Agrishow teve queda de 30% no volume de negócios
Motivo teria sido o aumento de juros do Moderfrota e a insegurança de produtores rurais; organizadores esperam que Plano de Safra possa corrigir rumos do setor
Os organizadores da Agrishow anunciaram em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira que o volume de negócios sofreu redução de 30% na feira encerrada neste dia 1º de maio. A queda é a primeira ocorrida em 22 edições.
Maior feira do agronegócio da América Latina, a Agrishow movimento neste ano cerca de R$ 1,9 bilhão, contra R$ 2,7 bilhões na edição do ano passado. O valor é menor que o movimentado nas três últimas edições e só é maior que o de 2011 em R$ 100 milhões.
A queda, significativa, teria ocorrido, segundo as entidades realizadoras (Abag, Abimaq, Anda, Faesp e SRB), em função da alta dos juros e a incerteza política e econômica. A esperança agora é que o Plano Safra 2015/2016 possa corrigir erros apontados pelos produtores. O anúncio será no dia 19.
Um destes “equívocos” seria o aumento da taxa de juros do Moderfrota, principal linha de financiamento para máquinas agrícolas, de 4,5% para 7,5%, anunciado pelo governo federal em março. Mas a insegurança foi um dos principais motivos da redução nos negócios.
Anúncio dramático
O anúncio da primeira redução do volume de negócios foi feita de forma “dramática” pelos organizadores. O presidente da Agrishow, Fábio Meirelles, chegou a ler uma nota (lembrete, segundo ele) escrita por eles em uma reunião antes da entrevista coletiva.
“Estimamos a queda de 30% no volume de negócios, em relação a 2014. Nossa expectativa agora é que no Plano de Safra o governo possa corrigir os erros que vem cometendo”, disse Fábio Meirelles.
“A alta dos juros e a incerteza política e econômica foram os grande responsáveis. O Brasil vive uma crise de confiança generalizada”, completou o Meirelles.
Presidente da Abimaq, Carlos Pastoriza, disse que nos últimos três anos o setor de máquinas registra quedas consideráveis nas vendas e que a salvação era o agronegócio, que agora começa a dar sinais de fragilidade.
De acordo com ele, a Abimaq representa 30 setores e a quase totalidade registrou curva descendente nos últimos três anos. “O único ponto fora da curva era do agronegócio, mas já começa a entrar na curva”, afirmou.
O presidente de honra da Agrishow, Maurílio Biagi, disse que a decisão de anunciar a queda foi corajosa, porque o resultado poderia ser “maquiado”. Mas também apontou que apesar da forma dramática, isso um dia iria acontecer. “Em economia, nada cresce sempre”.
Público
A Agrishow 2015 recebeu um grande público, dentro da média dos anos anteriores, provenientes de vários estados brasileiros e do exterior. O público ficou em cerca de 160 mil visitantes, como o previsto.
A feira também recebeu autoridades. Estiverem presentes o vice-presidente Michel Temer, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, os ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Kátia Abreu, da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, da Secretaria de Portos, Edinho Araújo, das Cidades, Gilberto Kassab, e os secretários estaduais de Agricultura, Arnaldo Jardim, e de Logística e Transportes, Duarte Nogueira.
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Guto Silveira
Fotos: Divulgação