Aborto leva à depressão

Aborto leva à depressão

Pesquisa revela números de depressão ligados ao aborto, e aponta a necessidade de implantar políticas públicas para a prevenção de gravidez indesejada

Pesquisa realizada pela enfermeira Mariana Gondim Mariutti Zeferino, da Faculdade de Enfermagem da USP (Universidade de São Paulo), aponta que 57% das mulheres que fizeram aborto sofrem de depressão. 

Das 120 mulheres entrevistadas pela pesquisa, mais da metade apresentou algum nível de depressão. Segundo a enfermeira existem altos índices de aborto na adolescência e eles acarretam, além de danos ao organismo, perturbações psicológicas. “O aborto imposto à jovem pode trazer danos futuros, bloqueando-a em termos de prazer e causando medo de engravidar novamente”, diz Mariana.

O estudo, realizado entre agosto de 2008 e setembro de 2009, em um hospital do interior de São Paulo, apontou que 57% das mulheres internadas apresentavam sinais indicativos de depressão, 33% distimia (leve e prolongada), 22% moderada, e em 13% depressão grave. Segundo Mariana, outros estudos revelaram que as situações de abortamento podem estar ligadas com a depressão, antes ou após a ocorrência, os sentimentos não resolvidos sobre o aborto podem surgir anos depois em formas inesperadas.

A enfermeira acrescenta que os abortos naturais causam depressão e ansiedade apenas durante os seis primeiros meses após a perda do bebê, enquanto a mulher que interrompe a gravidez tem maior dificuldade em superar a perda. “As mulheres que se submeteram a um aborto por decisão própria sofrem reações emocionais muito mais complexas. A dor pode durar de cinco a seis anos, mas a maioria dessas mulheres não fala sobre o assunto”, explica Mariana.

Outro dado que chama atenção na pesquisa é o fato de 25% dos casos de abortos terem sido provocados e 75% dessas mulheres não haverem planejado a gravidez e não fazerem uso de métodos contraceptivos.

Entre as mulheres que apresentaram sinais de depressão, a maioria era solteira, com mais de 40 anos e trabalhadora, segundo Mariana, o fato dessas mulheres declararem ter uma vida estável é visto como uma proteção em relação à depressão. “Em relação à habilidade de persistir nos momentos difíceis mantendo a esperança, o estudo mostrou que quando essas mulheres estão felizes, sentem-se bem e até ajudam as pessoas. Porém, muitas delas quando sentem raiva se isolam”, revela.

Com os resultados apresentados na pesquisa, Mariana Gondim, defende a importância das equipes de saúde buscarem políticas públicas para prevenção da gravidez indesejada. “Independente da causa (se provocado ou espontâneo) este cuidado deve ser qualificado e humanizado. Deve-se orientar a mulher para que esta situação não venha a ocorrer novamente e, para isto, é necessário haver uma conversa com a paciente com real interesse em ajudá-la, sem preconceitos e julgamentos, respeitando o sofrimento que ela está vivendo,” explica a enfermeira.

Para a autora do estudo, falta diálogo entre os setores responsáveis por tratar o assunto. “As instituições religiosas, governamentais, de saúde, de educação e familiares, possivelmente, têm propostas de melhoria de qualidade de vida, porém, ainda falta diálogo entre estes diferentes setores”, conclui.

Perfil das mulheres pesquisadas:
• 71% com idade entre 16 e 44 anos
• 72% vivem com o companheiro
• 67% com ensino médio
• 51% não têm fonte de renda
• 49% estavam na primeira ou segunda gestação
• 75% não planejaram a gravidez
• 33% já tinham abortos anteriores.

Revide On-line
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Carolina Alves

*Matéria publicada em 28/02/2011

 

 

Compartilhar: