A minúcia dos detalhes

Após alguns anos sem exercer um dos seus maiores sonhos o artista plástico Irineu Fernandes retoma as atividades com a exposição “Uma Semente Por Issis Roda”

Grafite, giz pastel, aquarela e lápis de cor são alguns dos materiais que remetem ao trabalho do artista plástico Irineu Fernandes. Dos primeiros rabiscos em papeis encontrados pela casa aos importantes trabalhos e exposições, Fernandes não perdeu o desejo de mostrar seus trabalhos a todos que estiverem dispostos a admirar a arte realista.

Com inspirações hiperrealistas (gênero de pintura que se aproxima da fotografia) Fernandes revela que ainda tem um longo caminho para trilhar até assemelhar-se as obras dos artistas deste gênero.

Em entrevista ao Portal da Revide, Irineu fala sobre suas obras, o contato com Issis Rodas e a exposição em homenagem ao artista que foi a inspiração para inúmeros trabalhos.

- Quando a arte começou a fazer parte da sua vida?
Irineu: Comecei a desenhar muito cedo, rabiscava em qualquer papel que estivesse ao meu alcance e já tinha comigo a crítica quanto à falta de realismo em meus traços. Mas só fui compreender que o que eu fazia era arte quando me tornei aluno do Issis na Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí, na década de 80.

- Você sempre trabalhou com artes plásticas?
Irineu: Na verdade, na arte plástica sou autodidata, sempre desejei aperfeiçoar meus trabalhos e para isso focava em alguém ou algum trabalho que despertasse interesse, com o intuito de aprimorar meus desenhos.

- Quais os tipos de arte que você trabalha?
Irineu: Me identifico muito com o grafite, porém gosto dos efeitos do nanquim e faço alguns estudos com outras técnicas como giz pastel, lápis de cor, aquarela e também já fiz trabalhos a base de tinta óleo ou acrílica sobre tela.

- O que a arte significa para você?
Irineu: Costumo dizer que a arte realista é o mais próximo que Deus nos permite chegar da criação divina. Lembrando que quando digo arte realista me refiro a toda forma de expressão artística.

- Onde você busca inspiração?
Irineu: Busco inspiração na perfeição dos trabalhos “hiperrealistas” de profissionais como Nelson Alves, Hélio Brilhante e o escocês Paul Cadden entre muitos outros.

- Como você vê a sua arte?
Irineu: Hoje meus trabalhos me agradam bastante, mas ainda falta muito para alcançar meu objetivo que é o hiperrrealismo.

- Qual a sua opinião sobre a pintura atualmente, uma vez que a era digital trouxe inúmeras possibilidades para esta área?
Irineu: A pintura artística está sendo engolida pela pintura digital que, além de muito atrativa, apresenta um mercado de trabalho rentável.

- Qual mensagem você deixa para os novos artistas plásticos?
Irineu: Mesmo que existam oportunidades vantajosas a serem consideradas no decorrer da vida, nunca abandone seu talento. É sempre possível conciliar uma atividade prazerosa a outra vantajosa.

- Qual o objetivo da exposição “Uma Semente por Issis Roda”?
Irineu: Meu objetivo é homenageá-lo e disseminar seus princípios que eram incentivar novos talentos e divulgar a arte plástica.

- Qual a técnica usada nas obras expostas?
Irineu: São 22 obras a grafite em papel, material nacional encontrado em qualquer papelaria.

- Qual exposição marcou mais sua carreira?
Irineu: Uma exposição organizada por Issis Martins Roda, de apenas um desenho à nanquim, na Casa da Cultura de Jundiaí. Ainda guardo o desenho intitulado “Caravela”, junto com o certificado de participação assinado por ele.

- Na sua opinião, o que seria prioritário fazer para divulgar ainda mais as artes plásticas no Brasil?
Irineu: Um maior incentivo, disposição de centros culturais para possibilitar formação e espaço para os aspirantes a artistas plásticos mostrarem e interagirem com os profissionais, pois este incentivo é uma experiência única e já foi comprovado pelo mestre Issis Martins Roda que funciona.

A exposição pode ser vista até o dia 17 de agosto no Centro das Artes em Jundiaí – SP.

Revide On-line
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Irineu Fernandes

Compartilhar: