A moda na decoração
De alguns anos para cá, moda e decoração passaram a seguir uma trajetória semelhante
De alguns anos para cá, moda e decoração passaram a seguir uma trajetória semelhante. O caminho é percorrido em perfeita harmonia, já que dentro dos dois segmentos há um público consumidor ávido por novidades e profissionais talentosos na busca constante por conceitos diferenciados para oferecer ao mercado. Asssim, as tendências de um, em cores, texturas e formatos, servem de inspiração e podem ser tranquilamente adaptadas ao outro. Essa estreita relação, criada através de colaborações criativas entre a indústria têxtil e o ramo moveleiro e de ornamentos, tem gerado resultados positivos. Hoje, está cada dia mais frenquente conferir um lançamento de uma linha de móveis assinada por um estilista ou identificar no trabalho de um arquiteto elementos característicos da moda. Há, ainda, renomadas marcas de vestuário que imprimem sua identidade nas próprias coleções voltadas à residência.
Graduada em publicidade pela Unaerp, em Negócios da Moda pela Anhembi Morumbi e pós-graduada em Varejo de Moda pela FAAP, Alessandra Perlatti trabalha nessa área há 12 anos e explica que a interação entre esses segmentos é bem vista e considerada extremamente natural. “Existem tendências específicas para cada mercado, mas as novidades relacionadas ao design são basicamente as mesmas. Por ser extremamente difundida, a moda do vestuário tende a ser a referência, mas o contrário também ocorre. As grandes feiras acontecem duas vezes ao ano e são aguardadas com ansiedade. Nelas, são apresentadas as tendências de primavera/verão e outono/inverno. Entretanto, durante esse período, muitas outras novidades são lançadas e testadas. A permanência delas em evidência depende da resposta do público. O mesmo acontece com a decoração, mas com algumas diferenças sutis. Por exemplo: a moda é mais efêmera e tem mais liberdade para ousar em alguns sentidos, enquanto a decoração lida com produtos de consumo mais duradouros e, portanto, tende a investir na inovação de forma mais singela, nos detalhes”, aponta Alessandra.
Atualmente, entre tantas tendências apresentadas nas passarelas, a especialista destaca três que vieram com tudo: blocos de cores, incluindo as estampas, rendas e couro. Segundo Alessanda, as cores fortes e alegres estão indiscutivelmente em alta. Elas podem ser usadas em conjunto, desde que haja harmonia na composição. As estampas também marcam presença e não são nada discretas. Nas vitrines e nas araras das lojas é possível conferir peças com listras, além de desenhos de flores, de frutas, de animais, entre outros. Tudo muito colorido. Quanto à textura, os elementos artesanais, como renda, tricô e crochê, e o couro texturizado com estampas de animais, como cobra e crocodilo, chamam a atenção. As mesmas novidades apontadas pela profissional do mundo da moda já estão nas lojas de móveis e de decoração de Ribeirão Preto.
Na Casa de Família, as cores predominam. Verde, azul, amarelo e coral, por exemplo, aparecem nas porcelanas, nos cristais e nas cerâmicas. Os tecidos e as lacas também ganharam novos tons, fazendo, assim, com que haja opções para cada cantinho de todos os cômodos da residência. “As tendências são indispensáveis nesses dois segmentos. Do mesmo jeito que acontece na moda, a decoração é uma forma de expressão pessoal e comportamental ligada à emoção. Refletem estilos de vida. Esses sentimentos e essa visão artística mudam e, por isso, temos novidades no mercado constantemente. Agora, as cores ganharam espaço, dando um novo ar aos ambientes”, comenta Valéria Rebehy. Segundo a empresária, é interessante constatar o grande interesse dos clientes pelo assunto. “Eles fazem questão de comparecer à loja para checar de perto os lançamentos”, conclui.
Já na ACB Casa, os materiais artesanais, de diversas cores e modelos, são a tendência que encantam os consumidores atenados. Segundo a empresária Rosângela Botelho Ferandini, esses elementos valorizam peças como almofadas, cortinas, colchas e mantas para o pé da cama. Podem ser utilizados, ainda, como revestimento de móveis, como poltronas e sofás, e até papel de parede, deixando os espaços mais aconchegantes e exclusivos. “Pesquisar e investir para estar em um ambiente agradável e bonito sempre vale a apena. Por isso, hoje, ‘vestir’ a casa, acompanhar a moda da decoração, já não é apenas sonho. Tornou-se uma realidade para pessoas de bom gosto que fazem questão de expressar a personalidade, tanto nas peças do closet quanto na ornamentação da casa. Com apenas algumas mudanças é possível promover uma verdadeira renovação, deixando o local mais atual”, explica.
Stélio Robusti, que está à frente do Grupo Robusti, também é adepto dessa integração entre moda e decoração. “Os dois setores caminham em sintonia, interligados um ao outro. Ao meu ver, essa relação é totalmente benéfica, já que cria um dinamismo estimulante”, afirma o empresário. Em suas lojas, o conceito da passarela que melhor se enquadra é o uso do couro. “O couro é um clássico, ou seja, na verdade, ele nunca sai de moda na decoração porque imprime sofisticação ao mobiliário, além da beleza, da resistência e da durabilidade. Porém, o que varia de acordo com as temporadas são as formas de apresentação e de aplicações”, ressalta Stélio. As versões apresentam diferenças nas cores, tonalidades e texturas: lisos, crocos, macios, rígidos, naturais tingidos ou com brilho. Para finalizar, o empresário lembra que o couro pode vir em pequenas proporções, como em tampos de móveis ou assentos de cadeiras, ou de forma imponente, revestindo por completo poltronas e sofás.
Texto: Paula Zuliani
Fotos: Julio Sian