A pureza do Natal
Nesta época do ano, nada melhor do que recorrer às crianças para renovar os valores implícitos no espírito natalino, envolto em magia e em votos de felicidade
O maior feriado cristão se aproxima provocando uma reflexão. A data em que se celebra o nascimento de Jesus Cristo traz consigo um convite à renovação da esperança, do amor, da solidariedade e da paz. Para resgatar a pureza desses e de outros valores, nada melhor do que recorrer à inocência do olhar de uma criança.
Para esses pequenos, o maior representante do Natal tem barbas brancas e longas, vive no Polo Norte vestindo roupas vermelhas e brancas, utilizando-se do trenó guiado pelas tradicionais renas para distribuir presentes em todo o mundo. O que nem todos sabem é que Papai Noel foi o apelido dado a um bispo que vivia em terras turcas por volta do ano 280 d.C.. Nicolau era um senhor de coração nobre, preocupado em ajudar os mais pobres. O Papai Noel daquela época, diz a lenda, costumava deixar, próximo às chaminés, saquinhos cheios de moedas de presente. A história atravessou gerações e permanece até hoje, carregando consigo os sentimentos natalinos mais verdadeiros.
Para celebrar o dia 25 de dezembro, a paisagem urbana se transforma, ganhando novas formas e cores, assim como as residências, enfeitadas especialmente para a ocasião. Árvores de Natal dividem com o bom velhinho a preferência de crianças e adultos. Além de servir para decorar, o pinheiro enfeitado com diversos adornos completa o clima especial desse período. Acredita-se que essa tradição começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Enquanto caminhava pela floresta, o personagem ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, utilizou velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta.
Muitas vezes, é na preparação dos ambientes que precede a festa que as famílias encontram a oportunidade para compartilhar bons momentos. Assessorar os pais na arrumação da casa é uma das atividades preferidas de Maria Antônia Lima, de oito anos, em dezembro. Para ela, o Natal é sinônimo de deixar o mundo mais bonito para festejar o nascimento de Cristo. Sua mãe, a arquiteta Teresa Cristina Lima, sempre fez questão de repassar à pequena os simbolismos da comemoração que também aprendeu quando criança. “O melhor período da vida é a infância, justamente porque temos liberdade para acreditar em todos os nossos sonhos. Acho lindo acreditar em Papai Noel, em contos de fadas, no coelhinho da Páscoa e em tantos outros personagens. O Natal é uma época especial, cheia de símbolos e de bons sentimentos. A comemoração da vinda de Cristo, o carinho implícito nas trocas de presentes e o encontro com a toda a família é um tempo de balanço. Como me sinto fortalecida por esses rituais, quero ensiná-los para a Maria Antônia”, afirma Teresa.
De acordo com a mãe, Maria Antônia ainda não decidiu se o Papai Noel realmente existe, mas o avô faz questão de não deixar a fantasia na gaveta. “Embora ela saiba que é o avô, não quer magoá-lo demonstrando”, acrescenta Teresa. Na casa delas, a noite de Natal é bem tradicional, realmente uma festa. A família se reúne na casa do avô materno, troca presentes e reza em frente ao presépio exatamente à meia noite, atividade encerrada pela ceia.
O mesmo acontece na família de Isabela Benedetti de Araújo, de cinco anos. A pequena acredita no Papai Noel e não deixa de preparar para ele uma cartinha com seus pedidos. “Eu me comporto o ano inteiro para ganhar presente do Papai Noel. Quando faço alguma coisa errada, peço desculpas”, conta a pequena. Sua mãe, Gabriela, enche a casa de enfeites e faz questão de que a árvore de Natal seja montada em família. Além disso, Gabriela conta que Isabela pede para cantar parabéns para Jesus Cristo pelo seu aniversário todos os anos.
Segundo a psicóloga infantil Thais Furquim Paiva, a partir dos três anos a criança começa a entender o significado do Natal. “É saudável estimular a fantasia nas crianças nessa época, que é quando elas começam a compreender que os sonhos são os primeiros passos para transformar desejo em realidade. Mesmo depois que a infância passa, a magia do Natal e a chegada do Papai Noel são acontecimentos que ficam marcados para sempre na memória”, explica a profissional. A psicóloga complementa que essa atitude influencia, inclusive, na educação dos filhos.
