A terapia do riso

A terapia do riso

Fé, alegria, solidariedade.

Essas palavras, tão comuns nos cartões de fim de ano, são exercidas e transmitidas no dia a dia por anônimos que não usam uma roupa vermelha nem carregam consigo um saco de presentes. Tampouco atuam à paisana.

No caso dos grupos de humanização, o traje obrigatório é inspirado nos palhaços, aqueles que levam, em sua bagagem imaginária, uma solução que faz bem a todas as pessoas, em qualquer época do ano: o riso.

O trabalho desses grupos ficou mundialmente conhecido — e provavelmente esta tenha sido a grande inspiração para outros grupos — quando, em 1998, Tom Shadyac levou para os cinemas a comédia dramática “Patch Adams — O amor é contagioso”, protagonizada por Robin Williams.

No filme, baseado na história real do médico norte-americano Hunter Doherty “Patch” Adams, a grande lição fica por conta da metodologia inusitada no tratamento de enfermos: o bom humor. Desde a época da universidade, Patch começa a ajudar o mundo colocando alegria no coração de seus pacientes e, desta forma, mostra para todos que o amor é contagioso.

Este também é o princípio do trabalho que o patologista Edson Garcia Soares desempenha diante do grupo FelizIdade, que visita pacientes das enfermarias de geriatria do Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto buscando a diminuição do sofrimento dos pacientes através do atendimento voltado à dignidade humana.

O FelizIdade começou através do pedido que um aluno fez ao professor para que ele fosse o tutor de um grupo de humanização com alunos da Faculdade de Medicina da USP. Era 2003 e, naquela época, já havia um outro grupo que atuava no HC, na área de pediatria. Por isso, a nova turma que nascia ali atenderia outra ala.

A primeira exigência do professor foi que o grupo tivesse calouros, pois considera os iniciantes mais puros. E foi assim, alinhando os desejos dos dois lados, que os primeiranistas do curso de medicina de 2003 começaram os treinamentos, baseados no trabalho desenvolvido pelos Doutores da Alegria, que atua no Brasil junto a crianças hospitalizadas desde 2001.

Depois que os conceitos foram assimilados e incorporados, em fevereiro de 2004, o FelizIdade inicou os atendimentos. No começo, eram nove alunos participantes.

Segundo o professor Edson, se, em cada turma, seis alunos entenderem a filosofia dos grupos de humanização, já está muito bom. É por isso que hoje comemora os resultados, já que, a cada ano, o número de participantes aumenta.

Em 2013, foram 46 pessoas, a grande maioria alunos do segundo ao quinto semestre do curso de Medicina da USP, incluindo alguns alunos de outros cursos. A partir dessa fase, os estudantes devem se dedicar apenas à medicina propriamente dita. Considerando que todos os anos ingressam 100 alunos no curso e que a participação no grupo é voluntária, a adesão é bastante expressiva.

Durante o treinamento, um dos ensinamentos do professor é a forma como dialogar com os pacientes. Formado em psicodrama, Edson reforça a importância da aproximação dos alunos com os doentes.

“No início, os pacientes nos viam como intrusos. Éramos rejeitados por eles. Aos poucos, conhecendo o nosso trabalho, eles ficaram mais fáceis de lidar. Hoje, todos têm orgulho do trabalho que realizamos”, conta.

Também faz parte dos treinamentos, realizados na casa do professor, as aulas de pintura, já que o FelizIdade sempre se apresenta de avental e de maquiagem. Como é facilitador de biodança, Edson também faz questão de passar os conceitos dessa modalidade aos alunos. Assim, as reuniões do grupo são transformadas em um verdadeiro salão de vivências.

Como a proposta inicial do FelizIdade era atender às enfermarias de geriatria, o grupo tratou logo de gravar músicas antigas e treinar o repertório. Essa foi mais uma das formas de buscar aproximação com os pacientes atendidos. Hoje, a geriatria continua sendo a principal ala atendida, mas o grupo também visita outras enfermarias, as unidades metabólica e da oncologia, e até o refeitório, de acordo com os pedidos, mas sempre dentro do HC.

