A gestão do tempo
Com organização e empenho, é possível conciliar uma série de atividades profissionais e pessoais no dia a dia sem comprometer o bem-estar e a produtividade
Gerenciar o tempo é uma das tarefas mais difíceis da atualidade. A rotina repleta de atribuições e de responsabilidades traz à tona a sensação de que apenas 24 horas não são suficientes para cumprir todos os compromissos do dia. Viver ocupado parece inevitável e, mesmo assim, a lista de atividades pendentes não tem fim. Algumas pessoas sobrecarregam tanto as agendas com o que precisam fazer que, sem mais nenhum horário disponível, acabam deixando de lado sonhos, metas e novos desafios, tanto profissionais quanto pessoais. Outras, porém, lutam contra essa tendência e se esforçam para conciliar os dois lados de forma harmônica e equilibrada, aproveitando cada instante da melhor maneira possível.
Maria Candida Gil Fernandes Vitral conseguiu atingir esse objetivo. Formada em Publicidade e Propaganda com habilitação em Marketing, iniciou a carreira com estágios supervisionados e foi efetivada antes mesmo da conclusão do curso. Hoje, é uma das profissionais que compõem a equipe da NW3 Comunicação e tem um cronograma apertado, atendendo clientes com atuação em Ribeirão Preto e São Paulo, além de outras cidades no interior, no litoral paulista e no sul de Minas Gerais. “Sou uma executiva de contas, ou seja, minha função é estabelecer e cuidar da relação entre o cliente e a agência. Tenho que entender os processos de marketing da empresa, suas reais necessidades e expectativas”, descreve a publicitária. Com as informações em mãos, ela monta um briefing que será compartilhado com os outros departamentos da agência. A partir daí, todos juntam forças para traçar um plano estratégico personalizado para obter um resultado efetivo.
Apaixonada pela profissão, Maria Candida cumpre a carga horária, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h30, com prazer. Por isso, em 2004, ao ser convidada para assumir o posto de docente no Centro Universitário Barão de Mauá, aceitou o desafio de diminuir o descanso e prolongar o expediente. “No início, hesitei. Pensei que não seria capaz de desempenhar as tarefas em alto nível, mas me envolvi tanto com a vida acadêmica que o processo de adaptação aconteceu naturalmente. A troca de experiências com os estudantes é enriquecedora, assim como a união entre teoria e prática. Estou sempre atualizada”, revela. A publicitária chegou a ministrar aulas todas as noites.
Hoje, vai à faculdade duas vezes por semana, das 19h às 22h45. Nas lacunas dessa programação, ainda sobra tempo para buscar aprimoramento, em cursos e palestras, e para a prática de exercícios físicos. A bateria é recarregada principalmente nos fins de semana, ao lado da família e dos amigos. “Estou feliz. Não consigo mais me imaginar sem essa dupla jornada”, confessa.
Ao conciliar o trabalho de assessor de imprensa na Outras Palavras Comunicação Empresarial com o desenvolvimento da carreira de escritor e desenhista, Lucas Lourenço mostra que também encontrou uma fórmula para ser bem-sucedido nessa empreitada. “Gosto muito de ler, escrever e de estar bem informado. Por isso, quando fui prestar vestibular, o Jornalismo apareceu como a opção que mais se encaixava ao meu perfil. Desde pequeno, sempre desenhei. Fazia caricatura dos amigos, dos professores, criava ilustrações para blocos de carnaval, para trabalhos da escola e da faculdade.
Não tem uma explicação lógica para ter me envolvido com o universo das artes. É algo que faz parte de mim”, explica. Para ele, é normal ter uma rotina movimentada na assessoria e, depois de oito horas atendendo telefonemas de vários veículos de comunicação, redigindo textos, orientando os clientes em publicações e acompanhando entrevistas, chegar em casa e se dedicar às telas e aos quadros.
O serviço paralelo é realizado no período da noite e, boa parte das vezes, inclui o sábado e o domingo. “Porém, não faço nada em excesso. Consigo dosar bem as minhas tarefas e evito desgastes desnecessários, até porque o trabalho de desenhista é como uma terapia para mim. Ele mais me acalma do que me cansa”, comenta. O empenho tem gerado bons frutos. Através da divulgação nas redes sociais e em um blog, Lucas vendeu quase todas as peças que produziu no decorrer dos anos e incrementou a renda familiar. O plano é investir um pouco mais na área e inaugurar, em breve, uma loja virtual e uma fanpage. Para completar, o jornalista fechou, recentemente, um contrato com a agência literária Increasy. “Adoro escrever ficção e eles estão me ajudando na busca por uma editora para publicar um livro infanto-juvenil. São três carreiras distintas que, de alguma forma, se integram e me completam”, enfatiza Lucas.