Michelle Donegá Scocchi acredita que a magia do Natal deve ser incentivada. Para isso, não poupa na decoração para o dia 25 de dezembro. Os pequenos Enrico e Benício, de cinco e três anos, respectivamente, esperam ansiosamente o ano inteiro pela chegada do bom velhinho. Apesar da pouca idade, os irmãos percebem um clima especial nesse período. “Eles misturam bastante a imagem de Jesus com o Papai Noel e ficam eufóricos quando chega essa época do ano porque sabem que vão se reunir com a família e encontrar com todos os primos”, conta. Para Enrico, as luzinhas piscando na decoração da árvore de Natal estão entre os itens indispensáveis em casa, assim como uma linda estrela no topo do pinheiro. “Esse ano conheci o verdadeiro Papai Noel, em Gramado. Ele tem vários ajudantes para entregar os presentes em todas as casas. Eu já entreguei minha mamadeira em troca de um brinquedo e me comportei bem para ganhar um robô”, declara o pequeno, que diz ter descoberto que o coelhinho da Páscoa é amigo do velhinho.
Para Thais, as festas de fim de ano significam momentos de carinho e união familiar. O estudante Gabriel Moreira da Costa, de quatro anos, conta que seu momento preferido da véspera do Natal é reunir a família inteira ao redor da árvore para trocar os presentes. “É muito legal receber os presentes do Papai Noel e depois dividi-los com meus primos. Fazemos uma festa só”, diz a criança.
Segundo a psicóloga, a descoberta sobre as fantasias do Natal acontece naturalmente, conforme a criança cresce e se desenvolve. “É importante respeitar os limites e o tempo de cada um. Acreditar nessa magia só traz benefícios, pois estimula a imaginação e a criatividade, desperta valores como o amor ao próximo, a bondade e a solidariedade”, complementa Thais. Ao transformar sonhos em realidade, o personagem traz alegria, encanto e esperança. A profissional explica que é importante esperar a criança perguntar — o que ocorre por volta dos seis anos. “Na hora que os pequenos perguntam, os pais devem contar a verdade, pois o filho estará pronto para ouvir. Mas isso deve acontecer naturalmente para que a fantasia não deixe de existir antes da hora”, complementa.
O nascimento de Jesus
Outro grande símbolo natalino, o presépio representa a verdadeira razão do Natal para os cristãos. Nele, está representado o cenário do nascimento de Jesus, composto por uma manjedoura observada por animais, pelos Reis Magos, Maria e José. Esta tradição de montar presépios teve início com São Francisco de Assis, no século XIII.
Cartinhas de Natal
Com muito esforço, o Papai Noel procura atender aos milhares de pedidos que recebe no fim do ano. Há mais de 20 anos, os Correios ajudam na missão de atender o maior número de crianças possível através da “Campanha Papai Noel dos Correios”, que integra ações de responsabilidade social nas 28 diretorias regionais.
Os pedidos recebidos passam por uma triagem feita por funcionários e voluntários, que selecionam e cadastram as cartas de acordo com determinados critérios. As mensagens são repassadas às principais agências e, a partir de então, ficam à disposição da população, que pode “adotar” um pedido de acordo com o que cabe no bolso.
Os pedidos mais comuns são bicicletas, bonecas, carrinhos, bolas, skates, patinetes, videogames, notebooks, tablets, celulares, camisetas de time, instrumentos musicais, roupas e sapatos.
O Papai Noel
Seguindo a lenda de São Nicolau, o bom velhinho de barbas brancas distribui presentes às crianças bem comportadas e obedientes. Para isso, conta com a assistência dos duendes, cuja missão é, também, fabricar as lembranças colocadas próximas às chaminés. Ao passar pelas casas, recolhem as cartinhas feitas pelas crianças e as levam até o Papai Noel. Quando o pedido é concedido, o Papai Noel faz a entrega pessoalmente, com o auxílio do trenó, puxado pelas renas. Na noite de Natal o presente será encontrado sob a árvore.
Até o final do século XIX, o bom velhinho vestia uma roupa de inverno marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o Papai Noel. A roupa vermelha e branca com cinto preto criada por Nast foi apresentada na revista Harper’s Weekly no mesmo ano. Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o figurino de Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Julio Sian e Carolina Alves
Produção: Marcela Versiani e Mel Cândido
Looks: Bala de Mel, Vi e Gabi, ID Kids, Chocolate, Bunny Ears e Bloom
Agradecimento: Viva Decorações, Estúdios Kaiser, Colégio Santa Úrsula, Escola do Amanhã e SEB COC