origem, na maioria dos casos às uvas brancas, como Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Pinot Gris e Semillon. No entanto, muitas dessas bebidas possuem em sua composição uvas tintas. Isso é possível porque a retirada das cascas das uvas do mosto, antes da chegada aos tanques de fermentação, ajudará a determinar o tom do líquido final.
O controle da temperatura durante o processo de fabrição também é fundamental para determinar as características de cada vinho branco: temperaturas mais baixas produzem brancos mais frutados e com vida mais curta; elevando-se a temperatura, os vinhos se tornam mais longevos. Segundo o sommelier da Mercovino, Gleison Trevisol, é ideal que o vinhedo tenha um clima fresco durante a noite, o que ajuda a manter a acidez da uva e retarda seu processo de amadurecimento. “Além isso, vale ressaltar que poucos vinhos brancos vão aos barris de carvalho, sendo que 99% das fermentações são realizadas em tonéis de inox pressurizado para evitar o contato com o oxigênio”, explica.
Os brancos são vinhos com acidez e aromas mais evidentes que os tintos. Frutas frescas, como limão, pera, goiaba branca; e frutas maduras, como abacaxi e maracujá mais adocicado, são aromas comuns nos brancos, que também podem remeter a frutas secas, nozes e amêndoas ou a flores, como acácia e camomila. “Geralmente, o teor alcoólico dos vinhos brancos gira em torno de 12,5 a 13,5%”, lembra Gleison.
O sommelier acrescenta que a variedade de aromas e de sabores brasileiros é um bom motivo para apreciar o vinho branco. De acordo com o especialista, os tintos costumam carregar aromas característicos de frutas europeias, cuja presença no dia a dia nacional é mais limitada. “No caso dos vinhos brancos, esse grupo de aromas é muito mais familiar”, esclarece.
Os brancos costumam ser ótimas companhias para saladas, quiches, queijos, peixes e frutos do mar. Por serem leves e refrescantes, devem ser servidos em temperatura mais baixa que o vinho tinto — entre 6º e 12ºC, dependendo de sua origem. “Por causa do clima de Ribeirão Preto, de calor o ano todo, os vinhos brancos são excelentes pedidas. Além disso, eles possuem boa variedade de estilos, podendo ser mais encorpados”, conclui Gleison.
Confraria
“Na Confraria Amigos do Vinho e da Enologia (Cave), de Ribeirão Preto, temos o hábito de sempre iniciar a degustação com um vinho branco. Considero os brancos pouco prestigiados no Brasil, apesar de serem perfeitamente adequados ao nosso clima tropical. Sua harmonização com frutos do mar, saladas, frutas e massas costuma enriquecer qualquer encontro. Além do mais, vale reforçar que, com moderação, os vinhos fazem bem à saúde.” Woe Chan, médico.
Entre as principais regiões produtoras do vinho branco estão: Mosel, Rheingau na Alemanha; Casablanca no Chile; Califórnia nos Estados Unidos; Borgonha e Vale do Loire, na França.
Dica do sommelier
Vinho Juan Gil Moscatel: elaborado com a uva Moscatel, possui aromas florais adocicados, mas, na boca, é completamente seco e refrescante; suas uvas são colhidas mais cedo, produzindo um vinho mais ácido, leve e menos adocicado.
Raio x
• Os vinhos brancos têm acidez e aromas mais evidentes que os tintos.
• Geralmente, o teor alcoólico dessas bebidas gira em torno de 12,5% a 13,5%.
• A coloração do vinho branco transita entre amarelo limão, amarelo palha, o dourado, o âmbar e o castanho.
Vale a pena
Almadén Riesling, 2016: esse vinho é o best seller do Grupo Miolo, com perfil elegante, autêntico, persistente e refrescante Leyda Savignon.
Blanc Sauvignon Blanc, 2013: um vinho de grande complexidade aromática com notas florais e cítricas e sabores como hortelã, maracujá e damasco.
Louis Latour Chablis: de cor amarelo límpido, esse Chablis possui um aroma intenso e vigoroso, é uma vinho seco e encorpado com toques minerais.