A sustentável leveza de ser
A correria da vida moderna têm conduzido muitas pessoas a repensarem seus padrões e a buscar alternativas para se sentirem mais felizes. nesse contexto, a Quântica ganha cada vez mais adeptos
Se você se coloca na categoria das pessoas incomodadas com a noção de que o tempo está passando depressa demais, consumindo momentos importantes em família ou entre amigos, expectativas profissionais ou para a realização de um sonho antigo, possivelmente esteja despertando para a noção, cada vez mais comum, de que a vida pode, e deve, ser mais do que o habitual. São inúmeros os exemplos que demonstram a crescente necessidade humana de experimentar formas de lidar com essa insatisfação.
Apenas para citar algumas alternativas, as propostas dos “mestres” Felício Bombonato, com o curso de Atitude Mental Positiva; Juan Guilhermo Gaviría, com a experiência Quântica, e Werner Schmidek, através de aulas de Biodança, ilustram a possibilidade de harmonizar esse sentimento.
A partir de seu sistema de crenças, cada um a seu modo, desenvolve um importante trabalho no auxílio a quem está em busca deste “algo mais” que a vida oferece a quem procura.
A Atitude Mental Positiva
Felício Bombonato Junior sempre procurou assimilar e aplicar tudo o que aprendia, por isso, incorporou a filosofia da positividade à sua vida., criando, em 2007, o curso “Atitude Mental Positiva, a Ciência do Sucesso” (AMP). “Para mim, os ensinamentos de Napoleon Hill sintetizam o aprendizado acerca do domínio da mente e dos pensamentos. Foi o encontro de um grande objetivo para guiar os meus passos, em todos os sentidos: mental, espiritual e material”, pontua o professor.
Atualmente em sua 10ª turma, o curso atrai pessoas em busca de uma vida mais consciente, próspera e feliz. O maior desafio para isso, segundo Felício, está na compreensão de que a vida atual é um produto dos pensamentos e atos do passado, ou seja, ela simplesmente devolve a cada um o que cada um doa, por isso, qualquer mudança precisa ser interna. “Mudando crenças do passado, referências dos pensamentos atuais, geramos atitudes que se cristalizam em hábitos. Como 95% dos pensamentos são automáticos e inconscientes, promovidos pelo hábito de pensar sempre do mesmo modo, o maior trabalho nesse processo é desconstruir o padrão mental, muitas vezes destrutivo, para a criação de um novo modelo, em concordância com a vida auspiciosa que se deseja ter e, a partir daí, manter-se nesse novo caminho até que ele se transforme em um novo hábito”, explica Felício.
Para o mestre, a AMP cria uma grande oportunidade para a humanidade, pois controlando a mente, cada pessoa pode escolher pensar e ver somente o melhor do outro e de cada situação. “O mundo só mudará quando todos, individualmente, mudarmos. Somos seres vibracionais. Decidindo alterar a nossa frequência para melhor, naturalmente atrairemos e seremos atraídos para o melhor, contribuindo para a criação de uma realidade melhor para todos”, conclui Bombonato.
O que é o Curso AMP?
A Atitude Mental Positiva é um estado mental, fruto de uma decisão consciente, de, por meio do autocontrole, manter-se sempre motivado, procurando ver o melhor em cada situação, mesmo de fracasso e de dificuldade. Compreendendo a vida como a manifestação dos pensamentos e sabendo que a mente é sugestionável, a AMP surge como uma ferramenta para não permitir que as pessoas sejam influenciadas por sugestões negativas, vindas dos meios externos, que geram uma realidade de sofrimento e de dor. Ao contrário, atua como como um modo de se manter em nível permanente de satisfação interior, permitindo-se ser influenciado apenas por sugestões positivas, focado em uma melhora constante, visando ao crescimento interno e à criação de uma realidade melhor.
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O milagre de existir
“Muito do que ouvi nas aulas já havia lido em livros ou visto em filmes, mas nunca coloquei em prática. No AMP, alteramos nossos pensamentos, que modificam nossos hábitos e ações, produzindo, consequentemente, mudanças positivas em nossas vidas. Sinto-me mais corajosa e autoconfiante, sempre espero o melhor das pessoas, meu humor está sob meu controle e sou feliz por convicção. Também noto que venho atraindo eventos positivos.” Monique Salotti Cerchiari, engenheira agrônoma.
