Ainda mais conectados

Ainda mais conectados

O uso da tecnologia, já presente na maioria das salas de aula, ganha ainda mais força em tempos de distanciamento social

A maneira de ensinar e de aprender está em permanente transformação. Para acompanhar as mudanças experimentadas em todas as esferas da sociedade, essa configuração precisa ser atualizada de tempos em tempos, caso contrário, perde a eficácia. Agora, diante da pandemia do novo coronavírus e do fechamento das escolas por um período ainda indeterminado como medida de segurança para evitar o contágio, o setor da educação teve, mais uma vez, de se reestruturar em poucas semanas, investindo em soluções que diminuam o impacto gerado pelo distanciamento social no desenvolvimento pedagógico dos alunos. A tecnologia tem sido uma das principais ferramentas nesse processo de adaptação.

Chaim comenta como a rotina das unidades do Grupo foi transportada para o ambiente digital

No Grupo SEB, por exemplo, o recurso já faz parte do cotidiano e os alunos estão totalmente contextualizados com o ambiente digital. Na unidade Ribeirânia, a rotina da escola continua como na modalidade presencial. As aulas se mantêm com a carga horária das turmas da manhã e tarde com cinco aulas diárias, plantões de dúvida e acompanhamento on-line. Na unidade Lafaiete, os conteúdos são compartilhados por videoaulas e simulados, com avaliações, plantões on-line e lives com professores. “Trabalhamos com lista de exercícios, textos, artigos, mapas e outras ferramentas que complementam a nossa proposta pedagógica”, pontua Chaim Zaher, presidente do Grupo SEB.

Na unidade Portugal, o Grupo intensificou o uso de aplicativos e plataformas para facilitar a aprendizagem dos pequenos. “Disponibilizamos videoaulas tanto para a educação regular quanto para a grade de ensino em inglês. Os professores do 1º ao 3º ano, além de ministrarem as aulas ao vivo, ficam on-line à disposição dos alunos. Até mesmo as atividades de educação física, maker, música e robótica foram mantidas e ministradas a distância”, completa Chaim. Nesta unidade, as férias escolares tiveram início no dia 13 e terão duração de 15 dias.

O POSICIONAMENTO DA REDE MUNICIPAL

Com a publicação do decreto de calamidade pública que estabelece o funcionamento apenas dos serviços essenciais, a Secretaria Municipal da Educação suspendeu as aulas presenciais em toda a rede –– que conta, aproximadamente, com 47 mil alunos entre Ensino Infantil e Fundamental II, 108 escolas municipais e 22 conveniadas, num total de 130 unidades escolares –– no dia 23 de março. A partir dessa data até o dia 9 de abril, as escolas aderiram à modalidade de educação remota para garantir que os alunos continuassem estudando e mantivessem o desenvolvimento das atividades pedagógicas programadas. “Os professores e diretores elaboraram os planos de aula, entregaram kits com atividades para serem executadas em casa e materiais didáticos. Os alunos com acesso à tecnologia realizaram os exercícios por meio da plataforma on-line Google Classroom, possibilitada pela parcefor Education”, explica o secretário, Felipe Elias Miguel. A equipe de educadores criou, ainda, grupos de WhatsApp para manter contato com os pais dos alunos do Ensino Infantil e com os alunos do Ensino Fundamental.

Felipe explica que, após a prorrogação do decreto, a Secretaria optou pelo recesso na rede municipal entre 13 a 26 de abril

Com a prorrogação do decreto, a Secretaria definiu, junto ao Conselho Municipal da Educação, recesso escolar no período de 13 a 26 de abril. A decisão foi tomada levando em consideração que nem todos os alunos da rede têm acesso à internet para acompanhar as atividades e, também, para evitar que ocorra um possível distanciamento dos estudantes com os educadores. Segundo o secretário, é importante ressaltar que a medida não interfere no calendário escolar, visto que já estava previsto o recesso na semana da Páscoa. “Como em julho também estão previstas outras duas semanas de recesso, a pasta optou por antecipar uma delas. As medidas podem ser alteradas conforme novas orientações forem emitidas pelos órgãos de saúde. Ao final do período de distanciamento, para garantir o cumprimento das 800 horas-aula, a pasta irá avaliar os impactos causados e outros tipos de atividades complementares serão consideradas, seja no contraturno escolar, nas últimas aulas ou até mesmo em finais de semana”, conclui Felipe.

ADAPTAÇÕES NO ENSINO SUPERIOR

Na Unaerp, as adaptações estão sendo feitas em etapas. Em um primeiro momento, entre o dia 17 de março e 12 de abril, os alunos entraram em férias. Em parte deste período, professores e a maioria dos colaboradores também tiveram uma pausa. A partir de então, a Universidade decidiu investir em uma nova tecnologia para que as aulas acontecessem por meios digitais e optou pela plataforma Google For Education. Com o sistema implantado, começou o processo de capacitação do corpo docente para essa nova metodologia. A migração exige um trabalho incessante, mas tem gerado resultados positivos.

