A luta decisiva pelo voto
Apenas em Ribeirão Preto, são mais de 443 mil eleitores inscritos no Tribunal Superior Eleitoral

A luta decisiva pelo voto

Na Região Metropolitana de Ribeirão Preto, mais de 50 candidaturas foram registradas junto ao TSE; especialistas comentam dificuldades pela renovação no quadro político do país

Na região de Ribeirão Preto, mais de 50 candidatos estão na disputa das eleições de outubro de 2018, que elegerá deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores de Estado e presidente da República. A concorrência conta com 1,6 mil aspirantes a uma vaga para Câmara Federal e outros 2 mil a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Só em Ribeirão Preto, eles buscam conquistar os mais de 443 mil votos dos eleitores registrados no município. 

Das 54 candidaturas lançadas na Região Metropolitana, 21 são para deputados federais e 33 para estaduais. Dessas, foram apontadas apenas nove inscrições de mulheres, quantidade bem menor do que os 30% cobrados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que os partidos e coligações registrem suas chapas em todo o Estado. No eleitorado de Ribeirão Preto, de acordo com o TSE, 53,8% dos votantes são mulheres e os outros 46,2% 
são homens. 

Para o advogado Renato Ribeiro de Almeida, especialista em Direito Eleitoral, é preciso que ocorra uma mudança na mentalidade da sociedade para que as mulheres sejam mais estimuladas a participar do processo eleitoral. “Pode ser que ocorra desproporcionalidade na região, o que não configura nenhum ilícito, desde que os partidos tenham observado esses 30% no estado. Eu sou muito crítico com essa questão porque, apesar de todas as campanhas, a participação feminina ainda é pequena. É necessário incentivar as mulheres a participarem cada vez mais da política. Isso é mais do uma questão jurídica, é sociológica”, analisa Almeida.

O especialista ainda aponta as dificuldades de renovação que o processo eleitoral enfrenta em 2018, em razão do tempo curto de campanha, que, desde as últimas eleições municipais, em 2016, caiu pela metade, de 90 para 45 dias, após alterações na legislação. Renato lembra que a rigidez das campanhas também impede que um novo quadro político seja formado. “É difícil falar em renovação com uma campanha de 45 dias e tamanhas restrições. Não se pode mais utilizar uma série de recursos que tornavam o candidato mais conhecido e hoje são proibidos. Isso favorece quem já é muito conhecido, está no exercício do mandato ou têm bastante visibilidade, como é o caso de artistas e jogadores de futebol, que sempre saem na frente porque já são conhecidos do grande público”, observa o advogado.

Já o cientista político José Elias Domingos ressalta que, além do pouco espaço para novos nomes se apresentarem, os rostos, ao menos na política ribeirãopretana, são os mesmos, o que dificulta o surgimento de novas ideias na política, já que muitas candidaturas são de pessoas já conhecidas da vida pública no município. “Notamos que não há tanta oxigenação em termos de apresentação de novos candidatos. Temos algumas candidaturas que até são interessantes, justamente por serem inéditas e com propostas que nós enquadraríamos como inovadoras, mas são poucas”, relata Domingos, reforçando que, na sua opinião, isso é nocivo porque não há uma quebra de antigos vícios que se perpetuam na região.

De acordo com as listas de candidatos apresentadas na região, cinco são políticos que buscam a reeleição, seja para a Alesp ou para a Câmara Federal. Além disso, há postulantes bastante conhecidos das urnas, candidato que já disputou o pleito em outras quatro ocasiões e, também, quem já foi prefeito e vereador em seus municípios.

José Elias acredita que esse panorama possa ter relação com o descrédito com a política observada no país nos últimos anos, em razão dos casos de corrupção noticiados, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2016, com números recordes de abstenção. Ribeirão Preto, entre os municípios que tiveram segundo turno, foi a que apresentou a maior quantidade de eleitores ausentes. Na ocasião, 120 mil pessoas não foram às urnas, o equivalente a 27,6% do total dos eleitores cadastrados. “Ribeirão Preto acaba captando um reflexo nacional, em que boa parte dos eleitores não quer votar. Eles não veem opção de candidatos ou não têm muito interesse por essa prática democrática representativa, que é o voto. É difícil afirmar que a abstenção tenha conexão direta com a não-renovação dos candidatos, mas notamos essa relação”, conclui o cientista político. 

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