Agora Sou Autor

Agora Sou Autor

Em sua terceira edição, projeto do Colégio Einstein que estimula os alunos a escreverem um livro, aproxima os estudantes do Ensino Médio da escrita, de forma livre e independente

Nas salas de aula, o contato com a escrita, na maioria das vezes — para não dizer totalidade —, está vinculado a temas específicos, avaliações e notas, o que acaba limitando o aprendizado e tornando o ato de escrever mais mecânico do que deveria. Para romper essas barreiras e tornar o exercício escrito mais prazeroso, o Colégio Einstein desenvolveu, há três anos, o projeto “Agora sou Autor” — cujo nome foi escolhido em um concurso entre os alunos da própria escola, vencido pela estudante Catarina Diniz Junqueira.

O projeto propõe, de forma não-obrigatória e sem atribuição de notas, o desenvolvimento de um livro com temática e estilo livres. “Os alunos que não têm bloqueio com a escrita, sentem-se valorizados, pois a eles foi permitida uma produção livre de temas pré-determinados, o que o convidou a expor e a dividir suas ideias, ter seu mundo exposto por um narrador”, defende a professora Maria Angélica Martins, a Magel, que coordena o trabalho, desenvolvido junto aos alunos do primeiro ano do Ensino Médio. “Além disso, ao escrever com liberdade, e ter seus textos publicados,  o aluno passa a ter mais confiança em sua expressão escrita e enfrenta melhor o desafio de estar diante de uma folha em branco”, complementa.

Assim, os alunos interessados são convidados a contar sua história em, pelo menos, oito capítulos, que são corrigidos e devolvidos aos autores para que possam ser retrabalhados, se necessário. O projeto compreende, ainda, a organização, a ilustração e a editoração do livro, processos que são capitaneados pelos próprios estudantes, o que demanda comprometimento, disciplina e envolvimento de amigos, familiares, professores e direção da escola. “Embora não tenha pretensão literária, para nossa alegria, alguns dos nossos alunos, como Rafaela Gonçalves e Maria Eduarda Lunardi, tiveram seus livros publicados”, revela Magel.

Depois de tanto trabalho, o resultado é compensador e prazeroso para alunos e a professora. “É alentador ver alunos, que antes se achavam incapazes de escrever, ocupando o lugar de escritores e autografando as obras. Ademais, a modalidade culta da língua passa a pertencer ao universo daquele que reescreveu seus textos, ajustando-o a tal habilidade”, garante a professora. Este ano, o trabalho pôde ser conferido de perto não apenas por alunos, familiares e amigos, no lançamento oficial realizado no Einstein, mas também pelo público, em uma exposição na Livraria da Travessa, que cedeu um espaço para os autores autografarem seus livros ao som da banda Einstein, em um cenário criativo e encantador.


Inspiração na vida real
“Confesso que não gostava muito de ler, mas sempre adorei escrever, por isso, fiquei bastante animada com o projeto do Einstein desde o primeiro minuto. A ideia partiu de uma série de reportagens que acompanhei sobre uma mulher que, para doar parte de seu fígado para uma criança, havia se disposto a perder 30 Kg ou mais. No ano passado, essa história mexeu muito comigo e a oportunidade de contá-la sob a minha ótica foi demais. Gostei muito do resultado, que só foi possível graças à ajuda da Magel, com suas contribuições preciosas, e dos meus pais, que me apoiaram bastante.”Fernanda Chacon de Almeida, 15 anos, autora de “30 Kg (ou o peso de uma boa ação)”.

Contos dramáticos
“Quando conheci o projeto, fiquei bastante animado em participar e tive várias ideias, que fui amadurecendo ao longo dos meses. A única certeza que tinha era de que faria contos, já que não sou muito adepto aos romances. Entre todas as possibilidades, acabei escrevendo sete contos dramáticos sobre sete profissões, partindo de personagens fictícios. A intenção é provocar uma reflexão sobre a supervalorização do trabalho. Atualmente, as pessoas se dedicam demais à profissão e acabam deixando o restante, tão ou mais importante, um pouco de lado. Fiquei bem feliz com o resultado e me diverti muito durante o trabalho.” Franco Camimlleri, 15 anos, autor de “A migalha nossa de cada dia".

Trabalho em família
“Participei ativamente da escolha do colégio onde eu cursaria o Ensino Médio e o conceito do Einstein, que desenvolve diversos projetos, chamou minha atenção. Especialmente esse, Agora sou Autor, despertou em mim uma série de ideias. Iniciei o ano imaginando que faria um livro de ficção, mas acabei escrevendo três contos, baseada nas histórias que ouvia da minha avó, que modificava os finais dos clássicos infantis. Assim, recontei João e Maria, Branca de Neve e Cinderela. Toda a minha família, aliás, foi importante no desenvolvimento desse trabalho: minhas avós, Marilda e Maria — uma pela inspiração e outra, pela ajuda com o português — minha irmã, Marina, que ilustrou o livro, e minha mãe, Cláudia, que também é professora. Depois de entender tudo o que envolve produzir um livro, passei a valorizar ainda mais cada leitura.”Júlia Perassolli de Lázari, 15 anos, autora de “XXX”.

Sonho realizado
“Sempre fui uma devoradora de livros: em todos os lugares, estava acompanhada por uma ou mais obras — as pessoas até achavam aquilo um pouco estranho. Por esse motivo, meu pai sempre brincava que eu seria uma escritora. O projeto do Colégio Einstein se apresentou como a oportunidade ideal para testar minha habilidade do outro lado, como autora. Fiquei feliz com o resultado final e não senti dificuldade de criar minha história, que é uma ficção. Com ela, procurei reforçar a importância da família e dos valores que compartilhamos com as pessoas com quem convivemos. A obra acabou sendo realmente publicada pela Editora Novo Conceito, o que me trouxe ainda mais satisfação pessoal. Além de acreditar no poder da arte e da cultura como fortes ferramentas para aquisição de conhecimento, creio que todas as experiências proporcionadas pela vida precisam ser encaradas com seriedade e dedicação máxima.” Maria Eduarda Marchesi Lunardi, 15 anos, autora de “Na corda bamba”.

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