Mudança de comportamento
“As aulas de AMP mudaram minha maneira de ver e de viver. Descobri que posso escolher ser o que eu quiser, que o poder de decisão está em minhas mãos e que, quando assumo essa responsabilidade, tudo fica mais fácil, faz mais sentido. Experimentei diversos processos que me ajudaram a subir um degrau na minha evolução. Considero o AMP um deles, mas com a diferença de que colocamos em prática o que aprendemos: persistir na mudança de comportamento.” Mirna Maia, empresária.
O poder do pensamento
“Com auxílio do mestre Felício, consegui perceber que o tempo é meu bem mais precioso. Aprendo, todos os dias, que só existe o aqui e o agora, que o presente é o lugar onde se consegue dar novo sentido ao passado e planejar o futuro. Encontrei meu propósito: a vida, estou muito mais leve e exercito constantemente a gratidão. Entre tantos ensinamentos, destaco a consciência da força da palavra e do poder do pensamento.”Marcos Coró, empresário.
A Quântica
Juan Guilhermo Gaviría aceitou um convite para vir ao Brasil, em 2007, e, desde então, está sempre de volta ao país, admirando a natureza e agregando mais pessoas ao processo quântico Juan de La Luz, que proporciona às pessoas a possibilidade de um encontro profundo consigo mesmas.
O mestre quântico foi uma criança revoltada por conta do assassinato do pai, aos sete anos, e pelas dificuldades que viu a mãe passar na Colômbia. Encontrou no perdão, porém, a transcendência dessas emoções em um novo estado de consciência, que o conduziu naturalmente ao exercício quântico.
Para Juan, a física quântica explica cientificamente como tudo o que está fora acontece a partir do que vem de dentro, das células. “A Quântica mostra como funciona nossa mente e as memórias, assim como comprova que somos energia. Deixa claro como tudo neste plano é temporal, apenas uma tendência. Explica como ver cada experiência fora dela mesma, dissociada das emoções, o que possibilita olhar com claridade, saindo do ego”, aponta Gaviría.
No seu processo, Juan conduz os integrantes à multidimensionalidade, para verem cada experiência do passado e como transcendê-la em amor, o que acontece a partir de “imersões quânticas”, realizadas diariamente. Cada um se conecta com sua própria essência, para receber informações e colocar em ação a transcendência de suas memórias. “Essa ferramenta de conexão permite a cada um compreender sua missão, conhecer os dons recebidos de Deus e começar a realizar uma tarefa com seu ser eterno. Em verdade, estamos aqui para transcender o ego, e o que é o ego? O que acreditamos que somos”, explica Juan, completando ser impossível ver com claridade a partir da personalidade (do ego) porque ela está sempre na dualidade de um dos hemisférios cerebrais, que comandam o funcionamento do corpo. “Quando se está na essência, ao contrário, vive-se de forma integrada, unida. Encontra-se a verdadeira paz interior e se alcança o amor incondicional”, conclui o mestre.
O que é a Quântica?
Uma maneira de trabalhar a dualidade e desenvolver o potencial a partir da essência, através de imersões diárias realizadas via internet, sessões individualizadas ou até acompanhamentos mais profundos, como Coaching Quântico Pessoal. Por meio de ensinamentos simples — constância (no exercício da auto-observação), gratidão, humildade e coerência (agindo a partir da essência, e não do ego) — os participantes do processo quântico Juan de La Luz curam suas memórias internas inconscientes. Através das imersões, entendem como cada evento do cotidiano está associado a elas, integram as informações recebidas e se colocam em ação para avançar. Saindo do âmbito das emoções, compreendem mais a si mesmos e nutrem maior compaixão pelos demais porque, estando em equilíbrio, entendem como o que os incomoda nos outros é apenas reflexo do que carregam em si mesmos. Sabem que tudo o que está fora acontece a partir de como se está por dentro.
