A qualidade do ar

A qualidade do ar

Em altos níveis, a poluição pode causar desconforto para a população, desenvolvendo ou agravando doenças

O ar é um dos elementos essenciais para a existência do ser humano. Por isso, a qualidade dele é motivo de grande preocupação. Em altos níveis, a poluição pode causar desconforto para a população, desenvolvendo ou agravando doenças, em especial, as relacionadas ao sistema respiratório. Sofrem mais as pessoas muito sensíveis, como crianças e idosos. Em Ribeirão Preto, segundo dados levantados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) desde a década de 80, os gases nocivos estão presentes, porém, em quantidades que não ultrapassam os padrões estipulados. Assim, na tabela de classificação da companhia, a cidade aparece com ar de boa qualidade, com menos de 50 microgramas de poluentes por metro cúbico.

O engenheiro Marco Artuzo, gerente regional da CETESB, explica como esse procedimento é realizado. “Temos uma estação telemétrica instalada no Alto do Ipiranga. Lá, equipamentos de tecnologia avançada conseguem avaliar as substâncias captadas e essas informações são enviadas para a central, em São Paulo. Tudo é feito de forma automatizada. Na capital, profissionais capacitados fazem a validação dessa mensuração e divulgam no site. Acompanhamos essa questão de perto e somos extremamente rigorosos”, afirma Marco. Qualquer pessoa pode ter acesso a esses relatórios, que são atualizados diariamente, de hora em hora.

Porém, para entender melhor a situação, um outro item é fundamental: as condições meteorológicas. Dependendo de como está o tempo, os poluentes se agregam ou se dissipam. A temperatura média, a velocidade do vento, a umidade relativa do ar e os períodos de estiagem ou chuvas devem ser levados em conta. “Quando cai a velocidade do vento, o que geralmente acontece em períodos de estiagem e baixa umidade do ar, cria-se na região uma situação de estabilidade que propicia a permanência dos poluentes no ar”, exemplifica.

As substâncias mais recorrentes no ar do município são o material particulado, os óxidos de nitrogênio e o ozônio, lembrando que o último é considerado secundário, ou seja, forma-se na atmosfera por causa da presença do óxido de nitrogênio, que reage com gases voláteis na presença da luz solar. Esse resultado se deve a uma série de fatores combinados. As queimadas urbanas, por exemplo, são um problema sério. Muitas pessoas ateiam fogo para limpar terrenos baldios e eliminar o lixo, mas fazem isso sem pensar que a fumaça é prejudicial a todos. “As chamas, ao encontrarem pneus velhos, latas de tinta e toda sorte de resíduos, formam verdadeiros coquetéis gasosos altamente tóxicos. A queimada continua sendo mais forte do que seus adversários, principalmente pela ignorância da população, que insiste em continuar com esse procedimento nos mais variados bairros da cidade”, aponta o presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente (SODERMA), Paulo Finotti.

Segundo o 1º Tenente do Corpo de Bombeiros, Jean Gomes Pinto, Ribeirão Preto registra um grande número de queimadas urbanas, principalmente entre os meses de maio e outubro. Para ele, a melhor forma de prevenção seria a limpeza dos terrenos e a retirada do material orgânico e do mato seco, ou enterrá-los no próprio terreno, evitando montes de vegetação seca propícios para alastrar o fogo.

O problema também acontece na zona rural, com a queimada da palha da cana-de-açúcar para a colheita. “Através de fiscalizações, penalidades e diversos acordos, conseguimos reduzir esse procedimento em aproximadamente 65%. Isso é ótimo. Temos tido uma adesão significativa por parte dos produtores. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Temos que chegar aos 100%”, enfatiza Marco. O Protocolo Ambiental de 2007 determina que até 2017 haja o fim da queima da palha da cana-de-açúcar. Em áreas onde já há mecanização parcial, a determinação é que a queima seja encerrada em 2014.

Para finalizar os fatores de risco na cidade, deve-se lembrar das emissões veiculares. “Com as facilidades financeiras atuais, a quantidade de veículos novos que apresentam sistemas antipoluentes aumentou muito em relação aos antigos, que dificilmente são regulados. O problema agora não é de qualidade, e sim, de quantidade”, destaca Paulo. Atualmente, o foco principal está nos modelos que circulam com combustíveis derivados do petróleo, como o diesel. Quanto à questão industrial, a realidade é mais positiva. “Nosso município é mais prestador de serviços, o que o torna praticamente isento de poluição do setor das indústrias. Entretanto, a Soderma e a Frente Cívica se aliaram para combater qualquer irregularidade”, comenta. 

Quando o assunto é a possível solução dessa questão, todos concordam que a população tem que se envolver mais e que as autoridades precisam oferecer um estímulo eficaz. “Há maior necessidade de um processo agresivo, no bom sentido, por parte dos órgãos do governo, da imprensa e do setor educacional”, opina Paulo. Segundo Marco, um plano de ação já está sendo desenvolvido para essa finalidade. O objetivo é orientar e envolver toda a sociedade nessa luta.

Com o compromisso de

                                                 
 
        

   

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