As visitas são realizadas duas vezes por semana, no fim da tarde, logo após a aula. Semanalmente, são feitas reuniões para relatar sobre as visitas.

Todo o processo é tratado com muita seriedade, afinal eles estão lidando com pessoas internadas no hospital, em situações psicológicas mais sensíveis. Por isso, o fundador do FelizIdade frisa que é preciso ter a intenção verdadeira de fazer esse tipo de atendimento, assim como é fundamental respeitar ao máximo o paciente.

Essa interação proporciona aprendizado para ambas as partes. O paciente recebe atenção, carinho, alegria e isso faz com que ele adquira mais confiança e alivie as tensões. Mas há benefícios também para os participantes.

“Observamos uma mudança na conduta do aluno. Depois de passar por essa experiência, eles saem outros médicos”, afirma Edson, que percebeu em si próprio os benefícios de coordenar um grupo de humanização. “Já que somos palhaços no sofrimento de sermos traídos pelas pessoas que confiamos, seremos palhaços também na forma de ver o mundo”, sentencia.

Para ele, manter o tônus da alegria é de fundamental importância. No seu caso, além do trabalho como docente em período integral, ainda faz vários plantões de necropsia por mês.

“A minha função na universidade é pesada por atuar na área da patologia, lidar diagnósticos difíceis, analisar prontuários de óbito, além de fazer os plantões. Eu precisava de uma vávula de escape e o FelizIdade ajuda a minimizar o impacto desse cotidiano pesado”, afirma Edson.



Quem também propaga a alegria no HC é a professora titular do departamento de Enfermagem Materno-infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – USP, Regina Aparecida Garcia de Lima, que coordena, há 15 anos, a Cia. do Riso. É através do trabalho que ela realiza e que estimula os alunos a participarem que crianças internadas nas enfermarias do HC recebem, duas vezes por semana, um presente especial: uma injeção de ânimo para enfrentar as doenças.

Regina era enfermeira do HC na década de 70 e início dos anos 80. Naquela época, a legislação era outra e as crianças ficavam separadas das mães quando internadas. Regina acreditava que era preciso um jeito diferente para atender os pequenos, por isso, valorizava a recreação e as atividades de desenvolvimento das crianças.

Com o passar dos anos e a mudança na legislação, encontrou nos Doutores da Alegria uma nova inspiração para trabalhar. Em 1995, Wellington Nogueira, fundador do Doutores da Alegria, chegava ao Brasil trazendo a ideia dos Estados Unidos, depois de integrar o elenco da Big Apple Circus Clown Care Unit, programa pioneiro em levar palhaços profissionais especialmente treinados para visitar crianças hospitalizadas.

No HC de Ribeirão Preto, Regina e mais quatro alunas começaram um trabalho à semelhança daquele que o grupo brasileiro já desempenhava, porém, o Doutores da Alegria é composto por atores e a Cia. do Riso, por alunos de Enfermagem. Com o tempo, estudantes da USP de outras áreas também aderiram às atividades.

Como a professora conseguiu incluir o trabalho nos projetos de extensão, os participantes da Cia. do Riso podem ser bolsistas ou voluntários. Anualmente, 20 alunos novos ingressam no grupo, mas há lista de espera. Para participar, é preciso ser aluno da universidade na área da saúde e gostar de trabalhar com crianças.

A partir daí, começam os treinamentos. Como o trabalho é direcionado às crianças, fazem parte das atividades de preparação a arte do teatro clown aliada à psicologia do desenvolvimento e à enfermagem pediátrica.

Os iniciantes pintam o nariz de verde e, quando passam a conhecer o ritual, começam a pintar o nariz de vermelho. No fim do ano, participam da chamada “palhatura”, uma espécie de formatura de palhaços. Quando concluem o trabalho, há uma cerimônia similar à “palhatura” para que os participantes recebam o nariz dourado.

Assim como acontece no FelizIdade, os integrantes da Cia. do Riso se reúnem semanalmente para discutir os resultados obtidos e tomar novas decisões. Os atendimentos acontecem duas vezes por semana e hoje englobam, por meio dos pedidos de médicos e enfermeiros, outras áreas onde tenham crianças, além da enfermaria pediátrica.

