A seca no campo
Nos primeiros 44 dias do ano, choveu 293% menos que no mesmo período de 2013
As chuvas dos últimos dias não foram suficientes para a recuperação de diversas culturas, que já sinalizam perdas no campo. Um boletim do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, aponta que, nos primeiros 44 dias do ano, choveu aproximadamente 293% menos que no mesmo período de 2013. Do dia 1º de janeiro ao dia 13 de fevereiro, por exemplo, o órgão registrou uma média de 106,1 milímetros (mm) de chuva em Ribeirão Preto, contra 414,7 mm no mesmo espaço de tempo do ano passado.
Sem chuva no período de desenvolvimento, a cana teve seu crescimento afetado e o setor já cogita postergar o início da safra para o fim de abril ou para o início de maio, como estima Gustavo Nogueira, gestor técnico operacional da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), de Sertãozinho. “Sem chuva, a área de renovação de cana ficou em cerca de 17%, quando o ideal seria, no mínimo, 20%”, aponta Gustavo.
Nas lavouras de café da região de Altinópolis, os produtores projetam perdas em torno de 10% nas plantações mais antigas e entre 25% e 30% nas novas plantações, como explica o produtor e diretor do Sindicato Rural de Altinópolis, João Abrão Filho. “Sem a quantidade de água necessária, as folhas do cafeeiro murcham e os grãos chocham. A safra 2015/2016 também já está comprometida”, avalia João.
Os produtores de amendoim também projetam quebra nas plantações que serão colhidas a partir de março. De acordo com o gerente de Desenvolvimento Agrícola da Unidade de Grãos da Cooperativa Agroindustrial (Coplana), de Jaboticabal, a falta de chuvas prejudica a formação dos grãos e compacta mais o solo, dificultando a colheita mecanizada.
Texto: Rose Rubini