A prevenção das vacinas
Desinformação é o principal obstáculo para esse gesto de cuidado individual e coletivo
A gripe, infecção aguda do sistema respiratório, é a mais comum das doenças sazonais. Causada pelo vírus Influenza, ela acomete um número maior de pessoas durante o outono/inverno, quando há uma maior aglomeração de pessoas em locais fechados, o que facilita a propagação do vírus. A gripe provoca 1 bilhão de casos e uma média de 650 mil mortes por ano no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Nos últimos dois anos, o número de óbitos por gripe aumentou 78% no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde.
O vírus está em constante mutação e, por isso, se vacinar todos os anos é essencial para evitar consequências mais graves. Ainda assim, a adesão dos brasileiros às campanhas segue baixa, preocupando autoridades. Pouco mais de um mês depois do início da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza no país, somente 31% da população-alvo tomou a vacina. São cerca de 20 milhões entre as 80 milhões de pessoas que estão aptas a se vacinar. Em 2022 e 2021, a cobertura ficou em 68% e 72%, respectivamente, enquanto atingia índices acima de 90% nos anos anteriores. Os dados são do Localiza SUS. Em São Paulo, o índice de imunização está em 28%. Vale ressaltar que a vacina contra o vírus Influenza está disponível em todas as unidades de saúde do país para pessoas a partir de seis meses de idade. A campanha segue até o dia 31 de maio e a meta é vacinar 90% da população.
Para a médica infectologista Karen Mirna Loro Morejón, a baixa adesão à vacinação, tanto contra o vírus Influenza, quanto o coronavírus, causador da Covid-19, pode ser explicada por um entendimento insuficiente da população sobre a potencial morbidade e também gravidade dessas doenças. “Estar imunizado vai além do cuidado individual, é um bem coletivo. Alguns pacientes se vacinam, mas não atingem a imunidade, ou seja, não conseguem produzir anticorpos para se proteger contra determinada doença. Então, se outras pessoas estiverem vacinadas, há uma diminuição na chance de aquela doença ocorrer na comunidade e, desta forma, aquele indivíduo que não conseguiu a imunidade pela vacina estará protegido de forma indireta”, explicou.
O professor Luiz Puntel, de 74 anos, está sempre atento às campanhas e diz que procura manter a sua carteira de vacinação em dia. Recentemente, ele foi imunizado contra a Influenza e Covid (com a dose Bivalente) e fez questão de mostrar nas redes sociais, segundo ele, em respeito aos mais de 700 mil brasileiros mortos por Covid. “Acho fundamental nos mantermos vacinados. É lamentável que os índices de vacinação no país estejam baixos e que, em pleno século 21, ainda exista esse tipo de postura antivacina, fruto da desinformação gerada por mentes que precisavam ser vacinadas contra a ignorância científica”, alertou.
O jornalista Rafael Pascuim também fez questão de divulgar sua dupla imunização nas redes sociais. Ele conta que herdou essa preocupação com as vacinas da mãe, que sempre esteve atenta em manter a imunização dos filhos em dia. “Tenho o hábito de, de tempos em tempos, tomar aqueles reforços recomendados. De Covid eu posso dizer que tenho um ‘blend’: tomei de todos os laboratórios. Iniciei com Janssen, depois o reforço da Pfizer, em seguida Astrazeneca e, por último, Coronavac. Há uma semana, fui ao posto de saúde e tomei as duas (Influenza e Bivalente) de uma vez. Senti apenas uma dor local”, contou.
Rafael revela que nunca teve receio de tomar vacinas, pois são seguras e as reações são insignificantes quando comparadas aos benefícios que proporcionam para o indivíduo e a coletividade. “Infelizmente, estamos vendo essa falta de compromisso dos brasileiros com as campanhas. Doenças erradicadas correndo o risco de voltarem. Somos referência em vacinação no mundo. Precisamos recuperar essa confiança”, concluiu.

Mobilização nacional
Formulado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é referência no mundo todo ao disponibilizar, na rotina de imunização, 19 vacinas, cuja proteção inicia nos recém-nascidos e se estende por toda a vida. Doenças como varíola e poliomielite foram erradicadas e outras doenças transmissíveis foram eliminadas no Brasil e nas Américas como, por exemplo, o sarampo, a rubéola e rubéola congênita. “O PNI é muito robusto, com um grande número de imunizantes e uma capacidade extraordinária de capilaridade em todo o território nacional. Mas, o que temos visto nos últimos anos (e por vários motivos) é um número preocupante de grupos que disseminam informações incorretas sobre as vacinas e acabam influenciando as pessoas”, observou Karen.
Vacinas disponíveis
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto, a vacina contra o vírus Influenza está disponível nas 37 salas de vacinas das unidades de saúde para toda a população a partir de seis meses. Já a vacina Bivalente está disponível nos mesmos locais, para pessoas a partir de 18 anos, que tenham recebido pelo menos duas doses de qualquer vacina contra a Covid-19, há pelo menos quatro meses. É preciso apresentar comprovantes de vacinação das doses anteriores. Em ambos os casos, não é necessário agendamento prévio, apenas apresentação do documento pessoal com foto.