“A rotina do hospital é sistematizada, então não podemos ser muito rígidos na forma de lidar com os pacientes. As atividades se desenvolvem na relação com as crianças, construída no dia a dia”, explica Regina.

Tanto é que, para estreitar ainda mais essa relação aluno-paciente, a Cia. do Riso promove eventos comemorativos, como Carnaval, Páscoa, Festa Junina, Dia das Crianças, Natal, entre outros.

Regina diz que, a partir desse projeto, experimenta outras formas de comunicação com a família e com a 
criança no ambiente hospitalar, pois ele valoriza o processo de crescimento e desenvolvimento. Através da atuação dos grupos de humanização, o hospital pode deixar de ser apenas um lugar de dor e de sofrimento.

“Algumas crianças crescem no hospital e elas não podem ser privadas de um desenvolvimento feliz”, ressalta a professora. Por isso, ela faz questão de despertar o interesse dos alunos, já que eles também saem ganhando. “Na verdade, os alunos aprendem mais do que ensinam. È uma experiência enriquecedora”, complementa.

Para Regina, levar para o processo de ensino outros valores, além da questão técnica, é fundamental. O projeto, ainda segundo a professora, pode proporcionar aprendizados subjetivos, como, por exemplo, a afetividade, a sensibilidade e a capacidade de se aproximar do próximo.

Outro fator interessante é que o projeto abrange os três pilares da instituição: ensino, pesquisa e extensão. A professora está animada em orientar uma pesquisa que vai avaliar se há, efetivamente, mudança no alívio de estresse e fadiga dos pacientes atendidos pela Cia. do Riso.

Há, ainda, mais um aspceto que Regina salienta: trata-se de um trabalho integrado, o que promove a ampliação da formação dos participantes. “As relações estabelecidas no projeto são de outra natureza que não a médica”, afirma. É por promover benefícios a todos os envolvidos que os grupos de humanização são tão estimulados.

Na Cia. do Riso, todo ano, como forma de incentivo, é realizado um simpósio de humanização, com oficinas de brinquedos, relaxamento, biodança, entre outros. Em 2013, o tema do evento, realizado em agosto, foi “Cuidados Paliativos”.

A coordenadora da Cia. do Riso também ressalta a importância de manter, há 15 anos, a parceria com o HC, que recebe e apoia este projeto que auxilia no diagnóstico terapêutico.

“Não há estranhamento do Hospital, pois não realizamos mudanças na estrutura da sua rotina. Eles entendem que por meio da nossa atuação, o próprio Hospital promove o desenvolvimento das crianças internadas”, reforça Regina, satisfeita por estar diante de um trabalho que resgata nas crianças seus valores essenciais.



A figura do médico ligada à do palhaço, seguindo os preceitos de Patch Adams também é o direcionamento da atuação da Liga Acadêmica Doutores do Riso, formada por alunos do curso de Medicina do Centro Universitário Barão de Mauá.

A Liga nasceu há 12 anos e é uma das mais atuantes da Insituição. O princípio foi semelhante aos demais: um aluno, inspirado em Patch Adams e vendo o trabalho realizado em outras faculdades, resolveu implantar a ideia também no seu curso.

Desde então, esta é a primeira liga da qual os alunos da Barão de Mauá podem participar. Depois de um semestre de aulas, eles estão aptos a ingressar nos Doutores do Riso e, assim, propagar mensagens acolhedoras.

Se o conceito é o mesmo dos demais, a aplicação é um pouco diferente: como o grupo é formado por alunos, a atuação conta como plantão. Então, além de ser uma experiência prática, o voluntariado é incentivado de forma matemática: as horas de doação ao próximo somam pontos para o aluno.

Mas engana-se quem pensa que a concepção do grupo de humanização perde seu efeito principal. Primeiro, porque os alunos têm outras formas de conquistar pontos. Segundo porque pelo relato dos envolvidos é possível perceber que esse é um desejo latente.

Paula Garbin e Beatriz Guidi Cornachini são prova disso. Elas acabam de concluir o segundo ano do curso de Medicina e fazem parte da Liga há um ano e meio. Elas se emocionam quando contam histórias das pessoas que já visitaram e sentem-se felizes por participar de um projeto tão grandioso.