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Autoconhecimento
“A busca por autoconhecimento sempre foi inerente a mim. Fiz varias terapias e sou grato a todas elas, mas, nesse processo, sinto maior conexão com o que há de mais verdadeiro no meu ser. Consigo enxergar e compreender a vida em gratidão e integrar a felicidade de estar em mim mesmo, e não na expectativa no outro ou em algo fora de mim. O dia a dia e o mundo da forma (trabalho, negócios, interesses) nos tira da conexão com a essência de luz. Quando estamos em imersão quântica, voltamos a nos conectar a muitas informações, sentimos e reconhecemos claramente o que não devemos mais fazer para sermos fiéis à nossa essência. Era pautado por metas e conquistas, tinha um ego forte e queria tudo do meu jeito. Ainda tenho muitas crenças e ações a transmutar, mas ter razão não é mais um objetivo ou um mérito.” Dogival Mendonça, empresário.
Alegria de viver
“Sentir a eternidade convida a repensar prioridades e princípios, por isso, soltei escolhas que já não me satisfaziam internamente, como carreira e casamento, para realizar um trabalho dedicado ao despertar de minha consciência. Deixei de atribuir à mente tantos pensamentos e buscas por compreensão e me permiti acessar mais a intuição amorosa que se desenvolve nesse processo. Sigo, diariamente, aprendendo a transformar meus incômodos em responsabilidades pessoais, que posso diluir em consciência, amor e gratidão. A alegria que naturalmente venho irradiando e a liberdade que essa entrega me proporciona chamam a atenção de muitas pessoas.” Chrys Hellen Machado, psicóloga social e da saúde e massoterapeuta quântica.
Universo interior
“A imersão quântica foi a experiência mais incrível que já vivi. Como se uma grande biblioteca desorganizada dentro de mim e começasse a se organizar, passei a conectar meu conhecimento com tudo à minha volta. Há diferença entre compreender o mundo e as teorias por meio da mente —conhecimento racional — ou a partir do coração — uma experiência espiritual. Esse processo mudou minha maneira de ver o mundo. Era uma pessoa cheia de saberes, achava que conhecia tudo, que tinha sempre razão quando, na verdade, existia um vazio em mim que nada preenchia. Hoje, sou menos impulsiva, menos agitada, uma advogada menos destemida e agressiva e mais cooperativa e mediadora. Sigo compreendendo minhas dores, falências e incômodos, minhas emoções instintivas e inconscientes e, a partir da gratidão por tudo que me acontece, atraio novas oportunidades.” Roberta Heinemann de Souza Aranha, advogada e psicóloga.
A Biodança
Suficientemente autoconfiante para conviver com suas escolhas, o professor aposentado da Faculdade de Medicina da USP, Werner Robert Schmidek, tão logo ingressou no Curso de Medicina, viu-se decepcionado e em crise existencial com a profissão escolhida. “O organismo vivo era entendido apenas como uma ‘máquina biológica’, e as doenças, como defeitos ou peças quebradas dessa máquina. As curas, por sua vez, eram vistas como consertos desses defeitos, ou, quando já disponíveis, trocas das partes quebradas por peças novas de
reposição. A vida e a saúde não eram consideradas um complexo processo de interação psicobiológica”, descreve o neurofisiologista e psicobiólogo. Seu contato com a Biodança, que só aconteceu dez anos antes da aposentadoria, possibilitou uma visão mais ampla da vida.
O processo desenvolvido por Rolando Toro, poeta e antropólogo chileno, associa bem-estar e saúde biológica através de uma interação grupal, utilizando a música e o movimento, o que evita o processo lógico, racional e verbal, como ocorre na maioria das terapias analíticas. “Fiquei fascinado com o processo, mas o chamado virginiano ao bom senso me manteve na profissão até a aposentadoria. Iniciei, então, na Escola de Biodanza, em São Paulo, e, depois de dois anos, lá estava eu como facilitador, dando início a um trabalho que dura até hoje na Associação dos Deficiente Visuais de Ribeirão Preto (ADEVIRP)”, conta Werner.
