A química do desafio

A química do desafio

Entre os recursos estão trabalhos extracurriculares, aulas em laboratório, uso de multimídia, entre outros meios

Decorar e entender todos os símbolos da tabela periódica e realizar exercícios cheios de fórmulas é tarefa fácil para pouquíssimos estudantes. A grande maioria dos alunos concorda que aprender química é uma missão bastante complicada. Por isso, diversos professores criam maneiras de tornar o aprendizado da disciplina mais interessante e descontraído. Tudo é válido para atingir um objetivo desafiador: prender a atenção dos adolescentes. Entre os recursos estão trabalhos extracurriculares, aulas em laboratório, uso de multimídia, entre outros meios.

Uma das atividades desenvolvidas é a Olimpíada Regional de Química (ORQ), realizada há nove anos pelo Centro de Ensino Integrado de Química do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP). O evento atrai cada vez mais estudantes, que encontram nas provas uma maneira diferente de rever os conteúdos e aprender mais sobre a disciplina.

Vitória Monseff, de 17 anos, já participou de três edições da Olimpíada. A estudante descobriu a “brincadeira” por indicação de seu professor e adorou o desafio. “Logo me identifiquei com a área, pois adoro laboratório, experimentos e teorias. A prova torna o aprendizado mais interessante e curioso”, opina a participante.

O evento é organizado pelos professores Daniela Gonçalves de Abreu, Thiago de Souza Cavallini e Joana de Jesus de Andrade. “A Olimpíada surgiu como uma tentativa de despertar e de estimular o interesse dos alunos pelas ciências, incentivar e aprofundar o debate na comunidade escolar, apresentar aspectos mais realistas da profissão do químico e a sua importância no contexto social atual, entre outros fatores”, explica Thiago.

Os estudantes Miranda Nedel e Gabriel Garcia também se inscreveram para participar do evento e aprovaram a experiência. Para eles, a competição é uma maneira saudável de trabalhar em equipe e, principalmente, recordar o conteúdo da disciplina. “A prova contém questões dos três anos que compõem o Ensino Médio. Por ser realizada em equipe, torna mais gostoso relembrar as teorias que aprendemos em outros anos”, complementa Miranda.

O mais interessante é que esse tipo de prova traz um conteúdo instigante e leve. “Em 2011, alguns alunos terminaram as provas dizendo que as questões estavam ‘gostosas de resolver’. Acreditamos que os desafios contextualizados e os experimentos apresentados como situação-problema sejam bastante atrativos para os estudantes”, explica Daniela. Nesse projeto, a maioria dos alunos pode realizar experimentos, o que muitas vezes não é possível nas escolas. “Vimos nos rostos dos alunos a expressão de felicidade ao realizar os experimentos”, lembra Thiago.

Mais sobre a Olimpíada
Os temas abordados possibilitam uma ampla discussão dos conteúdos químicos relacionados aos contextos sociais e aos conhecimentos de outras disciplinas. A ORQ é realizada em duas fases e incentiva o trabalho em equipe, não a competição individual. Na primeira fase, todos os alunos de Ensino Médio das escolas participantes apresentam redações sobre o tema em questão. O professor de Química de cada escola, muitas vezes em parceria com professores de outras disciplinas, como português, ciências e história, seleciona as 40 melhores redações. Os autores selecionados visitam o Departamento de Química, onde são realizadas palestras sobre o tema da Olimpíada e experimentos demonstrativos.

Na próxima etapa, o professor da escola seleciona seis alunos (dois alunos de cada série do Ensino Médio), de acordo com seus critérios, os quais deverão compor a equipe da escola. A formação de equipes faz parte da valorização do trabalho em grupo. A segunda fase é realizada no Departamento de Química e inclui a resolução de situações-problemas por meio da experimentação e de exercícios teóricos.

Texto: Mariana Secaf
Fotos: Ibraim Leão

Compartilhar: