A experiência da paternidade
De diferentes formas, mas com a mesma essência, Lucas Martorano, Nathaniel de Oliveira e Tiago Caparroz revelam de que maneira encaram a missão de ser pai
Era um domingo, exatamente o Dia dos Pais do ano passado, quando Lucas Martorano se viu diante da real possibilidade de se tornar pai. “Eu e minha mulher, Larissa, estávamos saindo da missa quando ela me contou da desconfiança de estar grávida. Eu insisti para que comprássemos o teste de farmácia e ela acabou aceitando, mas ficamos em dúvida quanto ao resultado. Na segunda-feira, logo pela manhã, fizemos o exame de sangue e deu positivo”, narra o empresário que, neste dia 12 de agosto, vai comemorar o Dia dos Pais com Lorenzo nos braços.
Lucas sempre quis ser pai, mas não imaginou que seria tão rápido. Logo no primeiro mês que ele e a mulher decidiram ter um filho, ela engravidou. “Fiquei muito feliz. Parecia que não era real o que estava acontecendo. A primeira coisa que fiz foi contar para os avós, pois sabia que eles também ficariam muito felizes. Eles esperavam ansiosamente por esse momento”, revela. Lorenzo é o primeiro neto nos dois lados da família.
Desde que descobriu que o filho nasceria em abril, Lucas torceu para que fosse durante a Semana Santa e foi exatamente assim que aconteceu. No domingo de Páscoa, Larissa foi fazer uma consulta e o médico resolveu fazer a cesária. “Eu estava muito tenso, mas desde o início já sabia que queria ver o parto”, conta o empresário. Preocupado com o bebê por conta de algumas complicações durante a gravidez, Lucas pôde assistir ao parto e, em seguida, pegar nos braços seu filho saudável, pesando quase 5 kg e parecido com o pai.
No dia 8 de agosto, Lorenzo completa quatro meses. Esse tempo já foi suficiente para mudar completamente a vida de Lucas e de Larissa, desde a rotina da casa até os programas do casal. “Mudamos o horário para dormir, redobramos a limpeza da casa, mudamos o local dos cachorros dormirem e alteramos a temperatura do ar condicionado. Nossos programas também são outros. Deixamos de viajar todo fim de semana e os bares, restaurantes e cinemas também estão suspensos por enquanto”, lista o pai, dizendo que, agora, tudo que vai fazer pensa primeiro no filho. “Com o nascimento dele, percebo também que houve mais amadurecimento. A percepção das coisas mudam, os valores são outros, a responsabilidade aumenta”, complementa.
O empresário procura estar presente em todas as atividades do filho, brincando, acompanhando nas consultas médicas, fazendo mamadeiras, levando para tomar vacinas e até dando banhos. Para ele, está justamente aí o melhor da paternidade. “Ser pai é poder se doar, é deixar de pensar em si mesmo em primeiro lugar para pensar em outra pessoa, é mudar de foco, é ver um pouco de você em outra pessoa, é se preocupar com o futuro, é sentir algo inexplicável. Só quem é sabe do que estou falando”, enfatiza.
Lucas pretende passar para o filho os valores que seu pai lhe ensinou: um homem tem que ter uma boa educação, o que engloba valores como honestidade, humildade e respeito. “Acho que educação começa dentro de casa, pois fora de casa o mundo já ensina muita coisa ruim. Não podemos controlar nossos filhos na rua. Se não tivermos um bom diálogo dentro de casa, eles acabarão seguindo caminhos diferentes. Também acho importante manter pessoas do bem por perto, pessoas que pensem como nós e que tenham os mesmos valores. Isso é fundamental para driblar os desafios na educação”, afirma. É com esse pensamento que Lucas pretende nortear a educação de Lorenzo e, provavelmente, de mais um filho, se tudo acontecer conforme o planejado.
Este também será o primeiro Dia dos Pais festejado por Nathaniel de Oliveira Junior no papel de protagonista. E a comemoração tem um gostinho especial. Maria Eduarda acaba de completar um ano, mas ela chegou na casa do representante comercial e de sua mulher, Patrícia, há seis meses. Antes disso, estava em uma pequena cidade do interior do Nordeste, onde nasceu. A pequena foi adotada quando estava com seis meses.
Nathaniel e Patrícia se casaram em 1996 e, depois de três anos juntos, resolveram que havia chegado a hora de ter um filho. Após algumas tentativas sem sucesso, partiram para uma investigação e descobriram que teriam alguns problemas a serem enfrentados. “Tentamos três fertilizações in vitro, todas frustradas”, relata Nathaniel, que naquela época era contrário à adoção. Porém, com o tempo, acabou aceitando a ideia, mas decidiu que faria isso quando estivesse mais próximo dos 40 anos.