“A Doutores do Riso é uma liga muito bem vista, pois permite que o aluno conviva com a realidade do hospital. Quem participa tem mais facilidade para lidar com o paciente. O sentir é outro; o jeito de lidar é outro”, afirma Paula, presidente da Liga em 2013.

O grupo Doutores do Riso atua no hospital-escola, que é a Santa Casa de Ribeirão Preto, no Hospital de Retaguarda Cantinho do Céu, no Hospital Santa Tereza e no Lar Vicentino.

As visitas são semanais e, na época das provas, passam a ser quinzenais. Os alunos seguem uma escala de participação. Em contato com os pacientes, eles buscam desviar a atenção da dor através de música, desenhos, teatro, brincadeiras e outras ações.

Porém, Bia e Paula reforçam que cada situação exige um modo de atuação e que, antes de tudo, é preciso entender o paciente e saber o que ele realmente precisa.

Como este é um grupo de acadêmicos de Medicina, a proposta é justamente buscar uma relação mais humana. Através de atividades como esta, os alunos têm a possibilidade de lidar com as mais diversas situações que encontrarão no decorrer da profissão.

Além das visitas, do riso tirado dos pacientes e da melhora no diagnóstico, grupos como o Doutores do Riso auxiliam na diminuição da síndrome do jaleco branco.

“Os pacientes ficam receosos quando alguém de jaleco se aproxima, porque muitas vezes isso representa um novo exame, uma injeção. Nós estamos ali para dar cor ao jaleco, para mostrar que quem veste uma peça assim também pode ser mensageiro de alegria”, explica Bia.

Os participantes do primeiro ano recebem um certificado de participação e, a partir daí, a atuação é voluntária. Geralmente, as turmas são de 50 alunos, que fazem as visitas em duplas ou trios.

Os alunos passam por aulas de maquiagem e figurino, improviso, entre outras, e são orientados pela diretoria da Liga, composta por seis alunos, mais uma coordenadora psicológica, que é Caroline Rosa, além de contarem com a orientação de outros professores e da coordenadora artística do grupo Expresso Riso, Emanuele Pestana.

Quando estão prontos para iniciar o trabalho nos hospitais, acontece o “nascimento do palhaço”, um evento realizado no terraço da Barão de Mauá.

Paula e Bia fazem questão de reforçar a importância da colaboração das enfermeiras, que ajudam na aproximação com os pacientes. “Poder se aproximar de cada um deles é uma experiência incrível, mexe muito com a gente. A profissão que escolhemos é de muita doação. Quando conseguimos tirar um sorriso de um paciente, ganhamos muito”, frisa Bia.

Nas duas horas que estão com um paciente, elas garantem que ganham o melhor dos presentes: o carinho recíproco. “O ambiente hospitalar é pesado, então temos que olhar quem está ali com mais amor. Na nossa profissão, não temos simplesmente que curar; temos que levar amor”, finaliza Paula.



Se Patch Adams faz questão de reforçar que o amor é contagioso, o conceito de seu projeto também é. Só em Ribeirão Preto existem mais de 100 palhaços em atuação, entre coordenadores e participantes, além dos que já “aposentaram as botas”.

Outra pessoa que segue os preceitos de sua filosofia através do trabalho que desenvolve nos hospitais é Pérsio Pereira da Silva, que, desde 2008, comanda o grupo Expresso Riso. Quando atua, ele passa a se chamar Dr. Peteleco.

Pérsio trabalhava na área de saúde, comercializando materiais cirúrgicos, quando conheceu o trabalho dos Doutores da Alegria. Porém, o grupo conhecido nacionalmente só recebe atores profissionais, o que não era o seu caso.

Mas foi a partir daí que ele passou a fazer cursos de palhaço e, em agosto de 2008, junto com a esposa Cristiane Corpanni Silva, convidou a amiga Emanuele Pestana e monatram o Expresso Riso, que inicialmente atuava na Beneficência Portuguesa. “Não havia cursos na área, pois era tudo novo. Mesmo assim, buscamos especialização”, lembra o palhaço.

Durante um ano, Pérsio conciliou o trabalho da empresa de materiais cirúrgicos e o atendimento voluntário nos hospitais. Depois, resolveu se dedicar exclusivamente ao Expresso Riso.

Naquela época, todos os preparativos aconteciam na sua casa, mas, a partir do momento que pode se dedicar mais, buscou capacitação e patrocínio. Em algum tempo, conseguiu verba para custear salários e engrenar o projeto. Em 2011, o Expresso Riso ganhou sede própria e, em 2012, passou a atuar também em São Paulo. Hoje, são 157 palhaços formados, sendo que 86 estão ativos.

Os atendimentos são realizados na Beneficência Portuguesa, no Hospital das Clínicas (campus), no Hospital Santa Lídia, na Santa Casa de Misericórdia e no Banco de Sangue, todos em Ribeirão Preto, além das Santas Casas de Misericórdia de Sertãozinho, de Pontal e de Santo Amaro, em São Paulo, do Hospital Heliópolis, também em São Paulo, e do Hospital Beneficente José Pirondi, em Pirangi.

As visitas são realizadas quase que diariamente e os “doutores” usam uma poderosa fórmula que mistura bom humor, amor e um grande nariz vermelho.

No fim de 2013, o grupo totalizou sete edições do curso, que acontece todo semestre. Ali, os voluntários são capacitados e cada um cria o seu personagem.

A Expresso Riso tem um padrão de figurino e maquiagem. Nos cursos, os voluntários têm aulas de iniciação ao palhaço, expressão corporal, maquiagem e figurino, voluntariado, biossegurança, improviso e “doutor palhaço”.

São 64 horas de aula, sendo que 52 são de teoria e dinâmica e as outras 12 são de prática no hospital. Duas ou três vezes ao ano também acontece o Encontralhaço, um encontro de atualização dos voluntários. O evento engloba desde a parte técnica até orientações profissionais, com infectologistas, por exemplo.

No ano passado, o grupo recebeu Mark Mekelburg, um dos fundadores da Operação Nariz Vermelho, que também atende pelo nome de Dr. PPP Pipoca e é um dos mestres de Pérsio.

O objetivo do grupo é levar momentos de riso e bem-estar aos pacientes. “Pequenas ações podem mudar o ambiente. Um abraço, um sorriso, um pouco de atenção, a música e algumas brincadeiras são capazes de mudar o dia de alguém que está no hospital”, enfatiza Pérsio.

Essas ações também são capazes de modificar o dia de quem as oferece. Segundo o coordenador do Expresso Riso, esse trabalho mudou os seus valores.

Para explicar essa mudança, usa uma associação com o trabalho que realiza: “o olhar do palhaço é reto. Ele enxerga o que a pessoa quer passar. A atuação no grupo me fez ver desta forma, olhar mais para as pessoas”, afirma.

O FelizIdade, a Cia. do Riso e os Doutores do Riso são mantidos por recursos próprios, enquanto a Expresso Riso é mantida por patrocínios, doações, realização de eventos e produtos que eles comercializam, como camisetas, canecas e os chamados remédios para a alma que trazem, em cápsulas como as de remédio, versículos que acalentam o coração.

Os voluntários têm o compromisso de participar de 50% das visitas realizadas pelo grupo. Para isso, é feita uma escala semanal. Mas Pérsio ressalta que “não precisa das horas dos voluntários, precisa do coração deles”. E é por ser correspondido que consegue levar o riso a tantos rostos que antes não demonstravam esperança.

Conhecer o trabalho desses grupos, semelhantes a muitos outros que existem no país e no mundo, propagando a mensagem de fé, alegria e solidariedade, dá a sensação de estar colocando nas metas para o novo calendário as palavras e as ações que dão um rumo para quem provavelmente não sabe aonde ir.

É como se, ao se deparar com um ano todo pela frente, cada um de nós tivesse a certeza de que pode construir seu próprio caminho e, mais ainda, dar as mãos para quem não enxerga uma perspectiva de futuro. Esses grupos parecem ter encontrado a fórmula de como mudar a vida das pessoas.

 


Texto: Máisa Valochi
Fotos: Carolina Alves e Ibraim Leão
Diagramação: Lucas Chaibub 

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