“Unidos, depois dessa travessia, retomaremos ao campus mais sólidos, íntegros, sábios e solidários”, afirma a professora Elmara

Desde segunda-feira, dia 13, os 23 cursos da Unaerp passaram a ter aulas digitais –– em tempo real, nos mesmos dias e horários que estavam em vigor presencialmente. O reencontro entre professores e alunos foi bastante celebrado e a interação pela plataforma tem funcionado bem. Não houve redução de carga horária e nem de conteúdos curriculares. As disciplinas que envolvem práticas laboratoriais serão ministradas presencialmente após a suspensão do isolamento social. Para isso, deverão adentrar o mês de julho, não havendo férias de meio de ano.

Esse formato seguirá até o dia 26 deste mês. Depois, poderá ser prorrogado de acordo com as determinações governamentais. “Este é o maior desafio enfrentado pela nossa Instituição, bem como pelas demais instituições de ensino e todos os segmentos da sociedade brasileira. Neste momento, agimos com as mesmas prerrogativas que sempre tivemos: ofertar a melhor qualidade de ensino e apoiar nossos alunos para que tenham segurança, bem-estar e tranquilidade para vivenciar uma formação acadêmica que os possibilite trilhar o caminho da realização pessoal e profissional. Agora, fazemos isso por meio das tecnologias digitais. Unidos, depois dessa travessia, retomaremos ao campus mais sólidos, íntegros, sábios e solidários”, declara a reitora professora Elmara Lucia de Oliveira Bonini.

O Centro Universitário Moura Lacerda também se baseou nas orientações do MEC para que os alunos não fossem prejudicados quanto ao andamento do currículo deste primeiro semestre de 2020. “As decisões quanto a essa nova realidade da educação foram tomadas de acordo com as determinações do Governo Federal, preservando a continuidade do semestre letivo. Mobilizamos todos os recursos tecnológicos necessários para converter as aulas presenciais em conteúdo digital e remoto. Tivemos forte participação de professores e de nosso corpo administrativo na organização dessa infraestrutura, além de uma adesão interessante dos alunos ao processo”, destaca o diretor superintendente Paulo Alencar Lapini.

A instituição elaborou, ainda, diferentes ações e campanhas de engajamento para os estudantes. “Os professores postaram fotos e vídeos de seus trabalhos em casa, preparando os conteúdos digitais para os alunos e os incentivando a estudarem. Fizemos uma campanha de Páscoa e sorteamos ovos de chocolate para os que mostraram, em fotos, como estudavam. Também estamos com uma curadoria de conteúdo especial para as nossas redes sociais, com publicações diárias de material de interesse dos cursos que oferecemos”, completa Lapini.

Paulo Lapini destaca as diferentes ações e campanhas de engajamento elaboradas para os estudantes

A PERSPECTIVA DE UM ESTUDANTE

Desde o dia 20 de março, as aulas presenciais do curso de Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, estão suspensas e não há, ainda, uma previsão de retorno. Aluno do 4º ano, o ribeirãopretano Victor Rodini Issa afirma que não teve nenhum tipo de receio sobre a continuidade dos estudos quando soube da paralisação por conta da pandemia do novo coronavírus. “A tecnologia de hoje nos fornece uma maior oportunidade para estudarmos a distância. A Universidade dispõe de um software interno que nos possibilita receber todo o conteúdo necessário, além de vídeo aulas por dispositivos externos. Vejo o empenho de todos os envolvidos, principalmente dos coordenadores, para que essa dinâmica realmente funcione. Para mim, o formato adotado tem sido eficiente”, revela. Questionado sobre a necessidade de se ter disciplina, Victor confessa que a tendência geral dos alunos é ter uma conduta mais tranquila em casa. “Mas isso não pode acontecer. A disciplina tem que ser igual quando temos aulas presenciais. Não se pode relaxar quando o quesito é estudar e melhorar seu desempenho”, aconselha.

DISTANTES, MAS ON-LINE

A escola de idiomas CNA também cancelou as atividades presenciais em suas unidades Campos Salles e Dom Pedro. “Foi uma decisão necessária para preservarmos a saúde de todos”, esclarece a diretora, Rosinha Sciubba. Para manter o cronograma, o CNA se estruturou rapidamente e, neste momento, oferece aulas ao vivo em ambiente virtual, as Live Classes CNA. “Já tínhamos um curso on-line, mas a proposta dele é diferente do conteúdo regular que administramos na escola. Montamos uma nova estrutura de atendimento para mais de 180 turmas, onde os alunos entram em salas virtuais, todos juntos, conectados no mesmo dia e horário que se matricularam. Eles podem se ver e interagem sobre as lições apresentadas. Todo o material didático também fica disponível na rede”, descreve. Ainda segundo a diretora, a solução encontrada pela escola para enfrentar esse período foi muito bem aceita. “A maioria preferiu seguir com os estudos. A taxa de aceitação foi de cerca de 95%, o que nos surpreendeu positivamente”, celebra Rosinha.

Compartilhar: