A festa das letras

A festa das letras

Por oito dias, Ribeirão Preto se transforma em capital da leitura com a realização da 16ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto

Os vice-presidentes Nelson Jacintho e Edgard de Castro com a presidente da Fundação, Adriana Silva, organizaram a FeiraO município já faz a contagem regressiva para a 16ª edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, que acontece de 12 a 19 de junho. Nesse período, crianças, jovens e adultos são convidados a conhecer e a explorar mais de perto o maravilhoso e inusitado universo literário, que além de dar asas à fantasia e à criatividade, ainda enriquece suas vidas, conduzindo-os ao conhecimento. 

Mais uma vez, a população de toda a região, de cidades de pequeno porte, com poucas possibilidades de acesso à cultura e à leitura, ao livro e à escrita, é chamada a participar de um dos mais importantes eventos do interior, uma das sete maiores feiras literárias da América Latina, com apoio do Ministério da Cultura, do Governo do Estado de São Paulo, da Secretaria de Estado da Cultura e realizada pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. 

Este ano, a Colômbia, o “país das bibliotecas”, como é conhecido, será homenageada. Entre os autores celebrados estão Lygia Fagundes Telles, que é membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, escolhida como Escritora do Ano; a escritora e dramaturga Maria Clara Machado, como representante da categoria infantojuvenil; o filósofo, escritor e educador Mario Sergio Cortella, que se destaca na categoria autor-educação; enquanto a poeta,  trovadora e contista, Rita Mourão, será homenageada na categoria autor local. A Feira terá com patrono o empresário e fundador do Grupo Rodonaves, João Naves. 

Levando em consideração a necessidade de democratizar o acesso ao livro, a Fundação preparou uma programação gratuita e diversificada, com saraus, palestras, oficinas, contação de histórias, música, dança, teatro, exposições de livros, salão de ideias, além de outras modalidades. Apesar de continuar baseada na região da Praça XV, marco zero ribeirãopretano, serão realizadas atividades em diversos locais da cidade, como escolas, instituições, bibliotecas, praças, ONGs, universidades, museu, shoppings e centros culturais na periferia, chegando a beneficiar um público de cerca de 25 municípios da região. 

O patrono da Feira, João Naves, inspirado pelo convite, pretende se dedicar mais à leituraCom o tema “Viva o escritor, salve, salve o leitor!”, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto quer propiciar ao público o desenvolvimento do hábito da leitura. O foco estará voltado a discussões e análises sobre o papel do escritor e do leitor, assegurando espaço para debates fortemente literários, nos quais se destacarão o romance, o conto, a crônica e a poesia, evidenciando a evolução dos autores nacionais, premiados dentro e fora do país. 

Conforme o vice-presidente da Fundação, Edgard de Castro, uma das mudanças dessa edição do evento se refere ao direcionamento das atividades. “Havia uma crítica de que a Feira estava cada vez mais voltada às questões sociais, então tivemos a preocupação de resgatar a ênfase à literatura. Fizemos isso mudando a abordagem: partimos da produção literária para, então, chegarmos ao autor — procuramos dar destaque à obra”, comenta. 

Para essa edição foram selecionados autores experientes, que conquistaram vários prêmios literários para compor a programação da 16ª edição, como Laura Conrado, Rafael Montes e Deonísio da Silva, que participarão de debates e de atividades, tendo um contato direto com o público em geral. Segundo Edgard, outro fator que demonstra uma mudança de perspectiva na Feira é o fato de o evento estar mais afeito ao Ministério da Educação do que ao da Cultura, reforçando a ideia de despertar a necessidade da leitura e da formação de cidadãos.
 
O também vice-presidente da Fundação, Nelson Jacintho, destaca que o redirecionamento do evento à leitura, ao escritor e ao leitor é o grande mérito desta edição. “Acredito que isso favoreça a formação de um público leitor. Outro detalhe importante é a presença significativa de autores locais e regionais nas atividades. A Feira já não é mais um evento apenas local. Queremos mostrar nossos escritores e o que temos de bom”, ressalta Nelson, chamando a atenção para o fato de que Ribeirão Preto é considerada lugar de destaque da literatura brasileira.
 
Os números da Feira 

Rita Mourão: o sonho de uma vida realizado pela Feira do LivroA presidente da Fundação, Adriana Silva, ressalta que as grandes mudanças no formato da Feira do Livro ocorreram na edição de 2015. “Este ano, estamos seguindo o mesmo formato. Não retomamos o parque Maurílio Biagi, e o evento voltou a se concentrar na área central. Por conta disso e da redução do período do evento, de 10 para oito dias, o público na edição passada foi menor. Este ano, esperamos atrair o mesmo volume de pessoas, cerca de 280 mil visitantes”, comenta Adriana, acrescentando que, segundo a avaliação feita da última edição, apesar de menor, a qualidade do projeto se manteve.

O que realmente sofrerá uma queda significativa nessa edição, devido à crise econômica, segundo a presidente da Fundação, é o número de expositores, 50% menor em relação ao ano anterior. “Abrimos para os livreiros, como fazemos todos os anos, mas, pela realidade do mercado, fechamos contrato com 35 expositores, dos 60 que participaram em edições passadas”, explica Adriana, ressaltando que esse fato não é motivo para desânimo — é apenas um indicador de que nova alternativa deve ser apresentada ao público, o que será realizado na edição 2017. 

No total, 154 autores marcarão presença no evento. Serão oferecidas ao público mais de 250 atividades, considerando Mario Sergio Cortella se destaca na categoria autor educaçãoas agendas voltadas ao público infantil no Teatro Marista e no Arena Cultural.

Tendo em vista o novo enfoque da Feira, Adriana destaca que o público pode esperar, justamente, um encontro com o livro nesta edição. “A maioria dos escritores participantes é premiada em várias categorias. Outro detalhe é que resolvemos focar no texto muito mais do que no escritor. Fizemos isso na tentativa de não fomentar as relações midiáticas estabelecidas neste universo. O desejo é encantar o leitor para a obra do escritor”, define a presidente da Fundação. Para conferir a programação completa, o público pode baixar o aplicativo da Feira, disponível gratuitamente para smartphones Android e iOS.

Os mais premiados 

Joca Reiners TerronEntre os autores que se destacaram em concursos literários que serão apresentados pela 16ª Feira Nacional do Livro estão André de Leones, Guiomar de Grammont e Joca Reiners Terron. 

O goiano André lançou o primeiro romance, “Hoje está um dia Morto” que foi premiado no Prêmio Sesc de Literatura, em 2005. Posteriormente, lançou uma coletânea de contos e a novela “Paz na Terra entre os Monstros”. Entre suas obras destacam-se “Abaixo do Paraíso”, “Terra de Casas Vazias”, “Dentes Negros” e “Como Desaparecer Completamente”.

Guimoar é professora da Universidade Federal de Ouro Preto e doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou como curadora de bienais do livro nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, e participou de eventos literários internacionais, como as feiras de Bogotá (2012), Frankfurt (2015) e Salão do Livro de Paris (2015). É de sua autoria as obras “Aleijadinho”, “Aeroplano”, “Sudário”, “O Ignácio de Loyola BrandãoFruto do Vosso Ventre”, vencedor do Casa de Las Américas, em 1993, e o romance “Palavras Cruzadas”, que está concorrendo ao Prêmio Rio Literatura. Também já foi finalista do prêmio Cidade de Belo Horizonte, em 1995, e do Prêmio Faz Diferença do jornal O Globo, em 2008. 

Joca cursou arquitetura e desenho industrial, é o autor de “Não há nada lá” (2001) e do livro de poemas, “Animal Anônimo” (2002). Também escreveu os livros de relatos “Hotel Hell” (2003), “Curva de rio sujo” (2003), “Sonho interrompido por guilhotina” (2006), e os romances “Do fundo do poço se vê a lua” (2010) e “A tristeza extraordinária do Leopardo-das-Neves” (2013). Conquistou o Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira da Revista Cult por “Não Há Nada Lá” (2000), o Prêmio Machado de Assis de Romance da Fundação Biblioteca Nacional pela obra “Do fundo do poço se vê a lua” Carol Rodrigues(2010) e recebeu menção honrosa na categoria contos por “Curva de rio sujo” durante o Concurso Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte.

