A filosofia que semeia o bem

A filosofia que semeia o bem

O Templo Budista Tohoku Nambei Honganji comemora 40 anos, mantendo vivas as crenças e os costumes da colônia japonesa em Ribeirão Preto e regiã

No dia 28 de setembro, a comunidade budista se reuniu para celebrar os 40 anos do Templo Tohoku Nambei Honganji. Os festejos começaram pela manhã, com uma procissão de crianças com vestimentas típicas e participação do coral. A cerimônia prosseguiu com uma missa, momento em que os monges, como o reverendo Tadao Sawanaka, guia espiritual do templo desde julho de 1997, e Rimban Kensho Kikuchi, superintendente da missão sul-americana da Ordem Otani, tiveram a oportunidade de proferir algumas palavras e passar uma mensagem aos presentes. Houve, ainda, um ritual de iniciação das pessoas que, após um período de preparação, escolheram seguir os ensinamentos do Budismo.

Depois que a primeira etapa foi finalizada, uma pausa para o almoço de confraternização. O cardápio incluía pratos das culinárias japonesa e brasileira, e, seguindo a simbologia do aniversário, um bolo foi servido. No período da tarde, a programação foi voltada às artes e ao entretenimento, com apresentações de Taikô, os famosos tambores, e de Odori, tipo de dança ancestral, entre outras. O público ainda conferiu uma exposição de ikebana, que são os arranjos florais, e se divertiu com o karaokê. “Estamos felizes por completar quatro décadas de atuação em Ribeirão Preto, disseminando nossos costumes e conhecimentos, preservando essa herança tão preciosa dos nossos antepassados. Foi um dia de muita alegria e emoção”, afirma Fernando Yoshizane, presidente da Associação Budista de Ribeirão Preto.

O evento foi realizado graças ao empenho e ao apoio financeiro de colaboradores de Ribeirão Preto, Guatapará (Mombuca), Araçatuba, Franca, Barretos, Cristais Paulista, Jaboticabal, Ituverava, Miguelópolis, Piracicaba, Taquaritinga, Guaíra, São Carlos, Mogi Mirim, São Paulo, Nova Aurora e São Gotardo, que se mobilizaram para angariar a verba necessária. “Temos um sentimento de enorme gratidão por todos que se envolveram e se dedicaram, de uma forma ou de outra, para que essa comemoração se tornasse realidade. Eles nos ajudaram a valorizar e a perpetuar nossa cultura”, comenta o diretor do departamento jurídico do Templo, Getúlio Nakao. Segundo ele, tudo correu exatamente de acordo com o planejado e os presentes ficaram muito satisfeitos com a recepção. 

O casal Eliana e Henrique Mikami participou da solenidade. Ambos frequentam o local desde a infância. “É um laço com nossos pais e avós que não queremos perder. O Budismo, para nós, é uma filosofia de vida onde aprendemos, através do exemplo, que, para colher o bem devemos, antes de tudo, semeá-lo”, explica Henrique. Com a intenção de manter essa tradição viva nas próximas gerações, eles já levam as filhas, Larissa Sayuri e Luiza Tiemi Mikami, para se familiarizarem com os costumes e as atividades realizadas no espaço. “Desejamos que, desde cedo, elas compreendam a importância desse elo, para que valorizem nossas raízes, nossa origem, e, assim, possam dar continuidade a essa história”, completa Eliana. Os dois destacam a força espiritual, a serenidade e a capacidade de superar momentos difíceis, especialmente a perda de um ente querido, como os maiores tesouros dessa doutrina.


Um pouco da história

O Templo Tohoku Nambei Honganji foi construído através da iniciativa da colônia japonesa radicada em Ribeirão Preto e região, que queria prosseguir com suas tradições. A obra foi projetada por um técnico nativo, especialista no estilo de arquitetura nipônica. O teto, por exemplo, não apresenta nenhum prego em sua imponente estrutura de madeira. As peças são perfeitamente encaixadas, uma a uma. O espaço foi inaugurado, de fato, em 30 de março de 1974, com a presença de diversas autoridades.
O primeiro reverendo foi Fukashi Urabe, que ficou na cidade até 1997, quando foi transferido para São Paulo, tornando-se o superintendente da Missão Sul-Americana da Ordem Otani. 

Desde então, o Reverendo Tadao Sawanaka é quem ocupa o posto. Ele ficou conhecido por implementar, em 1999, as palestras e seminários ministrados em português, que são promovidos bimestralmente. Essa iniciativa aumentou de forma significativa a abrangência do Budismo na cidade. “Vivemos em uma época de transição. Devemos manter nossos princípios, mas, ao mesmo tempo, temos que acompanhar a evolução do mundo ao redor e nos adaptar à realidade em que estamos inseridos. Não podemos esquecer o passado, porém, também não é indicado ficar totalmente preso a ele. Pequenas mudanças, como as palestras em português, por exemplo, tornaram-se necessárias nesse contexto”, revela o reverendo Tadao. Fernando comenta os resultados obtidos através de ações como essa. “Hoje, vários monges são brasileiros. Nossos ensinamentos não ficaram restritos aos descendentes de japoneses. Estamos sempre de portas abertas a todos que se interessem pela nossa filosofia”, destaca Fernando. 

Entre as atividades regulares do Templo estão as cerimônias especiais de Ano Novo, de aniversário do Buda, de Finados e de Ação de Graças, além da celebração do Patriarca Shiran Shonin, fundador da Verdadeira Escola da Terra Pura. Há, ainda, o encontro das senhoras, as reuniões mensais e as oficinas de ikebana. O Templo fica na Rua Colômbia, 233. Informações pelo tel.: (16) 3626.3114. 

Sobre o Budismo
Existe um grande interesse da população em relação ao Budismo. Considerada uma das maiores e mais antigas tradições espirituais da humanidade, essa filosofia surgiu com base nas crenças e nas práticas de Buda, na Índia. A Verdadeira Escola da Terra Pura, que é a linha adotada pelo Templo de Ribeirão Preto, ensina que o despertar do indivíduo para sua condição humana é o caminho para encontrar o verdadeiro significado da vida e, assim, alcançar a realização, acabando com o sofrimento. “É um processo de introspecção, de autoconhecimento. O desafio é descobrir o que existe dentro de nós e trabalhar esse sentimento para atingir o equilíbrio. Com isso, estamos preparados para conviver em sociedade e, respeitosamente, ajudar ao próximo. Afinal, somos iguais. Todos devem ser gratos pelo dom da vida e exercê-lo em sua plenitude”, finaliza o revendendo Tadao.

* Publicado em 24/10/2014

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