E assim foi feito. O processo de cadastro para adoção foi iniciado em junho de 2009 e a habilitação saiu em março de 2011. “Ficamos chocados com a demora do cadastro. Ficava imaginando se essa demora iria se repetir em todo o processo. Se fosse dessa maneira, eu não seria pai e, sim, avô”, comenta brincando o representante comercial. Depois do cadastro feito, o casal aguardou o chamado do fórum para ir em busca da filha, mas não foi exatamente assim que aconteceu. Como eles optaram pelo cadastro nacional, contaram com a ajuda de amigos que já haviam adotado uma criança em um abrigo fora da cidade e partiram para a iniciativa particular.
Assim, com o contato deles na fila da adoção e em busca de uma menina recém-nascida, iniciou-se o processo, através de uma advogada, na comarca em que acabava de ser entregue uma menina para adoção. Eles ficaram aguardando a decisão da Justiça. Mesmo sem ter nenhuma informação das características da criança ou ver as fotos, o processo de adoção continuou correndo e, três meses depois, tiveram o primeiro contato com Maria Eduarda. “Foi emocionante. Minha esposa chorava e eu não sabia se a acudia ou se admirava a Maria Eduarda, aquele pequeno ser que escolhemos para ser a nossa filha”, conta Nathaniel.
O representante conta que a chegada da filha encheu de alegria e harmonia a vida da família. “Hoje, somos uma família completa”, frisa. Maria Eduarda foi assumida como filha legítima e não será rotulada como adotada. Nathaniel e Patrícia pretendem tratar o assunto abertamente com ela, dizendo que ela cresceu nos corações deles e não na barriga da mãe dela. O casal ainda está em êxtase com a primeira filha e não decidiu se pretende adotar outras crianças.
Nathaniel admite que criar um filho nos tempos de hoje não é fácil, mais educá-lo é ainda mais desafiador e isso requer não só conselhos, mas exemplos de vida. Ele quer basear a sua relação com a filha no diálogo e pretende aconselhá-la sobre ética, respeito, amizade, sexualidade e, o principal, segundo ele: educá-la seguindo os ensinamentos de Deus. “Ser pai é sentir um amor sem medida, incondicional, o maior e mais verdadeiro de todos. Um filho é a alegria da casa, o responsável por nossos melhores momentos, o maior prazer desse mundo”, declara.
Este Dia dos Pais não é o de estreia para Tiago Caparroz. Seu filho, Joaquin, está com cinco anos e, juntos, eles vivem uma relação intensa e não muito convencional. É que Tiago não mora com a mãe de Joaquin, tem a guarda compartilhada do menino, está sempre viajando, dividindo seu tempo entre Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e São Paulo, mas tem no filho a base para sua vida.
Tiago lembra bem quando a ex-namorada telefonou para ele, que estava em São Paulo, saindo para trabalhar, e disse que estava grávida. “Eu fiquei meio confuso na hora da ligação. Só depois me dei conta do que aquele telefonema realmente significava”, conta. Durante um ano, o empresário morou com a mãe de Joaquin, mas, depois, decidiram se separar. Sem o acompanhamento de advogados ou da decisão de um juiz, optaram pela guarda compartilhada, porém com a flexibilidade de mudanças de acordo com as necessidades ou as vontades do menino.
Esse esquema tem dado certo. O filho tem dias pré-determinados para ficar com o pai e com a mãe, mas tem a liberdade de alterar a agenda de acordo com suas preferências. “Nós orientamos o nosso filho para que ele expresse o que ele quer, o que ele está sentindo. Às vezes, até nos sentimos rejeitados, mas o que ele sente é mais importante”, pontua o pai, reforçando que é preciso ter maturidade e “estômago” para enfrentar situações desse tipo.
Quando está com o filho, Tiago participa ativamente da rotina do menino. Um dos programas preferidos dos dois é sair para comer. “Joaquin adora saladas e carne mal passada, mas gosta de fast food também. Ele diz que quer ser cozinheiro quando crescer”, diz o pai, que é chef de cozinha. Mas nem apenas de bons programas é feita a rotina de um pai. As vacinas são sempre acompanhadas por ele. Joaquin também é companhia frequente do pai durante o trabalho nos restaurantes.
Apesar da correria do dia a dia, Tiago faz questão de manter essa relação próxima com o filho. “O apego que o meu filho tem comigo é muito forte. Eu tenho uma relação muito franca com ele desde pequeno e isso é inexplicável. Não há nada que compense isso”, salienta o empresário, que luta para que o filho tenha como principal valor a liberdade de escolha, sem pressão da sociedade ou de qualquer pessoa que seja. “Para mim, a paternidade é a chance de passar para alguém muito importante tudo o que eu sou de uma forma melhorada”, finaliza.
Texto: Máisa Valochi
Fotos: Julio Sian e arquivo pessoal
Produção de moda: Pamella Turatti e Marcela Versiani.