Outro ponto alto o evento é a presença de 10 vencedores do mais cobiçado prêmio das letras: o Prêmio Jabuti, nas categorias: romance, conto, crônica e poesia. Uma sessão que recebe o nome do prêmio aproximará Carlito Azevedo, Ignácio de Loyola Brandão, Fabrício Carpinejar, Alice Ruiz, Carol Rodrigues, Edney Silvestre, Cristovão Tezza, Menalton Braff, Lucília Junqueira de Almeida Prado e Isaias Pessoti do público local. A sessão Jabuti acontecerá, diariamente, às 14h, no auditório Meira Júnior.

Os homenageados 

Lygia Fagundes Telles é a escritora do anoA grande homenageada da Feira Nacional do livro de Ribeirão Preto foi indicada ao Prêmio Nobel de Literatura em 2016: Lygia Fagundes Telles, responsável por obras como “Ciranda de Pedra” e “As meninas”. Aos 92 anos, a autora tem obras traduzidas em oito idiomas, tendo sido eleita para a Academia Brasileira de Letras em 1985 e vencedora do Prêmio Camões em 2005. 

Na categoria literatura infantojuvenil, a escolhida foi Mara Clara Machado, uma das mais renomadas autoras do teatro infantil no país, autora de quase 30 peças e livros para crianças, além de três peças adultas. Entre suas obras, merecem destaque “Pluft, o fantasminha”, “A bruxinha que era boa”, “O cavalinho azul” e “A menina e do vento”. 
O autor-educação homenageado é o filósofo e mestre em Educação, Mario Sergio Cortella, que tem mais de 15 livros publicados. Ele trabalhou ao lado do educador Paulo Freire por quase 20 anos e foi secretário de Educação da cidade de São Paulo entre 1991 e 1992. Atualmente, é colunista da rádio CBN.
Maria Clara Machado, uma das maiores autoras do teatro infantil
Rita Mourão é a autora local homenageada. Ela é poeta, cronista e contista premiada. Sua história com as letras começou aos 56 anos, quando frequentou o Centro Supletivo Cecília Dutra Caran e, depois, o Magistério na Escola Estadual Otoniel Mota. No Grupo Flamboyant, dirigido pela escritora Ely Vieitez Lisboa, desenvolveu as aptidões literárias. É autora de cinco livros de poemas e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras, da União Brasileira de Escritores, da Academia da Educação e da União Brasileira de Trovadores. Rita, que acredita que poesia salva as pessoas e incentiva a prática da leitura, está muito feliz com a homenagem prestada pela Fundação: “A Feira me trouxe tudo que sempre busquei”, expressou. 

A Colômbia é o país homenageadoPatrono dessa edição da Feira do Livro, João Naves é criador e presidente da RTE Rodonaves. O empresário nasceu em Altinópolis e, aos 18 anos, mudou-se para Ribeirão Preto, onde trabalhou como vendedor de passagens de uma empresa na rodoviária da cidade, até perceber que havia uma demanda reprimida por serviços de entrega, abriu um box na própria rodoviária, comprou uma bicicleta de carga e começou a fazer entregas. Hoje, João conta com uma frota de 1.800 veículos, e aproximadamente 6 mil colaboradores diretos e indiretos, em mais de 150 unidades de negócios. No evento, o patrono falará sobre sua trajetória e sobre o livro biográfico Vida de Entrega. “Esse convite me deixou muito orgulhoso e também me motivou a trabalhar menos e a dedicar mais tempo aos estudos e à leitura”, ressalta o empresário. 

Texto: Carla Mimessi  |  Fotos: Júlio Sian e arquivo
Agradecimento: Colégio Pequeno Príncipe

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