Acidentes de trânsito em RP
Para especialista, a utilização dos "corredores" é um agravante
Um levantemento realizado pelo Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto revelou que, nos cinco primeiros meses de 2011, 188 pessoas foram vítimas fatais no trânsito da cidade. Foram 1.788 acidentes registrados, 1.333 envolvendo motos, chegando a uma média de 12 acidentes por dia.
Segundo registro do Hospital das Clínicas, metade dos acidentados chegaram com fraturas expostas e 82% se afastaram por mais de seis meses do trabalho, 35% tiveram sequelas temporárias, 32% sequelas permanentes e quase 15% sofreram amputação de membros ou paraplegia.
“A grande velocidade com que circulam as motos e a fragilidade do condutor de veículos de duas rodas faz com que, no momento da colisão, o próprio corpo do motorista absorva todo impacto”, explica o subtenente do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira. Para ele, que está a 26 anos na corporação e atuou nas áreas de incêndio e salvamentos e, atualmente, está nas unidades de resgates como comandante de guarnição, a imprudência e principalmente a alta velocidade, aliada ao aumento significativo de veículos na cidade e a banalização das leis, são as principais causas dos acidentes.
Em 1998, na elaboração do Código brasileiro de Trânsito, constava um artigo que proibia o tráfego de motocicletas entre os corredores deixados por outros veículos. Mas o artigo foi vetado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, portanto não é proibido transitar entre os veículos e nenhuma norma foi criada para regulamentar o uso desses “corredores”.
Para o professor e especialista em trânsito da Universidade Moura Lacerda, Luimar Heck Paes Leme, o uso dos corredores é um agravante. “Em todas as cidades os motoqueiros utilizam esses corredores, e em minha opinião é um agravante, pois na velocidade em que eles desenvolvem as manobras desses veículos, mudando de faixa, pode incorrer em acidente. O fato de eles utilizarem a buzina como forma de mostrar que estão trafegando por entre os carros influi também no comportamento dos motoristas, pois além do ruído do próprio tráfego ainda tem o alarme das buzinas das motos, o que pode causar irritabilidade aos motoristas, como já presenciei por aí”, afirma Paes Leme.
O subtenente Paulo acredita que o que vale é o bom senso. Para ele os motociclistas deveriam percorrer nos corredores somente quando o trânsito estiver parado. “Além disso, não só os motociclistas são os responsáveis, todos deveriam observar as leis, pois o próprio código de trânsito estabelece em seu capitulo III, art 29, parágrafo 2º, que todo condutor de veículo é reponsável pelo trânsito em ordem decrescente, ‘os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres’”, ressalta o subtenente.
O aumento no número de motocicletas que circulam por Ribeirão Preto é consequência da praticidade do veículo e também do preço mais acessível. Paes Leme acredita que o Poder Público deveria intervir para melhorar a mobilidade no trânsito. “Eles (o Poder Público) poderiam ajudar monitorando, fiscalizando, mas principalmente, planejando uma forma de melhorar as condições do tráfego, estudando corredores de trânsito rápido, garantindo a fluidez e a segurança dos munícipes e planejando intervenções na malha viária de maneira a atender o desejo de se locomover”, diz o professor, completando que não atender satisfatoriamente aos usuários é que produz o ‘inchaço’ de veículos particulares nas ruas, como é o caso de Ribeirão Preto.
“À medida que se oferece um transporte público confiável e confortável, ele tende a atrair o motorista para que se utilize dele, como é o caso do metrô em São Paulo. O estudo das linhas do transporte coletivo e seu dimensionamento impactam diretamente no tráfego da cidade”, afirma o professor.
Outra solução, na opinião do subtenente Paulo, seria a educação para o trânsito, com campanhas visando a concientização de todos que se utilizam dele (pedestres, ciclistas, motoristas, motociclistas), o uso de equipamentos de segurança, principalmente os que aumentem a visibilidade dos motocicilistas e ciclistas. “Sugiro até que nossas autoridades pensem em criar um programa para levar às escolas uma matéria relacionada ao trânsito, assim como existe o programa Bombeiro nas Escolas, o Projeto Beija-flor da Polícia Militar Ambiental, programas sobre a prevenção de drogas, etc. Para que pudéssemos ter no futuro melhores motoristas e cidadãos responsáveis dirigindo em nossas ruas”, conclui.
Revide On-line (Colaborador Bruno Silva)
Foto: Carolina Alves
*Publicada em 29/06/2011