Outra pessoa que sabe gerenciar bem o tempo é o médico Fábio Zola. Formado há 17 anos e exercendo a oncologia clínica há 14, o especialista atende em um consultório privado e no Hospital das Clínicas, o que resulta em, aproximadamente, 12 horas de trabalho por dia. Nos finais de semana, fica à disposição para resolver possíveis intercorrências e cuidar dos pacientes internados. Mesmo com tantas demandas, o especialista encontra um espaço na agenda para se dedicar a um esporte que exige máximo empenho e disciplina: o triathlon. “Comecei praticando a corrida, para ganhar mais qualidade de vida. Através de amigos e da minha esposa, Patrícia, acabei descobrindo o triathlon.
Para cumprir as provas, que envolvem corrida, natação e ciclismo, é necessário um forte preparo, não só físico, mas mental também. Sem concentração e estratégica é improvável que o atleta consiga concluir o desafio”, lembra Dr. Fabio. Essas características fizeram com que o especialista se interessasse de vez pelo esporte, que já pratica há seis anos.
Os treinos são feitos duas vezes por dia. O primeiro acontece por volta das 6h30 e o segundo, assim que o expediente termina. Quatro vezes por semana, o exercício é a corrida, três vezes é o ciclismo e duas vezes, a natação. O programa ainda inclui um rigoroso controle alimentar. “Entre as diversas opções de distâncias, adaptei-me às longas. Gradualmente, fui melhorando. Procuro me aperfeiçoar constantemente.
Embora treine bastante, ainda estou longe de ter uma performance de ponta. Apesar dessa ser uma modalidade de alto rendimento, a minha preocupação é apenas vencer os meus limites, cuidar da minha saúde e fazer novas amizades”, revela o médico. Mesmo assim, com as marcas obtidas junto ao ranking nacional, ele recebeu uma convocação da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTRI) para representar o país no Mundial na França, em 2013, na categoria 40 – 44 anos, e cumpriu o dever. “As condições climáticas estavam terríveis. A temperatura estava entre 5º e 10º graus, com risco de neve no caminho, o que é complicado para quem treina no calor de Ribeirão Preto, mas foi uma experiência memorável”, destaca o médico.
Este ano, decidiu não se inscrever nas provas do calendário oficial para direcionar os esforços para o campeonato Ironman. Fábio participou deste, que é considerado o maior evento de triatlhon do mundo, em duas oportunidades.
Completar o percurso de 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida foi uma vitória, que o estimulou a prosseguir. “O esporte me faz um bem enorme. Melhorou, inclusive, meu desempenho como médico. O tempo gasto nos treinos é facilmente recuperado, pois fico mais concentrado e disposto, gerando maior eficiência em tudo o que faço. Estou animado com as competições que virão pela frente”, finaliza Fábio.
Por uma rotina equilibrada
O coordenador do curso de Administração da Unaerp, Ricardo Donegá, é um conhecedor do assunto. Nas aulas, ensina aos alunos a importância de um plano de gestão bem elaborado na condução de negócios corporativos, levando em consideração todas as variáveis para garantir sábias decisões e estatísticas positivas nos mais diversos aspectos. Os conceitos ministrados na sala, ele aplica na vida para usufruir cada momento em sua totalidade. “O tempo é extremamente precioso, como qualquer outro recurso, e temos que tratá-lo como tal. Por isso, vale a pena reservar alguns instantes para investir em um planejamento. Eu, por exemplo, acordo às 5h para cumprir a minha agenda, dividindo minha atenção entre alimentação, exercícios, trabalho, amigos, família, lazer e descanso. Confesso que não gosto de levantar tão cedo, mas é justamente esse fator que me permite ter a dinâmica que escolhi para mim”, esclarece Ricardo.
Porém, de nada adianta marcar atividades de minuto a minuto e não realizá-las. Para quem está em busca desse domínio consciente e responsável do tempo, o coordenador dá algumas dicas. “O primeiro passo é se conhecer, ser verdadeiro consigo mesmo. Só assim o indivíduo vai ter a capacidade de estabelecer seus reais objetivos e distribuí-los durante o dia. O foco e o comprometimento para atingir as metas também são essenciais. Se for para fazer de qualquer jeito, sem a devida ponderação, organização e determinação, é melhor nem começar. Caso contrário, o sentimento de frustração acaba surgindo”, declara.
O processo deve acontecer de forma gradativa e saudável, visando o bem-estar e não a estafa. “Temos que ter tempo para nos alimentar corretamente, para dormir, para ficar no sofá vendo TV, para sair com os amigos, para ler um livro ou para não fazer absolutamente nada”, completa Ricardo. Segundo o professor, esse contrapeso é fundamental para conquistar o equilíbrio em uma rotina agitada.
Por fim, o professor ressalta a questão dos limites. “É fato que nem sempre conseguiremos desempenhar todas as funções que nos propomos. Nessa hora, é preciso ter maturidade para reconhecer e respeitar as nossas restrições naturais. Tirando um pouco o pé do acelerador ou pedindo ajuda para não se perder em meio a tantos compromissos, é possível analisar o cotidiano sob outra perspectiva, repensá-lo e, assim, montar uma agenda sob medida para garantir a realização plena. O tempo é uma variável dada pelas circunstâncias que criamos. Temos que aprender a lidar com ele e não confrontá-lo, pois, com certeza, perderemos”, conclui.
Texto: Paula Zuliani