A virtualização da Justiça
Com os processos virtuais, o Juizado Especial Federal, comandado por Paulo Ricardo Arena Filho, oferece ao cidadão um atendimento diferenciado
Atual presidente dos Juizados Especiais Federais (JEF), Paulo Ricardo Arena Filho, enfrenta um desafio diário: garantir que a população tenha uma resposta rápida da Justiça em questões que envolvem instituições federais, como a União Federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Caixa Econômica Federal e os Correios, sendo que 90% das ações que passam pelo JEF são relativas às questões previdenciárias.
Nascido em Cajuru, o currículo do juiz fala por si: formou-se pela Faculdade de Direito “Laudo de Camargo” e, em 1995, ingressou nas magistraturas federal e estadual. Atuou na 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo e, depois, na 4ª Vara Federal de Ribeirão Preto. Em 2001, titularizou-se na Vara Federal de Araraquara, onde foi responsável pela instalação da Justiça Federal. Desde 2006, é Juiz Federal Titular da 2ª Vara-Gabinete dos Juizados Especiais Federais, da Subseção Federal de Ribeirão Preto, presidente da 2ª Turma Recursal de São Paulo e integra a Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais (TNU), em Brasília (DF), que reúne apenas 10 juízes federais de todo o país, com a finalidade de uniformizar a jurisprudência pelos JEFs no Brasil. Arena Filho também é professor de Direito Constitucional licenciado da Faculdade de Direito da UNIARA e faz parte da Comissão de Assuntos Legislativos da Associação Regional dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (AJUFESP). Integrou também a Associação Nacional dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE) de 2004 a 2010, na qual exerceu, respectivamente, os cargos de vice-presidente, secretário geral e diretor de assuntos legislativos.
Segundo o magistrado, a criação do Juizado Especial Federal pela lei 10.259/2001, e a instituição dos juizados especiais federais virtuais, a partir de 2002, no Estado de São Paulo, são as maiores notícias do Judiciário brasileiro no século XXI. “O Judiciário de hoje é praticamente o mesmo de quase 100 anos atrás: os procedimentos e as formalidades não mudaram, ou mudaram muito pouco. Com a nova proposta do Juizado Especial Federal, os processos começaram a ser julgados rapidamente. O mesmo benefício que a informática e a internet proporcionam no dia a dia, propiciam no processo”, afirma o juiz. Com o processo virtual, a burocracia do Poder Judiciário ficou em xeque, já que a virtualização gera uma velocidade no andamento que o processo convencional (de papel) não pode ter.
Conforme estudo feito pela Associação dos Juízes Federais do Brasil, em 70% do tempo de trâmite do processo, ele está parado na mão do servidor para autuação, carimbo ou despacho, o que não ocorre mais com o processo virtual. “Em média, em cinco meses as ações estão julgadas e com os direitos reconhecidos já implantados desde a sentença. Em uma vara comum, a conclusão de um processo pode durar até cinco anos”, comenta o magistrado. O andamento só é interrompido para o agendamento e a realização das perícias. Os procedimentos simplificados do órgão também agilizam o processo, pois, além do atendimento ao cidadão, são elaboradas, no ato, as peças iniciais da ação e marcadas as perícias, se necessário.
Outro fator interessante é que não é preciso ter advogado para utilizar os serviços do JEF — os próprios atendentes elaboram a ação, de valor máximo de 60 salários mínimos. Caso o autor não concorde com o resultado, pode entrar com recurso que será apreciado por uma das Turmas Recursais do Estado de São Paulo, órgão colegiado composto por três juízes que, se pertencerem a diferentes regiões do Estado, podem realizar o julgamento via Sistema de Vídeoconferência. “A videoconferência não só agiliza o julgamento dos processos virtuais, como também representa importante economia para os cofres públicos, por evitar o deslocamento de juízes para a capital”, explica Arena Filho.
Em Ribeirão Preto, o Juizado Especial Federal foi instalado em 2003. Até 31 de maio de 2011, já foram ajuizadas 133.399 ações, 28.506 sem advogado e 104.893 com advogado; 125.502 ações foram julgadas e cerca de 1.000 perícias são realizadas ao mês, sendo 450 médicas, 400 contábeis e 150 sociais. De 2005 até hoje foram expedidos mais de R$ 177 milhões entre Requisições de Pequeno Valor (RPV) e Ofícios Precatórios. Só no ano de 2011, 11.254 pessoas foram atendidas. Não é à toa que o Juizado Especial Federal de Ribeirão Preto constitui-se no segundo maior em distribuição de processos no âmbito do Tribunal Federal da 3ª Região, que abrange os Estados de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, com um volume menor apenas do que a capital paulista.
Segundo dados da Justiça Federal, desde meados de 2003 até o final de 2010, a instalação do JEF em Ribeirão Preto ocasionou uma redução de processos nas varas federais locais da ordem de 30%. “Enquanto as varas comuns federais sofreram uma redução significativa no número de processos, o JEF passou por uma explosão de ações ajuizadas. Atualmente, são ajuizadas, em média, cerca de 1.200 ações por mês e detemos cerca de dois terços da movimentação processual da Justiça Federal de Ribeirão Preto”, ressalta o magistrado. Mas, uma vara comum, a conclusão de um processo pode durar até cinco anos”, comenta o magistrado. O andamento só é interrompido para o agendamento e a realização das perícias. Os procedimentos simplificados do órgão também agilizam o processo, pois, além do atendimento ao cidadão, são elaboradas, no ato, as peças iniciais da ação e marcadas as perícias, se necessário.
