Agrishow é aberta com críticas de lideranças
Presidente da Feira disse que é difícil ir adiante sem ética e sem moral

Apesar dos discursos otimistas sobre esta 21ª edição da Agrishow – que tem o maior número de expositores desde que é realizada e que se espera recorde de público e movimentação financeira –, sobraram críticas a políticas direcionadas ao setor. A expectativa dos organizadores é que a feira receba, em uma semana, cerca de 170 mil visitantes. Também se espera que a movimentação financeira seja superior aos R$ 2,6 bilhões do ano passado
Antes da solenidade de abertura, ainda durante a entrevista coletiva, o presidente da feira, Maurílio Biagi Filho fez sérias críticas à situação do País. “Nós estamos no caminho errado. Precisamos de alguém que coloque no lugar certo. Temos que encontrar o caminho correto”, disse, afirmando que a mídia tem dado respostas ao relatar os problemas. “Todos queremos que algo novo aconteça. Senão o País terá problemas gravíssimos”, apontou. Também comentou que a companhia está afundando.
Maurílio Biagi ainda falou ainda que tem faltado moral e ética. “Não há o que se levante que não tenha sujeira embaixo”, disse sobre escândalos noticiados pela imprensa. Sobre a ausência da presidente Dilma Rousseff (PT) na abertura da feira, Maurílio disse que fez o convite pessoalmente e não sabe porque ela não veio. “Talvez porque acha que o pessoal da cana está bravo com ela”.
As críticas do presidente da Agrishow continuaram no discurso de abertura, quando fez uma reflexão sobre o proálcool e a crise vivida pelo setor sucroenergético. “Corremos o sério risco de passarmos pela história como aqueles que fizeram quase desaparecer o maior e mais bem sucedido programa de energia renovável do mundo. Espero que sejamos competentes e eficientes o bastante para superar essa crise.”
Seguiram na linha de críticas ao governo federal o deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), presidente da Comissão da Agricultura na Câmara Federal. Ele falou da importância do setor para a economia do país, mas não deixou de falar do fechamento de mais de 40 usinas nos últimos cinco anos.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) continuou na linha de ataque ao governo federal. Fez “propaganda” de seu governo destacando a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que já falou em outras ocasiões.
“Nós temos boas políticas, que levaram a grandes conquistas para o nosso país. Mas temos políticas equivocadas, que levaram à crise do etanol, à crise da Petrobras e à crise do setor elétrico. Trocar energia limpa, verde e renovável por combustível fóssil é uma medida que precisa ser rapidamente corrigida, sob o risco de termos consequências em curtíssimo prazo”, discursou o governador.
Defesa
Presentes à solenidade de abertura da feira, os ministros Aldo Rebelo (Esportes) e Neri Geller (Agricultura e Abastecimento) saíram em defesa do governo federal. Rebelo disse apostar na reação do empresariado do setor para reverter a crise.
Funcionalmente mais próximo da Agricultura, o Ministro Néri Geller ressaltou o Plano de Safra que terá recursos de R$ 136 bilhões destinados a pequenos produtores. Também falou dos recursos de comercialização, com linhas de financiamento no Plano Nacional de Armazenagem, com o oferecimento de R$ 25 bilhões, com taxas de 3,5% ao ano.
Ele comentou ainda que o produtor poderá armazenar seus produtos para vender no momento mais apropriado. Isso dá a exata dimensão do quanto é o comprometimento da presidenta Dilma. E eu falo isso não só como ministro, mas também como agricultor que sou", afirmou.
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Texto: Guto Silveira
Fotos: Carolina Alves