Ação de conscientização
Primeira cidade da América Latina a implantar o Programa de Prevenção ao Álcool e Riscos Relacionados ao Trauma na Juventude (Party), Ribeirão Preto já impactou mais de 4.500 pessoas de forma positiva
Criado com o objetivo de conscientizar os jovens sobre as consequências de suas ações, o Programa de Prevenção do Uso de Álcool e Riscos Relacionados ao Trauma na Juventude (Party) foi implantado em Ribeirão Preto em 2008. O modelo canadense, iniciado no Centro de Ciências da Saúde de Sunnybrook, em janeiro de 1986, com a ajuda da enfermeira emergencialista Joanne Banfield, está presente em diversos países, como Austrália, Japão, Alemanha e Estados Unidos, tendo conscientizado mais de 1 milhão de jovens. O trabalho também inclui mais de 100 sites.
Implantado em Ribeirão Preto de forma pioneira na América Latina, em 2008, o Party já atendeu mais de 4.500 pessoas, entre estudantes de Ensino Médio e graduandos na área de saúde. O trabalho, coordenado pela pediatra
Ana Helena Parra Scarpelini, do Grupo Técnico de Avaliação e Prevenção a Acidentes de Trânsito e Transporte (Gapat) do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, conta com apoio do Hospital das Clínicas, por meio da Unidade de Emergência (UE).
Preocupada com os números alarmantes de acidentes no trânsito, que todos os anos fazem milhares de vítimas entre crianças e jovens, a pediatra visitou o Canadá para conhecer melhor a iniciativa. Flexível, o programa também pode ser adotado por cidades de pequeno e médio porte, sem tantos recursos, pois conta essencialmente com o trabalho voluntário de uma equipe multidisciplinar. “Cada dia mais, o jovem busca a independência. No entanto, ele precisa saber que toda ação tem consequências e que uma decisão errada pode torná-lo dependente para o resto de sua vida”, alerta Ana Helena.
Através de palestras e visitas monitoradas, o Party presta informações sobre lesões provocadas por traumas,
tornando-os capazes de reconhecer situações com risco em potencial e adotar comportamentos capazes de minimizar exposições desnecessárias. A programação inclui palestras com médicos, policiais, enfermeiros, profissionais do SAMU e Corpo de Bombeiros, graduandos do curso de Enfermagem da USP e colaboradores com lesões irreversíveis causadas por acidente de trânsito. Os alunos também visitam a sala de traumas e o Centro de Terapia Intensiva (CTI) da Unidade de Emergência, podendo, em diversos momentos, conhecer a realidade do confinamento hospitalar enfrentado pelas vítimas de trauma.
Aos 17 anos, Leticia Morais Gomes fez questão de passar pelo Programa pela segunda vez este ano e já mudou seus conceitos. Hoje, não pega carona com quem bebeu e repassa o que viu e aprendeu no Programa para a família e os amigos. “A gente pensa que os acidentes nunca acontecerão com a gente, mas quando nos deparamos com a realidade de muitos jovens em recuperação no hospital, acabamos nos conscientizando de que isso pode
acontecer com qualquer um, dentro ou fora do carro”, alerta Letícia.
Mônica Pádua, coordenadora do Ensino Médio do Centro Universitário Moura Lacerda, afirma que a escola foi a segunda a participar do Programa e agenda novos grupos todos os anos. Segundo ela, os alunos de segundo e terceiro anos do Ensino Médio acabam sendo multiplicadores de boas ações e compartilham as informações com familiares e amigos. Durante as visitas, os estudantes são alertados para os riscos das caronas e de “pegar rabeira” em ônibus ou caminhão, por exemplo. Também descobrem a importância de não fazer trotes aprendem a usar corretamente os números de emergência, como 192 e 193, entre outras noções fundamentais.
Ana Helena reforça que o programa agrega teoria e prática, oferecendo ao aluno um material rico em informação, mas também em exemplos, pois o grupo tem a oportunidade de ouvir o depoimento de pacientes e pessoas que
tiveram a vida mudada radicalmente por um acidente de trânsito. Neste trabalho, o Party conta com a participação de quatro voluntários, entre eles, o médico Antonio José da Cruz Santos, o Niltão, e Salvador Devitte.
Metas do Party
• Educar os jovens a reconhecer os riscos no trânsito
• Conscientizá-los sobre a responsabilidade pessoal por suas escolhas
• Fornecer a oportunidade de autoavaliação, reconhecendo as consequências das próprias ações e das ações dos outros
• Aumentar o conhecimento dos jovens sobre os traumas sofridos na qualidade de vida do indivíduo, da família, dos amigos e da comunidade
• Capacitar os jovens para fazer escolhas certas e educadas
• Promover iniciativas de prevenção de lesões
• Contribuir para a redução da incidência do trauma relacionado ao uso de álcool na juventude