Há alguns anos, o biodanceiro criou o projeto Religar, para vivência. Para ele, as intervenções físico-químicas que a Medicina e a Farmacologia propõem são insuficientes para lidar com problemas psicoafetivos e sociais. Nesse sentido, a Biodança tem muito a contribuir, indo na contramão da valorização cada vez maior da racionalidade. “Ouso dizer que há um enorme potencial na Biodança para a própria sobrevivência da humanidade. Com nossas percepções de mundo calcadas apenas em argumentações lógico-analíticas, dificilmente alcançaremos a profundidade e a persistência necessárias para amar o planeta e a vida, algo que a Biodança possibilita por meio do acesso às funções do hemisfério direito do cérebro”, afirma Werner.
O que é Biodança?
O cérebro humano possui dois hemisférios, o esquerdo e o direito, e cada pessoa, durante seu desenvolvimento infantil, transfere para um deles o controle das funções que a cultura na qual cresceu considera importantes, tornando-o dominante para a tomada de decisões. Assim, funções consideradas pela cultura como menos relevantes, incluindo as formas de arte, a emoção e a afetividade, são deslocadas para o hemisfério não dominante (normalmente o Direito) e excluídas da tomada das decisões mais importantes, o que causa muitos problemas psicoafetivos, sociais e ambientais.
As sessões de Biodança consistem em uma sequência de exercícios mais ativos (ainda bastante dependentes do hemisfério esquerdo) que, gradativamente, vão ficando menos ativos — baseados em músicas mais lentas, preferencialmente não verbais —, mais intuitivos, até chegar ao ponto de transferência de controle ao hemisfério direito. Então, uma nova sequência de exercícios sutilmente induz o retorno do controle ao hemisfério esquerdo e o retorno dos participantes a um estado de consciência compatível com a vida habitual fora da sessão.
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Experimentando sentir
“Em curto espaço de tempo, a Biodança transformou minha relação com as pessoas e comigo mesma. Pela primeira vez, consegui sentir de verdade — até então, tinha um discurso sobre o sentir. Isso foi libertador. Experimentei no meu dia a dia uma maior integração entre o sentir, o pensar e o agir. Para mim, a Biodança representa uma ferramenta de transformação da sociedade, pois as pessoas passam a expressar sua amorosidade e conseguem aceitar, de maneira autêntica, as diferenças culturais, crenças, gênero, raça ou religiosas, sem necessidade de competir com o outro, sem consumir desenfreadamente ou sem obedecer a um padrão estético pré-estabelecido. Claro que é um processo, que não é necessariamente rápido e fácil, mas é um processo possível.” Rosa Virgínia Pantoni, psicóloga e facilitadora de Biodança.
Encontrando a paz
“Encontrei na Biodança uma Helena que sentia, ficava emocionada, mas não se expressava, guardava o máximo possível de tudo vivido dentro de si por vergonha, orgulho, medo de críticas e de julgamentos. Achava que agir a partir das minhas emoções era sinônimo de fraqueza. Uma das minhas maiores descobertas, nesse processo, foi de que se chora de felicidade. A Biodança mudou a minha relação comigo mesma. Descobri que cada vez que ajo de forma autêntica, integrando meu pensar e meu sentir, trilho o caminho da saúde e lapido a expressão sã de mim mesma. Mudou minha relação com as outras pessoas. Passei a enxergar na diversidade humana inúmeras formas de expressão. Percebi que agir com não-julgamento e não-crítica do outro me traz paz.” Helena Cristina Medeiros Vieira Schmidek, facilitadora de Biodança.
Respeitando as diferenças
“Não tinha consciência das transformações que ocorriam em mim através da Biodança, muito sutis e gradativas. Só percebi quando minha família comentou que eu estava diferente. Na vivência de Biodança, exercito o que acredito. Fico próxima a pessoas que pensam como eu e que estão dispostas a plantar uma semente do bem, a trocar o que possuem de melhor. A vivência me conecta ao que tenho de melhor para doar ao mundo. Passei a entender que estamos todos conectados e se meu próximo não está bem, também não estarei, pois está tudo interligado. Após tantos anos, percebo que nem todas as pessoas estão prontas para um processo de autoconhecimento, mas acredito que cada um deva buscar atividades para se sentir bem, para encontrar o que há de melhor em si. Essa é uma busca cada vez mais necessária.” Débora Neme Silva Ribeiro, advogada.
Texto: Yara Racy
Fotos: Júlio Sian