A nova Ribeirão
A zona leste vem chamando a atenção no setor imobiliário
Ribeirão Preto cresce a cada dia que passa e já não é de hoje esse notório crescimento, tanto entre os habitantes quanto no cenário nacional. A expansão da zona sul é uma realidade, sendo considerada a região mais nobre de Ribeirão. Porém, em outro canto da cidade, há um desenvolvimento que vem chamando a atenção, principalmente no setor imobiliário: a zona leste.
Por mais de uma década, a região passou por estudos ambientais sem aprovar muitos empreendimentos, e visto que o local possuía ótimas áreas, certificou-se então que há excelentes vazios para o desenvolvimento urbano. Hoje, a zona leste é a única região do município planejada e com uma estação de esgoto somente dela.
Igualmente a sul, a zona leste tem sido palco de muitos investimentos. Quem explica isso é o engenheiro civil José Batista Ferreira, diretor da Costallat Engenharia e Conselheiro do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon-São Paulo). “As pessoas estão atentas às tendências de crescimento e valorização, e afirmo que a zona leste será a região de maior valorização nos próximos anos”, diz.
Segundo ele, a valorização da zona sul já ocorreu, diferentemente da zona leste, que está planejada e com anseios de desenvolvimento e maior valor. O Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (DAEE), por exemplo, está responsável pelo monitoramento de todos os poços de água existentes na região outorgados ou não.
“O maior crescimento será nos próximos dois anos”, ressalta Batista. “Empresas já compraram quase todas as áreas - vazios urbanos, e já estão projetando e aprovando novos empreendimentos”. Com isso, o resultado implica – dentro de cinco anos – na formação de uma nova Ribeirão como ocorreu na zona sul, porém, com baixo fluxo de veículos. Outro fator a ser destacado são as reservas verdes da região, pois leis municipais exigem quase o dobro dessas áreas, sendo no mínimo 35% da propriedade. Obedecendo a tais critérios, a zona leste será uma região mais verde, fresca e bonita.
Outra questão referente ao surgimento da nova Ribeirão se trata das obras de malha viária de grande proporção decorrentes da expansão imobiliária. A duplicação da Avenida Henri Nestlé é um exemplo, pois a obra visa uma interligação com a Avenida Guadalajara, no bairro Lagoinha, passando pela Via Anhanguera. A duplicação é necessária para desafogar o trânsito dos bairros da zona leste e deve ser entregue pela Prefeitura Municipal ainda este ano. O viaduto a ser construído sobre a Anhanguera deve começar no ano que vem, segundo o Estado.
Expansão imobiliária x Aquífero Guarani
O segundo maior reservatório de água doce subterrânea do mundo, o Aquífero Guarani (a maior reserva de água potável é o Aquífero Alter do Chão), está sob 70% de terras brasileiras, além de avançar fronteiras e chegar ao Uruguai, Paraguai e Argentina. No Brasil, a maior parte do reservatório fica no subsolo do centro-sudoeste e abrange São Paulo e mais sete estados.
Esse enorme manancial está debaixo de Ribeirão Preto, mais especificamente na zona leste da cidade. Devido a isso, qualquer interferência humana de forma errônea pode poluir o Guarani, o que gera questões divergentes entre a proteção do aquífero e a expansão urbana do local.
Em 2008, o Ministério Público abriu o Inquérito Civil Público nº774/08 visando uma análise das condições da área para estabelecer diretrizes quanto ao uso e à ocupação do solo. Frente a isso, foi criado o Grupo de Trabalho da Zona de Uso Especial (GT – ZUE). A equipe formada por diversas secretarias municipais, técnicos de órgãos ambientes, departamentos, institutos, associações, entre outros, montou um relatório técnico do Grupo de Trabalho, concluído em 09/06/2010, estipulando diretrizes ambientes e urbanísticas para o plano diretor (ZUE).
Batista explica que a melhor proteção para o Aquífero Guarani é a urbanização dos vazios. “As cidades, segundo a Constituição Brasileira, não podem crescer deixando vazios urbanos como existem na região. Agora, com um rápido desenvolvimento, isso será corrigido”. A afirmativa se trata também da resolução de carências urbanísticas e necessidades da zona leste com novidades no setor imobiliário.
Para preservar o Aquífero Guarani, 35% da zona leste serão de área verde. Aliado a densidade demográfica muito baixa da região – exigida por leis –, a urbanização se resume em planos de habitar 650 pessoas por hectare (dez mil metros quadrados), implantando quatro prédios de oitos andares numa área de 100 por 100, por exemplo. Assim, 50% de área se destinam apenas para a infiltração do aquífero.
Revide On-line
Texto: Fernando Belezine (colaborador)
Fotos: Arquivo Revide