A nova geração da Arquitetura
Professores e alunos discutem as mudanças na formação desses profissionais e as expectativas para entrar no mercado de trabalho
A Arquitetura é uma carreira extremamente importante, principalmente em uma cidade que possui o setor imobiliário tão aquecido quanto Ribeirão Preto. O número de lançamentos cresce a cada dia, assim como a demanda por profissionais da área. Para dar continuidade a esse processo, garantindo que esse ritmo perdure e que o alto nível de qualidade dos empreendimentos seja mantido, é preciso investir na capacitação de quem, em breve, vai entrar nesse mercado de trabalho. A cidade conta com três instituições de ensino superior que disponibilizam esse curso: UNISEB COC, Centro Universitário Barão de Mauá e Centro Universitário Moura Lacerda. A Revide convidou o coordenador do curso e um aluno de cada uma delas para discutir a evolução dos conceitos ensinados em sala de aula nos últimos anos.
César Muniz se formou em Arquitetura e Urbanismo em 1986. Hoje, é professor e coordenador do curso na UNISEB COC. Segundo ele, muitas matérias básicas do seu tempo continuam na grade. Porém, há novidades. Entre os temas emergentes estão a acessibilidade, a mobilidade urbana e a sustentabilidade sócio-ambiental. “Antes, víamos isso de maneira mais difusa. Agora, esses itens são essenciais para o desenvolvimento de um projeto”, afirma César. O coordenador ressalta, ainda, outra diferença no sistema de ensino. “A proporção entre teoria e prática foi alterada pouco a pouco. Os estudantes têm várias aulas expositivas. Entretando, a prática ganha cada dia mais espaço. O professor chega com um problema e, através de simulação, os futuros arquitetos encontram a solução. Esse método traz uma dinâmica diferente para as aulas: proporciona agilidade, análise rigorosa das possibilidades, flexibilidade e criatividade, elementos essenciais para quem quer se tornar um bom arquiteto. Porém, a formatura é apenas a conclusão de uma etapa. Para se destacar, o profissional deve continuar estudando”, explica César.
Tito Ceci de Sena é um dos alunos do UNISEB COC. O jovem, que está no terceiro ano, é filho de arquitetos por formação, mas que não exercem a profissão. Por isso, consegue perceber claramente o quanto a arquitetura evoluiu comparando o que os pais aprenderam e o que ele estuda. Um exemplo é a tecnologia. Há alguns anos, para criar um projeto, o único recurso era o papel, a caneta e o lápis para desenhar. No máximo, os profissionais contavam com uma maquete. Hoje, com os computadores modernos, existe uma infinidade de ferramentas para se trabalhar. Entre as áreas em que um arquiteto pode atuar, o estudante ainda tem dúvidas de qual vai seguir, mas confessa que o desenvolvimento de projetos e o design são as suas favoritas.
O arquiteto e urbanista José Roberto Geraldine Junior, que atua nesse ramo há 17 anos, está à frente do curso do Centro Universitário Barão de Mauá. O coordenador e professor comenta que a procura pelo curso tem sido alta desde 2003. “O aquecimento da construção civil, impulsionado pelos incentivos governamentais e pelas baixas taxas de juros, faz com que os jovens busquem o desenvolvimento profissional. Por ano, em média, são 45 formandos. A perspectiva é de crescimento em 2015, em função do aumento do número de turmas”, adianta. Para Geraldini, a cidade só tem a ganhar com os novos profissionais. “Eles são jovens, cheios de expectativas, dominam os recursos digitais e têm a habilidade para realizar diversas tarefas simultaneamente. Com o domínio do conteúdo e da técnica, aliado a uma visão global, esses alunos vão conquistar seu espaço. Estão dispostos a resolver os graves problemas urbanos e ambientais que a cidade enfrenta há décadas”, avalia Geraldini.
A aluna da Barão de Mauá, Jacqueline Barbosa Gonçalves, está no quinto e último ano da graduação. Ela afirma que essa nova geração vai fazer a diferença. “Criaremos formas alternativas para oferecer mais conforto e promoveremos o bem-estar urbano. Seremos a geração que se preocupará mais com a qualidade de vida das pessoas e a relação com o meio em que vivem através do planejamento adequado dos seus espaços”, define. Para executar e praticar o que aprende no curso, Jacqueline buscou um estágio. “A parte acadêmia precisa ser reforçada pelo estágio. Estar inserida em um contexto de trabalho dá mais embasamento para encarar os desafios que estão por vir”, explica a estudante. Sobre a área que pretende seguir, ela ainda tem dúvidas, mas indica o urbanismo como uma grande paixão.
Coordenadora do curso do Centro Universitário Moura Lacerda, a aquiteta e urbanista Ruth Montanheiro Paolino é formada há 30 anos e leciona há 25. Para ela, ser arquiteto é ser, ao mesmo tempo, um artista e um técnico, passional e racional, imaginativo e lógico, um profissional capaz de traduzir sonhos em formas e espaços, capaz de criar ilusões, sensações, proporcionar conforto e segurança através de seus projetos. “Para realizar isso, o arquiteto deve ter responsabilidade: com o usuário do espaço, com sua segurança e seu conforto. Isso se concretiza com o dimensionamento correto dos ambientes, do mobiliário, da iluminação própria, entre outros fatores. Responsabilidades com a história e a cultura e com as questões sociais que valorizam a cidade, o espaço público e o coletivo”, conclui a coordenadora.
Natália Baldo Marques cursa o quinto ano da faculdade no Moura Lacerda. Perto da conclusão do curso, a jovem se diz preparada e ansiosa para iniciar a vida profissional. “A expectativa é ser bem-sucedida e obter reconhecimento na profissão que escolhi. Desde cedo gostava de Arquitetura. Conferia projetos em revistas, adorava visitar as obras, ficava analisando e tentando entender como as construções eram projetadas. Essa profissão ajuda as pessoas, tanto no conforto urbanístico da cidade, quanto na realização do sonho da casa própria, por exemplo. Essa nova geração terá muitos desafios pela frente e acredito, sinceramente, que estamos aptos a assumir nosso lugar no mercado de trabalho”, finaliza Natália.
Texto: Paula Zuliani