Outro fator interessante é que não é preciso ter advogado para utilizar os serviços do JEF — os próprios atendentes elaboram a ação, de valor máximo de 60 salários mínimos. Caso o autor não concorde com o resultado, pode entrar com recurso que será apreciado por uma das Turmas Recursais do Estado de São Paulo, órgão colegiado composto por três juízes que, se pertencerem a diferentes regiões do Estado, podem realizar o julgamento via Sistema de Vídeoconferência. “A videoconferência não só agiliza o julgamento dos processos virtuais, como também representa importante economia para os cofres públicos, por evitar o deslocamento de juízes para a capital”, explica Arena Filho.
Em Ribeirão Preto, o Juizado Especial Federal foi instalado em 2003. Até 31 de maio de 2011, já foram ajuizadas 133.399 ações, 28.506 sem advogado e 104.893 com advogado; 125.502 ações foram julgadas e cerca de 1.000 perícias são realizadas ao mês, sendo 450 médicas, 400 contábeis e 150 sociais. De 2005 até hoje foram expedidos mais de R$ 177 milhões entre Requisições de Pequeno Valor (RPV) e Ofícios Precatórios. Só no ano de 2011, 11.254 pessoas foram atendidas. Não é à toa que o Juizado Especial Federal de Ribeirão Preto constitui-se no segundo maior em distribuição de processos no âmbito do Tribunal Federal da 3ª Região, que abrange os Estados de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, com um volume menor apenas do que a capital paulista.
Segundo dados da Justiça Federal, desde meados de 2003 até o final de 2010, a instalação do JEF em Ribeirão Preto ocasionou uma redução de processos nas varas federais locais da ordem de 30%. “Enquanto as varas comuns federais sofreram uma redução significativa no número de processos, o JEF passou por uma explosão de ações ajuizadas. Atualmente, são ajuizadas, em média, cerca de 1.200 ações por mês e detemos cerca de dois terços da movimentação processual da Justiça Federal de Ribeirão Preto”, ressalta o magistrado. Mas, quanto maior a agilidade, maior a demanda: em cada dez audiências, oito ou nove provém da região, não do município. A região abrangida pelo JEF de Ribeirão Preto compreende 57 municípios.
Um projeto do Superior Tribunal de Justiça prevê a virtualização de toda a Justiça Federal até 2015. Arena Filho espera, entretanto, que a ideia seja transplantada para as demais áreas da Justiça. “Entre a Justiça Federal, a Justiça Estadual e a Justiça do Trabalho, a primeira é, sem dúvida, a que está mais avançada nesse quesito. Eu penso que este é o caminho natural e que a União deve fazer investimentos em busca da virtualização dos processos da Justiça em todo o país. Isso seria um grande benefício, se houver uma preocupação com o aprimoramento tecnológico e, também, humano”, acrescenta. Essa tarefa deve ficar a cargo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que centraliza informações da Justiça Federal, da Justiça Estadual e da Justiça do Trabalho e faz o planejamento estratégico visando à unificação de procedimentos. Segundo o magistrado, a tendência é que o CNJ absorva, trabalhe essa ideia e a estenda com um projeto nacional.
A Justiça Criminal, por exemplo, seria muito beneficiada com o processo virtual. Hoje, quando uma pessoa é presa, o juiz tem acesso somente aos dados de um determinado estado. “Se a pessoa praticou inúmeros crimes em São Sebastião do Paraíso, cidade mineira, que fica a 100 quilômetros de Ribeirão Preto, vai ser difícil acessar esses dados. O CNJ e o Ministério da Justiça trabalham para que haja uma uniformização nessa base de dados”, esclarece Arena Filho.
Para isso, é preciso maior investimento na Justiça, comparada, pelo juiz, ao primo pobre entre os três poderes. O orçamento da União para o ano que vem é de mais de R$ 2,2 trilhões. Deste montante, R$ 7,7 bilhões são destinados ao Judiciário Federal, incluindo Supremo Tribunal Federal e Justiça Federal, ou seja, equivale a 0.34% do orçamento total do governo. Historicamente, o orçamento do Poder Judiciário Federal, incluindo STF, STJ, Justiça Federal, Justiça do Trabalho e até Justiça Eleitoral, fica na casa de 1% do orçamento da União. “E o orçamento do Palácio do Planalto é equivalente ao do Poder Judiciário, ficando na ordem de R$ 7 bilhões. O Poder Judiciário tem suas imperfeições, mas ainda é a última linha de defesa que o cidadão tem para garantir seus direitos”, assegura Paulo.
O magistrado destaca que o investimento na Justiça não pode ser encarado como despesa, pois implica em assegurar a cidadania e garantir um melhor atendimento ao cidadão. “Por mais que as coisas não sejam, na vida real, do jeito que foram idealizadas, de modo geral, os juízes são muito envolvidos com o seu trabalho. No entanto, faltam condições. Tem lugares ainda hoje, principalmente nas justiças estaduais, em que ainda há máquinas de datilografar, o que torna o processo mais difícil. Os números do orçamento deixam bem claro a dificuldade enfrentada”, acrescenta.
O juiz questiona se o baixo orçamento também não se justifica no desinteresse de consolidar no Brasil uma Justiça bem equipada e eficiente. “O Poder Judiciário pode incomodar e sem condições de atuação, ele pode incomodar menos, essa é uma leitura possível. Não sei até que ponto isso é verdade, mas é algo a se pensar”, conclui Arena Filho.
Texto: Carla Mimessi
Fotos: Carolina Alves